Garanhuns, 9 de abril de 2005
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OPINIÃO
 

Chuva: alegria e apreensão

Marcílio Viana Luna Filho


Nas últimas semanas o Agreste Meridional foi contemplado com intensas chuvas, o que deixou várias pessoas surpresas, pois não acreditavam na possibilidade de fortes precipitações ainda nesta época, mas, como sempre, a natureza nos surpreendeu e molhou bem nosso solo bastante castigado pelas estiagens. Mas também ocorreram problemas em conseqüência do grande volume de água, o que deixou vários estragos.

A palavra chuva, sempre foi sinônimo de alegria e alívio nas regiões que sofrem com estiagens, características à região semi-árida, porém podemos observar nos dias atuais que elas também trazem o medo e a apreensão à população. É comum após um período chuvoso os meios de comunicação em geral, noticiarem os severos danos causados e deixarem os benefícios um pouco esquecidos, isso se deve aos grandes estragos que ocorrem em períodos de alta pluviosidade, tornando-se rotineiro a visualização de problemas como: o deslizamento de barreiras; rodovias com desmoronamentos; bem como ruas e avenidas intransitáveis. Os reflexos destes transtornos estão sempre ligados diretamente à população, sendo ela constantemente penalizada e que por sua vez também são vítimas de obras, em certos casos, mau executadas pelo poder público e por ações que provocam desequilíbrios ambientais.

As interferências do homem na natureza estão sempre sujeitas a impactos ambientais, neste sentido a lei obriga que seja feito um Estudo de Impacto Ambiental (EIA), onde são descritos e avaliados os possíveis danos ao meio ambiente e quais medidas preventivas devem ser tomadas, bem como a viabilidade ecológica da implantação de determinado projeto. Poderíamos até tomar a ausência de um EIA como um crime gravíssimo contra o ecossistema, pois sem este prévio estudo, não poderíamos prever os danos causados e os sucessivos problemas que viriam para o local da determinada atividade impactante e, com toda certeza, teria a população como maior afetada e conseqüentemente uma queda na qualidade de vida.

Nossa região sempre foi carente em relação às chuvas, sendo este o reflexo da realidade da atividade agrícola regional. É uma pena que estes curtos períodos de pluviosidade não são aproveitados de maneira racional, buscando promover sustentabilidade nas atividades econômicas locais, o que com toda certeza traria uma melhora significativa na qualidade de vida no campo, pois condições estruturais são a base para o desenvolvimento sustentável de qualquer atividade econômica. Nos falta realmente políticas públicas que tornem possível o desenvolvimento sustentável no campo, sendo elas através da construção de fontes armazenadoras de água, como barragens e açudes, que com um grande volume de chuva, como o ocorrido a pouco, poderiam estar com um grande volume de água, como também a disponibilização de um apóio financeiro e acompanhamento técnico específico à área, mas que não seja apenas na implantação do projeto, que esteja presente ao longo do processo produtivo.

Temos que deixar de ver a chuva pela janela da estagnação produtiva de nossa região e fazer com que ela nos abra a porta do progresso e da sustentabilidade produtiva, cobrando a criação de políticas públicas voltadas para a zona rural, e que tragam um verdadeiro crescimento econômico-social, acabando com as medidas emergenciais que nada nos trouxe, apenas nos deixou como estátuas, as quais necessitavam simplesmente de um pano úmido para tirar a poeira, que sempre voltava...