Garanhuns, 12 de março de 2005
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Aborto dá prejuízo de US$ 10 milhões ao Brasil

O Brasil gasta por ano cerca de US$ 10 milhões no atendimento das complicações do aborto inseguro, revelou um dossiê da Rede Feminista de Saúde, entidade que reúne mais de 200 organizações de mulheres. O documento será entregue à comissão tripartite da Câmara Federal, que discutirá o projeto de descriminalização do aborto no país.

No dossiê foram acompanhados casos de mulheres que praticaram aborto ou sofreram abortos espontâneos e que passaram por curetagens em hospitais públicos, entre 1999 e 2002. Também foram mapeadas as mortes por abortamentos. No Brasil, o aborto é a quarta causa de mortalidade materna.

Elaborado a partir de consulta no DataSus (Departamento de Informática do Sistema Único de saúde), o documeno mostra que, anualmente, são feitas cerca de 238 mil internações por aborto na rede pública de saúde, a um custo médio unitário de R$ 125, totalizando R$ 29,7 milhões.

As maiores taxas de curetagens estão no Nordeste (5,5 a cada 1.000 mulheres), no Norte (4,48) e no Sudeste (4,13). A menor taxa está no Sul (2,65). Não estão computados os atendimentos realizados na rede privada.

UNANIMIDADE - Há uma unanimidade entre os pesquisadores de que tanto o número de abortos oficialmente registrados como os gastos com esses procedimentos estão muito aquém da realidade.

O Instituto Alan Guttmacher - instituição norte-americana que realiza pesquisas sobre saúde sexual e reprodutiva - estima que apenas uma em cada cinco mulheres procure o hospital. As projeções dão conta de que casos de abortos clandestinos ultrapassem 1 milhão por ano no Brasil.

Os casos que chegam aos hospitais são, em geral, referentes a complicações. "Mulheres pobres que estão com hemorragia intensa ou infecção", descreve o médico Aníbal Faúndes, professor da Unicamp.

Segundo ele, medicamentos como o Cytotec, cuja venda é proibida no Brasil, ajudaram a diminuir as complicações por aborto. No mercado negro, um comprimido de Cytotec chega a custar R$ 100, segundo o dossiê.

Os gastos públicos com o aborto também estão subdimensionados porque não são computados os custos com internações prolongadas ou com as mulheres que necessitaram de UTI.

Na avaliação de Fátima de Oliveira, secretária-executiva da Rede Feminista de Saúde, a legalização do aborto seguro, além de poder salvar mais vidas, representará, do ponto de vista econômico, uma economia para o país.

Fonte: Folha de São Paulo On-line