Garanhuns, 12 de março de 2005
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OPINIÃO
 

Sonhar, despertar e realizar os sonhos

Marcilio Reinaux


Outro dia em um dos meus Cursos de "Planejamento e Organização do Cerimonial e Eventos", após uma aula na qual eu falava sobre "Etiqueta e Postura", iniciei um momento de autógrafos, dedicando meu livro sobre o assunto, para algumas pessoas que haviam-no adquirido. Uma Senhora, talvez de uns setenta anos, após a minha dedicatória, ao me cumprimentar disse:

"Professor, amanhã vou tirar alguns sonhos do meu Baú de Relíquias e começar a realiza-los". Então, de certa forma admirado perguntei sobre o que era aquilo. Ela confirmou alegre:
- "Tenho algumas preciosidades em forma de sonhos, guardadas em um baú".

Naquela tarde eu havia falado na aula sobre etiqueta nas relações profissionais, postura e outros assuntos, bem como discorrendo sobre o valor da auto-estima que devemos ter, afirmando que todos nós podemos e devemos sonhar e acalentar os nossos sonhos e anseios.

Montesquieu, (1855-1921), em seu livro:"O Reino do Silencio" ensinava: "O Seigneur, donnez-moi mon Rêve quotidien!" ( "Daí-me, Senhor o sonho meu de cada dia").

Assim, entendo que sonhar é bom. Se não fosse coisa boa, o renomado pensador e escritor francês, não se expressaria sobre os sonhos. Refiro-me não só aquele sonho normal que funciona involuntariamente dentro de nós, parte inerente do nosso sistema psíquico como uma das fantásticas e quase insondáveis atividades do nosso cérebro. Refiro-me diretamente à metáfora de que podemos e devemos sonhar, se possível trazendo os aqueles sonhos lá do fundo dos nossos sentimentos e os deixarmos aflorar à tona. Seria bom penso assim que desejos, ou sonhos, por vezes incontidos e conservados por muitos anos, surgissem e ocupassem lugar nos espaços da realidade da nossa vida. Claro que me refiro aos sonhos bons. É bom sairmos da letargia dos sonhos e buscarmos viver mais intensamente no direcionamento daquilo que queremos que desejamos e que amamos.

Aquela senhora de idade avançada, de anos calejados sobre os ombros, tinha em seus olhos um brilho especial, traduzindo nuances de visível felicidade. Sua postura, seu semblante, seu riso, seu aperto de mão firme, me indicavam que a vida não começa como dizem aos quarenta, sessenta, ou vinculadas àquelas expressões muito usadas, por isso vulgarizadas de "terceira idade". Acho isso besteira pura. A vida começa, ou recomeça todo dia, soprada com o fôlego que Deus nos concede, completada com certeza com a nossa porção de entusiasmo próprio de cada um. O Professor, Conferencista e Consultor de Empresas, Cezar Souza, escreveu o livro: Você é do Tamanho dos Seus Sonhos. "Se você "sonha" pouco, - diz ele - você não tem grandes aspirações." Se você não almeja nada, não anseia por nada, "não sonha com nada", então você é do tamanho dessa sua mesquinhez.

Eu de minha parte estou feliz, pleno de alegria, como aquela senhora. Há poucos dias, Deus me conferiu a graça de completar também setenta anos. Ainda estou sonhando. A cada dia desperto para a vida, com novos sonhos e busco com ímpeto - realizá-los. A cada projeto, a cada idéia, a trabalho ou tarefa que chegam às minhas mãos que faço, por vezes pontilhados de vitórias e sucesso, sejam maiores e ou de menor expressão, fico feliz da vida. Agradecido à Deus, lembro o profeta Isaias, (Cap. 12. v.7) que após lutas e vitórias disse: "Até aqui nos ajudou o Senhor".


Marcilio Reinaux, é cerimonialista presidente da Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo ABCP.