Garanhuns, 12 de março de 2005
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OPINIÃO
 

O PT e Biu da câmara

Rafael Brasil


É. Severino Cavalcanti, o antes popular Severino Miracapillo, (ganhou esse apelido pela campanha que fez para que o padre italiano Vito Miracapillo fosse expulso do país, nos tempos do general Figueiredo), é o presidente da Câmara Federal. Ruim para o governo, que mostrou uma incrível falta de capacidade de coordenação política, e, claro, para as oposições, por terem ajudado a eleger um dos exponenciais da miséria política e atraso nacionais. E, claro, ruim para o Congresso que elegeu o elemento cuja plataforma representava o mais atrasado corporativismo, se bem que, todos os concorrentes acenaram com aumento de salários e vantagens para os ilustres deputados.

Diante do vendaval, quase todo mundo agora fala em reforma política. Que há mais de 20 anos deveria ter sido feita, pois a estrutura política e partidária do país já há muito não condiz com o desenvolvimento político dos mais diversos atores políticos e sociais. Todo mundo troca de partido a toda hora, muita corrupção eleitoral; em síntese: todo mundo sabe que é preciso muito dinheiro para conseguir se eleger. Seja vereador, prefeito ou deputado. Haja dinheiro e esquemas dos mais diversos, para obtê-lo. E, ademais, se vota nas pessoas, não nos partidos. Que, talvez com exceção do PT, se tornaram em meros acampamentos eleitorais.

É incrível, como o governo, montado numa popularidade mais que razoável, pela boa condução da economia, comete tantas besteiras. No transcorrer da desastrosa votação estava Lula a confabular com o populista Chávez, na Venezuela, enquanto seus partidários assistiam o naufrágio da candidatura governista. Zé Dirceu ficou quetinho, pois saiu mais forte do episódio, pois depois do caso Valdomiro, fora defenestrado da coordenação política do governo. Deverá sair o stalinista do PC do B, para entrar outro, que aliás já conhecemos.

Como bem falou Roberto Freire, o bom parlamentar socialista pernambucano, depois da leniência com o caso Valdomiro, o governo bem que mereceu a eleição de um Biu. Um Biu, não como os Severinos que povoam abundamente estas latitudes, tão bela e tristimente descritos pelo poeta João Cabral de Melo Neto. Mas um Biu que se mantém paradigmaticamente da miséria, da nossa misértia social e política, tal qual diria o finado Glauber Rocha.

Será que a tal reforma política vem mesmo, ou tudo passará como uma brisa? E o presidente anda muito chateado com o barulho da oposição, ao ponto de chamar Fernando Henrique de ladrão, de uma forma indireta, porém clara. Creio que ele deveria se lembrar de seus tempos na oposição, que aliás, não foram poucos. E quando sua popularidade realmente começar a cair? Seremos todos culpados? Dizem que ele bebeu. Se bebeu, bebeu mal. Aliás estas falas de improviso têm atrapalhado enormemente o governo. E o presidente não se manca, afinal ele se acha um gênio, um verdadeiro intelectual. É difícil querer ser o que não é. Ô governinho atrapalhado. Vade retro!