Garanhuns, 9 de abril de 2005
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OPINIÃO
 

A resenha da Garanheta

Marcílio Viana Luna


Mesmo caindo um pouco em termos do nível das atrações, a Garanheta 2005 teve um bom desempenho e reuniu três fortes ingredientes para o sucesso de uma promoção do gênero e que já completou 15 anos: ótimo público, muita animação e boa musicalidade. Ainda longe da perfeição, exigência quase impossível em uma festa popular, o nosso carnaval fora de época já justificou há muito tempo a sua criação e preencheu uma lacuna existente desde o fim do carnaval tradicional de Garanhuns e de outros festejos populares. Mais de 50 mil pessoas foram às ruas da Suíça Pernambucana, a cidade foi invadida por visitantes de Alagoas, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e até um ônibus veio de Minas Gerais. Sem falar do Recife e outras cidade pernambucanas.

Os hotéis estiveram lotados, restaurantes cheios, comércio movimentado e muitos visitantes nos pontos de atração turística: Relógio de Flores, Santuário de Mãe Rainha, Cristo do Magano (reforma e urbanização quase prontas), Parques Euclides Dourado e Pau Pombo, além de praças e da majestosa Avenida Santo Antonio. Os turistas só não conheceram o Monte Sinai, tomado dos garanhuenses há cerca de 15 anos e que nunca mais será recuperado. Todo mundo perdeu: os garanhuenses, turistas e visitantes. Era a nossa a principal colina da Cidade das Flores: o Monte Sinai. Mas, a Garanheta trouxe movimentação de recursos. Arquibancadas e camarotes foram vendidos. Todo mundo lucrou e o maior beneficiado foi o povo tão carente de diversão pública, festejos populares e promoções sócio-culturais.

A cidade ganhou, desde o início de janeiro, uma nova administração pública municipal e havia no ar uma interrogação de como ela se sairia diante de um forte teste de competência organizacional. E o resultado foi satisfatório: se tudo não foi absolutamente perfeito, pelo menos conseguiu superar-se com relação as Garanhetas anteriores e agradar a maioria. Essa foi a nossa primeira avaliação da administração do prefeito Luiz Carlos Oliveira e outras avaliações imparciais serão feitas. Não tenham dúvidas. A Secretaria de Turismo, agora ocupada por Júlio César Sampaio de Melo, saiu-se a contento. Tudo bem planejado e executado. A equipe da Secretaria de Turismo me pareceu boa e preparada para eventos desse porte. Quanto a um programa ou plano turístico propriamente dito, vou continuar cobrando da edilidade garanhuense.

Os camarotes da Rui Barbosa, localizados em frente ao Seminário São José e Hotel Tavares Correia, foram uma atração à parte. Bem concorridos, animados e com alguma mordomia, não faltou quem não fosse fazer uma boquinha. Estive em alguns deles, bem como andando pela avenida até a AGA. No camarote da Imprensa, fiquei algum tempo; no do Hotel Palace também; no do prefeito Zé da Luz, convidado pelo vice-prefeito Sampainho e secretários da Prefeitura de Caetés, também permaneci por bom período, igualmente no da colunista Kitty Lopes, onde ela recebia com elegância e distinção. E, finalmente, no da Prefeitura, onde entrei bem rapidamente, apenas para cumprimentar o amigo e irmão, Jesus de Oliveira Campelo. O prefeito Luiz Carlos, a primeira-dama Geni Oliveira, o ex-prefeito Silvino Duarte e a deputada Aurora Cristina foram cumprimentados apenas no corredor dos camarotes, juntamente com os secretários Éber Frias, Marcos Régis e Júlio César.

A animação contagiante da festa, no seu primeiro dia (quinta-feira), ficou por conta de Margareth Menezes, juntamente com Asas da América; no segundo dia a banda Chiclete Com Banana foi a dona da festa; no terceiro dia (sábado) quem mandou mesmo foi a cantora baiana Gil, no bloco "Me Beija" e, finalmente, no domingo (último dia), a animação ficou por conta da banda Nairê, encerrando a festa em clima de uma autêntica quarta-feira de cinzas, até a Guadalajara. Outras boas bandas foram Oxigênio, Marreta you Planeta, Chega Mais, Puro Swing, Psirico e Arreia Lenha. Nas quatro noites, até quase o dia amanhecer, na Guadalajara, grupos musicais Saka Samba, TDB, Caldeirão e Axékisamba animavam o povão, antes e depois da chegada dos trios. A imensa área ficou lotada.

Durante as quatro noites, políticos e ex-prefeitos, como Ivo Amaral, em cuja administração foi criada a Garanheta, se fizeram presentes. Ivo na época, foi o prefeito que organizou e executou as duas primeiras Garanhetas, evento depois apoiado pelos seus sucessores. Outros políticos presentes: o deputado federal Fernando Ferro, do PT, concedendo várias entrevistas; ex-vereador e empresário Givaldo Calado; e o deputado Izaías Régis. A música que ficou a cara da Garanheta 2005 foi "Festa no Apê", tanto na Rui Barbosa, como no centro da cidade. Outros carnavais fora de época virão e o melhor mês mesmo é março, que o diga quem é 100% Garanhuns.