Garanhuns, 26 de fevereiro de 2005
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A Pecuária do Agreste está sem Remédio:
(Um depoimento traumático)

Em 9 de maio de 2003, sugeri ao Secretário Guilherme Robalinho a fabricação de Produtos Veterinários, visto que como Pecuarista, utilizo os Medicamentos da Linha Humana do LAFEPE, no tratamento de bezerros e ovelhas, principalmente: Analgésicos, Antibióticos, Vermífugos e Antianêmicos, com uma redução de até 70% nos preços de compra. O Secretário no dia três de junho divulga pelo Jornal do Comercio que o LAFEPE entraria na Linha de Medicamentos Veterinários. Tendo me convocado para participar das reuniões iniciais, pois éramos conhecidos desde os tempos do Colégio Osvaldo Cruz do Recife, quando cursávamos o Científico.

Depois Dr.José Maria de Azevedo, em nome da Sociedade dos Criadores do Agreste, reforçou o pedido, pois também tinha sido colega de Robalinho.

Como Economista e conhecedor do Setor Primário do Nordeste, fui convidado para colaborar no Projeto de Viabilidade, ficando responsável pela pesquisa entre os Produtores Rurais tendo sido feitas 150 amostras e 15 nas Farmácias Veterinárias, trabalho que só teve início em janeiro e finalizando em maio de 2004.

Impossibilitado de utilizar a área do Complexo de Dois Irmãos, a equipe do LAFEPE, sugeriu a construção de uma Unidade no "Futuro" Pólo Farmacêutico do Município de Goiana, o que implicaria num retardamento, levando o início da fabricação para depois do Governo atual e com grande prejuízo para a Pecuária de Pernambuco.O Projeto ficou parado nas gavetas dos tecnocratas, apesar de ter sugerido que a fabricação poderia ser feita em um dos sete Laboratórios do nosso Estado que trabalhavam com dificuldade. Em 14 de outubro, comuniquei através de ofício que a decisão cavilosa, seria contornada com a utilização de Laboratórios Terceirizados ou Arrendados. Infelizmente apesar de ter insistido pessoalmente não fui recebido para expor minha idéia.

Sendo Produtor de Leite desde 1958, sinto-me constrangido com a paralisação do Projeto, pois nossa Classe continuará a se submeter aos preços extorsivos dos Laboratórios Privados.

Como Economista que participava da elaboração do Projeto, sinto-me frustrado pela paralisação, não pelas verbas gastas, mas pela perda das informações de grande utilidade para o Setor Primário do Estado.

Desejando o sucesso do Dr. Jarbas Vasconcelos, estou perplexo, com a decisão de um Órgão do Estado que está adiando para o "Próximo Governo" uma realização esperada com ansiedade pelos Pecuaristas de Pernambuco, que continuarão a solicitar esse benefício.

Pernambuco que já foi o líder da Pecuária no Nordeste, hoje ocupa um pálido 5º lugar, atrás da Bahia, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Norte.

Os motivos são do conhecimento de toda classe, que infelizmente hoje está agregando mais um.
1-A urbanização da Secretaria de Agricultura a partir de 1980.
2-A grande crise do Complexo Cilpe / Gisa de 1985 a 1987.
3-O recuo da comercialização do Leite Pasteurizado na Região Metropolitana do Recife, considerado o menor consumo do Brasil de 1988 a 1990.
4-A venda dos Postos de Resfriamento da Cilpe para a Parmalat, contrariando a opinião dos Produtores que desejavam assumir as administrações. Resultando no fechamento de todas as Unidades de Coleta e entrega principalmente a intermediários.
5-A ampliação da Parmalat, com incentivos fiscais, para a produção do Leite UHT, (Longa Vida) produto que menos remunera ao Pecuarista.

Hoje quando o Governo incentiva o Programa Leite de Pernambuco / Fome Zero, e orienta a utilização de vermífugos e sais minerais para os Ovinos e Caprinos do Agreste e Sertão, a paralisação do Projeto do LAFEPE para produção de Medicamentos Veterinários é o sexto entrave para a Pecuária Pernambucana.

Para infelicidade dos Pecuaristas Profissionais que vão ter de gastar mais para adquirir os Medicamentos Veterinários e para a felicidade dos opositores do Dr. Jarbas Vasconcelos, vejo que este fato se concretizou na vitória de alguns tecnocratas que habitam nossas repartições.

Não será estranho se minha sugestão venha a aparecer como uma das metas na plataforma de um dos candidatos ao futuro Governo de Pernambuco. Os chamados "vampiros de idéias" estão permanentemente de plantão nas nossas Repartições Públicas.