Garanhuns, 26 de março de 2005
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POLÍTICA
 

Sérgio Guerra defende candidatura do PSDB ao governo
e prevê vitória do bloco jarbista

Sérgio Guerra começou sua vida na oposição, liderando o PMDB na Assembléia Legislativa à épóca do governador Roberto Magalhães. Considerado um parlamentar brilhante, virou governo com Arraes, de quem foi secretário de Estado, mas a quem abandonou com a ascensão de Jarbas Vasconcelos ao poder. Se elegeu deputado federal em mais de uma oportunidade e no último pleito que disputou derrotou Carlos Wilson, que era considerado o favorito. Apontado como um dos pré-candidatos da aliança jarbista ao governo de Pernambuco, Sérgio expõe seus pensamentos de forma aberta, nesta entrevista ao Correio Sete Colinas. Acha que o seu partido atual, o PSDB, deve ter candidato à sucessão estadual, faz críticas à administração do presidente Lula e afirma, dentro do seu estilo direto, que se depender dele o ex-prefeito Silvino Andrade será candidato a deputado federal em 2005. "Pra um município importante como Garanhuns é muito pouco ter apenas um deputado estadual", frisa o senador. Abaixo, a íntegra da entrevista.


CORREIO - O Sr. confirma seu projeto de disputar o governo de Pernambuco, no próximo ano?

SÉRGIO - Eu defendo em primeiro lugar, e tenho dito isso nas entrevistas do rádio, nos jornais e na televisão, que o grupo que apóia Jarbas continue unido. Em segundo lugar defendo que em fevereiro se faça uma avaliação sobre os candidatos possíveis, checando qual aquele que tem mais chances de ganhar a eleição. Aquele que poderá nas urnas dar a vitória ao nosso lado. O meu partido, o PSDB é um grande partido, nós dividimos a eleição de prefeitos com o PT. Tivemos tantos votos quanto o Partido dos Trabalhadores. Penso que para vencer a eleição e continuar na vanguarda temos de ter candidatos progressistas. Do centro para o centro esquerda. Gente que tenha compromisso com o futuro, capacidade de assumir posições avançadas e que não seja radical. Então o PSDB deve disputar a eleição de governador daqui a dois anos. Uma força como a nossa, que ganhou do PT em São Paulo, em Curitiba e outros grandes centros brasileiros não pode deixar de apresentar candidatos. Mas a próxima eleição só estará mais visível nos primeiros meses de 2005. Porque o governo Lula vai ter de dizer a que veio, mostrar se verdadeiramente produz, faz obras, realizações.


CORREIO - E o governo Jarbas?

SÉRGIO - O governador Jarbas, que é um eleitor muito importante em Pernambuco, já está demonstrando que o segundo governo dele é tão bom quanto o primeiro. O volume de obras e inaugurações este ano surpreende a todo mundo. E ele está andando muito mais este ano do que no passado. Por isso estou confiante de que a gente vai chegar tranquilamente em 2005 e decidir o nome de um candidato bom pra ganhar a eleição. E vamos ganhar.


CORREIO - Os jornais da capital têm divulgado que nas pesquisas até agora realizadas o Sr. aparece melhor do que o vice-governador Mendonça Filho. É essa mesma a realidade?

SÉRGIO - Eu tenho pesquisas de pelo menos 40 municípios de Pernambuco onde nós estamos muito bem, normalmente em primeiro lugar. Outras pesquisas, divulgadas pelos jornais, nos colocam muito bem. Agora, eu não poderia dizer quais são as intenções de voto que o vice-governador tem. Sinceramente eu não conheço. Só poderia avaliar se tivesse uma pesquisa do estado inteiro, aí eu poderia falar. Mas não estou fazendo isso, nem acho que é hora.


CORREIO - Há uma possiblidade de rompimento entre o Sr. e o vice-governador Mendonça Filho?

SÉRGIO - Rompimento jamais. Divididos é muito mais difícil ganhar do que unidos. Se a gente ficar junto não dá pra ninguém aqui. Só dá pra nós.


CORREIO - No caso de Garanhuns como o senador vê a possível candidatura de Silvino Andrade à Câmara Federal?

SÉRGIO - Se depender de mim ele será candidato a Federal. Um município como Garanhuns precisa mais do que apenas um deputado estadual. Um deputado federal voltado para o município pode alocar recursos por ano aqui na faixa de cinco a dez milhões de reais. Eu sempre fiz alguma coisa por Garanhuns, mas não pude fazer tudo que queria porque tinha de atender a outros municípios, a outras bases. Pelo tamanho da cidade um federal pode sair daqui com 30/35 mil votos, que já é sessenta por cento da eleição. Com isso o município poderá ter um representante que possa dar consistência, trazer financiamentos e recursos para cá. É importante ter essa candidatura, Silvino é o melhor nome e terá a ajuda do prefeito Luiz Carlos que obteve uma grande vitória. A eleição local era dada como ganha pelo PTB, sentaram antes na cadeira e perderam feio. Nós vamos ajudar Luiz a fazer uma grande administração e assim reunir todas as condições de ter um candidato do Agreste à Câmara Federal. Silvino tem experiência administrativa, bom senso, prestígio e só na região deve obter mais de 50 mil votos. Lá fora ele só irá precisar de 20 mil votos para ganhar. Eu acredito na eleição dele.


CORREIO - Mas o próprio Silvino está muito cauteloso sobre essa candidatura à Câmara Federal...?

SÉRGIO - É natural. Ele teria uma eleição de deputado estadual completamente certa. A eleição de federal é mais disputada, tem de ir pra urna e tem de ganhar. Mas eu acho que temos condições de fazer alianças também, ele pra federal e outros estaduais, que lhe dêem votos e garantam sua vitória. Francamente, eu que já disputei várias eleições de federal, e não perdi nenhuma, acredito que Silvino saindo candidato estará com uma vaga praticamente garantida. Agora, a questão é muito pessoal e está um pouco cedo para resolver isso.