Garanhuns, 12 de março de 2005
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OPINIÃO
 

Um carnaval fora de época

Marcílio Viana Luna


Garanhuns já teve um dos melhores carnavais do Interior do Estado. E era bom mesmo, além de ordeiro, animado e cheio de atrações. Orquestras de fora, além das locais, blocos, clubes e escolas de samba. Só o bairro de São José tinha duas: a de Celino Moraes e a outra de Arlindo Araújo. Orquestras Marajoara, do maestro Francisquinho e a Super Oara, de Egerton Verçosa Amaral, entre outras. Depois foi caindo, caindo e terminou acabando mesmo. Acabado totalmente, o que foi uma pena para a Suíça Pernambucana, porque a cidade perdeu uma importante atração turística, a população ficou sem a sua maior diversão e os mais abastados fugiram, para outros lugares, à procura da folia ou do descanso de uma praia. Olinda, Recife, Maceió, São José da Coroa Grande e Tamandaré, são alguns dos lugares preferidos pelos garanhuenses.

No ano de 1989, um grupo de rapazes saiu de Garanhuns, com destino a Feira de Santana, na Bahia, para conhecer um carnaval fora de época famoso no Nordeste, chamado de Micareta. Integravam o grupo, entre outros, Marcílio Maia, Kleber Fernandes, Geraldo Melo, Saulo Almeida, Juca Pádua e José Carlos Santos. Na volta, eles procuraram o então prefeito Ivo Amaral, dizendo da possibilidade da cidade serrana ter também uma promoção congênere, o que seria a primeira do Estado, incluindo o Recife. O nome seria o mesmo, ou seja, Micareta, mas depois surgiu a idéia de Garanheta, a princípio criticado e debatido.

Em 1990 estava organizada e realizada a primeira Garanheta. Em 1991, por ingerência do clero, ela não foi realizada, voltando em 1992 juntamente com o Festival de Inverno que já entrava para a sua segunda edição. Depois, na gestão de Bartolomeu Quidute, a Garanheta continuou prestigiada e também o mesmo aconteceu com os edis sucessores. Agora, no mês de março, em período mais antecipado, o carnaval fora de época volta a todo o vapor. Aliás, os meses de março e abril são ótimos para a promoção anual. Em maio, o clima começa a esfriar na cidade das flores, dificultando o uso dos abadás, um tipo de fantasia de pouco tecido e conseqüentemente, fica desaconselhado para a época de frio. Os meses de março e abril são, realmente, mais indicados para a realização da Garanheta.

Agora, por meio de decreto, como ocorreu este ano, é lasca. E o empresário Alberto Cândido tem razão de sobra para protestar e criticar. Só não devia ter retirado o seu bloco da presente Garanheta que ficou mais pobre e com menos grupos para concorrer com "O Bicho", grande líder em termos de número de foliões. Mesmo sendo, anualmente, a grande atração, a banda baiana "Chiclete Com Banana" já poderia ter outros grandes concorrentes, a exemplo de Ara Ketu, a própria Ivete Sangalo, Luiz Caldas (meio desaparecido) e uma banda nova da Bahia que "estourou" este ano no Carnaval de Salvador e que se não me engano o nome é "Rapazzola". Os baianos são muito inteligentes para ganhar dinheiro, mas poderiam ser aproveitadas também bandas do Recife e de outras cidades.

Não me interessa quem ganha o "bolão" da Garanheta. Mas acho que todos saem ganhando: os hotéis, restaurantes, o comércio em geral, os ambulantes e, principalmente, a população de Garanhuns tão carente de diversão popular. Já não temos mais Carnaval, São João e os festejos de fim de ano já não são como antigamente. Valeu a iniciativa dos outrora jovens que realizaram, há 15 anos, o nosso carnaval fora de época, criado inicialmente como o nome de Micareta. Valeu também o apoio do prefeito da época, Ivo Amaral, bem como dos outros edis que passaram pelo Palácio Celso Galvão e valeu, principalmente, o apoio do povo de Garanhuns, que em sua maioria apóia a iniciativa e a imprensa livre e soberana da Terra do Magano que divulga tudo o que diz respeito a Garanheta.

UMA SAUDADE: Este mês de março, mais precisamente no próximo dia 23, completa 15 anos que Garanhuns perdeu o seu radioamador, jornalista, historiador, maçom e fundador de clubes, o servidor público e homem do povo Jayme de Oliveira Luna ou simplesmente Jayme Luna. Quem privou da sua amizade sabia quanto ele era grande, apesar da sua pequena estatura. Revolucionário de 1930, homem tradicionalmente de esquerda, fundou e dirigiu jornais independentes em Garanhuns, como "O Combate", entre outros. Jayme Luna é ainda hoje um orgulho para os seus companheiros, amigos e parentes. Para nós, um dos seus filhos, é a verdadeira razão de sermos 100% Garanhuns.