Garanhuns, 9 de abril de 2005
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OPINIÃO
 

Urbano Vitalino, uma amizade de meio século

Marcílio Reinaux


Foram pouco mais de cinquenta anos, o tempo em que estivemos juntos com muitas afinidades, que teceu em nós uma fraterna e sólida amizade. A primeira afinidade foi o fato de sermos conterrâneos, nascidos no mesmo torrão da queridíssima Enevoada Pérola Fugidia, como chamamos e cantamos Garanhuns em poema e livro. Desta primeira afinidade guardamos lembranças imorredouras, gratificantes, que nos remete a um passado maravilhoso, que nos transporta com um "nó na garganta", transpassado de saudade do nosso tempo de menino. Ali na "Rua do Recife correndo, pulando, brincando. Ali onde morávamos pelos idos de 1940. Os meninos irmãos: Hilton e Urbano. Jessisai e Erasto já haviam ido para a capital. Todos eles filhos do respeitável advogado Urbano Vitalino nome da justiça e do direito, de Garanhuns e do Agreste, respeitado nos quatro cantos. E nós filhos de Antonio Reinaux, comerciante por várias décadas, com a loja "Agência Reinaux", de peças de automóveis. Esta primeira ligação com Urbano Vitalino Filho, foi longeva e nos acompanhou toda a vida. Mais avançado na idade do que ele - apenas algunas anos - não fomos contemporâneos no Colégio Quinze, mas estivemos sempre por perto um-do-outro.

A Segunda afinidade - e essa ficou duradoura - foi o fato de que professamos a mesma fé, em Cristo Jesus, como presbiterianos, membros da mesma igreja. Em acampamentos, em reuniões da mocidade, em pic-nics, na Escola Dominical e em outras áreas estivemos sempre juntos. Menos no coral da Igreja, porque ele - Urbano Vitalino - era desentoado até para dar "Boa Noite'. Não cantava nada. E nós cantávamos "baixo". Mas, se não cantava, por outro lado Urbano foi um bom e aplicado aluno, tornando-se posteriormente em excelente Professor da Escola Dominical. Amadurecido, logo foi elevado à categoria de Superinendente da ED, ficando naquela importante função por muitos anos. Tornou-se respeitável Presbítero, pregando eventualmente a palavra. Ali na igreja presbiteriana do Recife, no cais José Mariano, estivemos juntos por mais de 40 anos sempre desfruando uma fraterna convivência como irmãos de Fé.

A terceira afinidade com Urbano Vitalino foi como concunhado. Casamos, eu com a Gláucia Gueiros, e ele com a Rute Gueiros, as famosas filhas do Reverendo Doutor Israel Gueiros, um nome legendário no evangelismo de Pernambuco, do Brasil, extrapolando-se para o mundo. Assim, a convivência com o advogado Urbano Vitalino, foi muito sólida, porque estava estribada em um tripé de afinidades, uma tríade que nos sustentava amigos, juntos, estimados.

Para nós uma longa e das mais gratificantes experiências de vida, a convivência com Urbano Vitalino, pois com ele, mesmo sendo ele mais jovem, aprendíamos lições. Ele tinha sempre, conselhos, admoestações e orientações muito precisas e muito oportunas para nos oferecer. Ainda solteiros, mas "namorando as meninas do doutor Gueiros", viajamos para os Estados Unidos, Canadá, México e vários países da Europa. Ele era também um bom companheiro nas viagens. Chamado aos páramos celestiais, deixou em nós gratas recordações acumuladas em meio século de uma fraterna convivência, com tantas e tão boas afinidades, agora mescladas com saudades, que não se apagam.


Marcílio Reinaux é escrito da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.