Garanhuns, 9 de abril de 2005
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OPINIÃO
 

A conquista da paz

Odete Melo de Souza


Uma encantadora revoada de incontáveis pombinhas brancas cobrindo os céus e a superfície das águas...

Bandeiras brancas apostas em frente das casas e grandes edifícios...

Desfiles, passeatas, palestras, conferências, convites, apelos dos governantes, religiosos, igrejas, entidades sociais e educativas, clubes de serviço, crianças, jovens, adultos e idosos, adesivos nos veículos, símbolos e mensagens nas roupas...

Tudo isso pode constituir o mais autêntico, oportuno e humano cenário de clamor pela tão esperada e desejada paz no mundo.

Entretanto, uma outra bem diferente montagem deve ser acrescida a esse quadro para o completo desempenho da mais cobiçada peça - A PAZ.

É que os homens precisam preparar o coração, a mente e a vontade, elaborando propósitos, projetos e ações em favor do irmão patrício ou estrangeiro, próximo ou distante, ajudando-o, perdoando-o e sobretudo, amando-o.

Este ano, a Campanha da Fraternidade apresenta uma dimensão ecumênica, pois o CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil), do qual a Igreja Católica faz parte, teve a feliz iniciativa de unir-se, escolhendo sábia e oportunamente o tema solidariedade e paz e o lema: felizes os que promovem a paz, para concretizar as suas pretensões.

Realmente tem-se falado muito em restabelecimento da paz, extinção da violência e fim das guerras.

E por que não se atinge esse alvo tão desejado?

Há poucos dias, o mundo inteiro experimentou momentos de alegria, vislumbrando utopicamente sinais de paz no Oriente Médio, com entendimentos entre Israel e Palestina. O milagre porém, ainda não se concretizou plenamente. Aguardemos!...

A terra inteira clama e reclama por tranquilidade e justiça. Mas de todos os quadrantes, contraditoriamente, ecoam terríveis notícias, como a existência de armas atômicas na Coréia do Norte, brasileiro sequestrado e desaparecido no Iraque, concidadãos prestando ajuda no Haiti onde os habitantes vêm sendo dizimados, interferência dos Estados Unidos na venda de armas russas na Venezuela, litígios em países da América do Sul, lutas e mortes no MST, bárbaro assassinato de uma religiosa no Pará...

Se fôssemos enumerar todos os conflitos vivenciados em nosso planeta, teríamos muito e muito a registrar, ou melhor, não teríamos condições de fazê-lo.

Notícias de assalto, seqüestro, todo requinte de violência e pervesidade usado contra nossos amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos, proliferam incontidamente.

Enfim, de que depende a conquista da paz?

Destruamos, não utopicamente, mas conscientemente os muros do egoísmo, ambição, rancor, ódio, vingança e construamos fraternalmente as pontes da compreensão, partilha, ajuda e principalmente amor ao semelhante.

É urgente, é justo, é dever que as nações ricas partilhem suas fortunas com os pobres, reduzam ou perdoem-lhes as dívidas.

Os poderosos países, detentores de armas, usem-nas somente para fins pacíficos, como em benefício da saúde, do progresso e da felicidade.

Que uma campanha educativa atinja diretamente os malfeitores, desarmando-os e convencendo-os de se converterem, se regenerarem, a se humanizarem, enfim.

E assim, povos, governos e indivíduos na mais perfeita solidariedade encontrarão o seguro caminho da conquista da paz, concretizando portanto o tema da Campanha da Fraternidade - 2005 - Solidariedade e Paz.

Acreditamos ainda, que a prática individual da recomendada e sagrada trilogia oração, partilha, penitência, proporcionará a paz interior de cada pessoa, estendendo-se milagrosamente a toda humanidade.

E enfim, poderemos repetir as santas palavras do grande pontífice Pio XII: A paz frua justiça e da caridade reinará sobre o mundo.