Garanhuns, 23 de abril de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
CIDADE
 

Funcionários apontam quadro caótico na educação

Um grupo de funcionários da prefeitura de Garanhuns, procurou a reportagem do Correio Sete Colinas para denunciar o quadro confuso instalado na Secretaria de Educação do Município. Segundo eles, a situação chega a ser caótica e ninguém consegue trabalhar em paz, devido a política de perseguição e intimidação implantada pela professora Maria de Lourdes Magalhães.

Os servidores municipais, que pediram para ficar no anonimato, temendo represálias, disseram que quem está mandando mesmo na secretária é a filha de Lourdes, Magda Magalhães, que trata mal os funcionários e se comporta como se fosse a dona da prefeitura. "Até um senhor conhecido como Marcos, marido de Magda, em conversas no Brás dá a entender quem manda hoje na educação de Garanhuns", revelou uma das fontes do Correio.

AFASTAMENTO - Desde que assumiu o cargo, Lourdes já conseguiu afastar da secretaria professores como Girlane Santana, Selma, com 29 anos no setor, e a colunista Josália Pimentel, que era considerada a "fofoqueira" da repartição. Até a sua antecessora, Rosemary Régis, que começou prestigiada, está hoje sem poder, pois tudo está concentrado nas mãos de Magda e da mãe.

Indicada para a Secretaria de Educação pela primeira dama, Geni Oliveira, a professora Maria de Lourdes tem sido questionada desde o primeiro momento e demonstrado um comportamento instável. Antes de assumir o posto, era professora no distrito de Miracica e numa passagem pela Faculdade de Formação de Professores teve um bate boca com uma aluna que foi parar na delegacia.

Já secretária, permitiu o inchaço da máquina administrativa nas escolas, com a contratação desordenada de professores, merendeiras, auxiliares de serviços gerais e vigias. Os funcionários que acompanham de perto o seu trabalho disseram à reportagem que a professora chora com frequência em pleno local de trabalho e recentemente chegou a desmaiar, ao ler uma notícia desfavorável a seu respeito publicada no jornal Língua Solta.

Na opinião do grupo de servidores que passou informações ao Correio, o problema envolvendo a prefeitura e os motoristas que transportam estudantes aconteceu por inabilidade da secretária. "Ela só fala em enonomizar. E aí falta material de limpeza nas escolas, são cortadas gratificações e querem até reduzir a quilometragem dos motoristas. Tudo isso gera insatisfação e prejudica o prefeito Luiz Carlos", observou um funcionário.

Na última terça-feira, quando o Jornal da Sete Segunda Edição adiantou algumas informações sobre o que estava ocorrendo na Secretaria de Educação, Lurdes convocou uma reunião com seus subordinados para discutir a situação. Na quarta, já estava previsto um encontro do prefeito Luiz Carlos com os diretores de escolas, quando seriam anunciados alguns cortes entre os contratados e estagiários.

Na Rádio Marano, também na quarta-feira, o secretário de Administração, Rafael Lima, procurava acalmar os ânimos dos funcionários. Ele garantiu que o prefeito não estava pensando em demitir os 580 servidores, como chegou a ser comentado, até porque isso significaria a paralisação dos serviços em várias escolas do município. "Podemos até afastar alguns excedentes, mas tirar todo mundo isso não existe", confirmou Rafael.

Pelo menos um dos funcionários que conversou com a reportagem, contudo, assegurou que o prefeito em pelo menos uma ocasião chegou a dizer que ia afastar todo mundo. Essa medida, caso chegasse a ser concretizada, causaria muitos problemas na educação, porque várias escolas do município, como a Letácio Brito (Boa Vista), Caic (Indiano), Salomão Rodrigues (Miracica), Julião Capitó (Iratama) e José Ferreira Sobrinho (São Pedro), funcionam hoje graças ao trabalho dos estagiários e contratados.

A Secretaria de Educação do município tem hoje cerca de 550 servidores, sendo 383 professores. Existem apenas 50 profissionais habilitados para trabalhar com turmas de 5ª a 8ª e 160 professores de 1ª a 4ª. O restante do quadro é composto por diretores, secretários de escolas, readaptados e funcionários que estão em licença. Garanhuns tem em torno de 70 escolas, 23 delas na zona urbana.

Muitos acham que a solução para a maioria dos problemas é a realização de um concurso público, o que chegou a ser defendido pela própria secretária, numa entrevista a Rádio Sete Colinas. Mas o prefeito até agora não se pronunciou sobre isso. Enquanto essas questões não são resolvidas, Lourdes, às vezes até injustamente, é bombardeada por todos os lados. Tanto que funcionários da própria Secretaria de Educação a criticam até pela contratação de um "obscuro professor" do município de São João para dar capacitação aos profissionais de ensino em Garanhuns. "Com todo respeito a São João, mas os profissionais daqui é que devem dar capacitação por lá", cutucou um funcionário da prefeitura.