Garanhuns, 26 de março de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Cultura
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
POLÍTICA
 

Mendoncinha evita confronto com senador do PSDB

José Mendonça Bezerra Filho, o Mendoncinha, começou na vida política com pouco mais de 20 anos de idade. Da Assembléia Legislativa passou para a Câmara Federal, foi secretário de Estado e se elegeu vice-governador de Pernambuco, em 1998, quando PFL e PMDB, adversários históricos no país e principalmente no Estado, fizeram uma aliança costurada pelo seu pai, o deputado federal José Mendonça. Na gestão atual, Mendoncinha tem desempenhado um papel importante, resolvendo muitas questões por delegação do próprio governador Jarbas. De estilo cordato, seguidor de Marco Maciel, Mendonça Filho poderia até ser considerado candidato natural da aliança, se não fosse o ímpeto do senador Sérgio Guerra, que também deseja disputar a sucessão estadual.

Discreto, menos atirado do que seu principal concorrente na aliança (o senador Sérgio Guerra), Mendonça esteve em Garanhuns de passagem, 12 dias atrás, quando contactou lideranças políticas locais e deu essa entrevista ao Correio Sete Colinas. O vice-governador não admite ainda a sua candidatura, diz que se depender dele não haverá divisão na aliança jarbista e faz críticas administrativas ao governo Lula. "O governo precisa ser mais rápido na solução das questões", afirma, citando o caso da Br-423, que liga São Caetano a Garanhuns e que até recentemente estava toda esburacada.


CORREIO - O Sr. é candidato a governador de Pernambuco em 2006?

MENDONCINHA - Essa discussão sobre 2006 a gente só vai ter ela no início do próximo ano. Esse ano de 2005 é um ano de trabalho e de consolidação dos principais projetos do governo. Jarbas está trabalhando muito em favor de Pernambuco, continua num ritmo bastante dinâmico... Está aí a seqüencia da duplicação da Br-232 que vai beneficiar muito Garanhuns com a extensão do trecho até São Caetano... Enfim a gente vai continuar na mesma direção, trabalhando com estradas, abastecimento d´água, gerando desenvolvimento no interior e fazendo com que cada vez mais se possa gerar empregos e oportunidades de trabalho para o povo de Pernambuco.


CORREIO - É possível uma divisão entre Mendoncinha e Sérgio Guerra, em 2006?

MENDONCINHA - Não sei. No que depender de mim isso não ocorrerá, porque quem me conhece sabe que eu faço política somando, nunca fiz política dividindo. Então, o que eu puder fazer para que a aliança liderada por Jarbas possa se manter intacta na eleição de 2006 eu vou fazer.


CORREIO - A candidatura de Jarbas em 1998 e a própria aliança entre o PMDB e o PFL passaram pelo deputado federal José Mendonça e por Mendoncinha. O apoio de Jarbas ao vice-governador agora não seria até uma forma de retribuir tudo o que vocês fizeram por ele?

MENDONCINHA - É lógico que eu seria leviano ou falso se por ventura não dissesse que o nosso papel na aliança comandada por Jarbas não foi importante. Agora, isso não quer dizer que haja um automatismo, porque em política não existe nenhum fato que existindo no passado ele diretamente se relacione no futuro. É um componente, mas todo processo de escolha, da definição de nossa candidatura em 2006 vai se dar olhando o ambiente, quem agrega mais, olhando quem terá oportunidade de liderar melhor o conjunto da aliança política que tem feito um governo à altura do que espera o povo de Pernambuco.


CORREIO - Na sua avaliação é melhor para a aliança que Jarbas Vasconcelos cumpra o seu mandato até o final ou dispute o mandato de senador para ajudar o candidato da aliança ao governo do Estado?

MENDONCINHA - Fica difícil pra mim falar sobre o futuro e uma decisão pessoal do governador Jarbas, sobre o que ele deve ser, que cargo deve disputar. O que eu posso dizer a você é o seguinte: Jarbas tem consciência de sua responsabilidade e fará o melhor que for pra ele pensando no bem para Pernambuco.


CORREIO - Caso o Sr. dispute o governo qual será o seu projeto para o Estado?

MENDONCINHA - Aí não dá pra discutir, porque nesse caso eu me colocaria quase como candidato a governador de Pernambuco. O que eu posso dizer é que minha disposição é sempre trabalhar pelo Estado, independente de qualquer cargo que estou ocupando. Esta sempre foi a minha luta, essa é a minha história e essa será sempre a minha vida enquanto homem público.


CORREIO - Não como candidato, mas como vice-governador de Pernambuco, quais são no seu entender os principais problemas do Agreste Meridional e as questões que devem ser atacadas no futuro governo?

MENDONCINHA- No Agreste Meridional hoje a gente tem ainda uma defasagem muito grande de infraestrutura básica. O abastecimento d´água de cidades importantes como Garanhuns precisa ser reforçado, há deficiência no saneamento básico e o principal é gerar oportunidades de desenvolvimento no interior do Estado. Precisamos atrair empresas que possam se instalar e gerar empregos no interior. As condições básicas pra isso foram criadas na ampliação da malha viária, na duplicação da Br-232, nos investimentos feitos no abastecimento d´água. Tendo essa infraestrutura fica mais fácil atrair os investimentos privados que vão gerar emprego no Agreste e outras regiões do Estado.


CORREIO - Como é que o vice-governador avalia a administração de Lula até agora?

MENDONCINHA - Não dá para avaliar bem. Acho que no geral, tirando um pouco o exagero das medidas ortodoxas que foram muito criticadas no passado, na área econômica, pelo menos não se desmanchou o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação. No geral, se nós examinarmos os ministérios setorialmente, a gente vai constatar que não há um ritmo de trabalho que seria desejável pelo povo brasileiro. Veja o caso dessa estrada que dá acesso a Garanhuns: o govenador cobra, toda sociedade pede providências e ela está esse tempo todo esburacada. Eu acho que o governo precisaria ser mais rápido, mais célere e responder mais velozmente aquilo que fosse demanda por parte da sociedade.


CORREIO -Na disputa com Lula, em 2006, qual seria o nome mais forte da oposição? O governador Geraldo Alkmim ou o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia?

MENDONCINHA - Não acho que exista ainda candidatura com formato definido na disputa do próximo ano. O PFL apresenta o nome de César Maia e o PSDB o do governador Geraldo Alkmim. Os dois são políticos sérios, honrados e que merecem o respeito por parte da opinião pública brasileira.