Garanhuns, 26 de março de 2005
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OPINIÃO
 

Se pudermos complicar...

Pedro Jorge Valença


Quando servia no curso de Infantaria do CPOR do Recife, era costume se gozar os colegas dizendo que o lema da Artilharia era: Se pudermos complicar, para que facilitar?

O artilheiro veste a cueca pela cabeça!

Entre os técnicos da Secretaria da Agricultura que davam um duro no interior e não concordavam com o planejamento feito na capital também corria um "dito" que se espalhou até hoje: Chuva no mar, peito em homem e agrônomo na Emater, existem, mas não serve para nada.

Os técnicos que comandam o programa Fome Zero, encastelados em gabinetes refrigerados em Brasília, só pensam em complicar a distribuição do leite para as famílias carentes, com uma relação de exigências, ignorando que por traz de cada associação existe um político que a patrocina.

Agora a novidade é ter de adquirir a matéria prima de produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) o que é louvável, mas atualmente os componentes das faixas A, B e C estão longe de atender as necessidades para abastecer de leite ao programa de Leite de Pernambuco - Fome Zero, e as faixas D e E precisam receber uma maior orientação e fazer alguns investimentos para que a qualidade do leite não seja comprometida e que a coleta não se torne onerosa e impraticável. Decisões humanitárias, que na intenção de melhorar a vida dessa classe sofrida partem para soluções desconectas.

Infelizmente nossa pecuária há muito tempo vinha comandada por produtores e técnicos urbanos, que permitiram que nossa memória não fosse registrada. Ficando sujeitas às imposições e trabalhos "transplantados" do centro sul, determinando até nossos custos de produção de leite, sem nunca ter conhecido uma palma forrageira.

Quando a Secretaria de Produção Rural está sob o comando de um verdadeiro produtor, nos encoraja a mostrar que a determinação não pode ser aplicada, pois esse homem não existe no nosso Agreste, onde 82% dos imóveis rurais têm uma área média de 2,5 hectares.

É certo que a situação econômica dos pequenos produtores tem de ser modificada, sem que sejam feitas exigências impraticáveis.

Vamos incentivar o plantio da Mandioca adubada com esterco e produtos químicos, prática econômica que eleva de sete para vinte toneladas a produção. As culturas da erva doce, já que nossa variedade têm o duplo do valor da Argentina, o urucum, que é usado na culinária (colorau) está sendo exportado largamente pelo Estado da Paraíba, a batata doce, cultura que não precisa de cuidados, pois "Deus criou a batata pensando nos preguiçosos".

O único empecilho para o seu cultivo é a falta da rama quando as chuvas se iniciam. Por que o Governo e Prefeituras não produzem as "sementes" e oferecem as ramas na época certa?

Muitas outras opções poderiam ser enumeradas o que tornaria essa crônica cansativa.

Como apreciador das coisas jocosas da minha terra, faço comparações com ditos populares e tiradas de matuto: As coisas difíceis de se encontrar: Couro em Lobisomem, Rastro de Caipora, A casa do Pai da Mata e Avarento no Céu.
Acrescentando: Um produtor de leite no Pronaf grupo A, B e C.

Impossível é um Tecnocrata Trabalhando no Campo.