Garanhuns, 26 de fevereiro de 2005
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CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


"Jesus Alegria dos Homens" - 15 Anos de Arte a Serviço da Fé

O espetáculo Jesus Alegria dos Homens está completando 15 Anos de uma Grande Paixão, neste 2005. A Paixão de Cristo de Garanhuns reunirá mais uma vez, no período da Semana Santa, o seu grande elenco para comemorar a data, promovendo a encenação da Paixão, Morte e Ressurreição do Cristo, no alto do Magano. O diretor, ator e co-autor da peça, Gerson Lima, concedeu entrevista a nossa coluna, falando dessa história de arte e cultura e dos preparativos para a temporada deste ano.


CJ: O que representa ao longo desses 15 anos, o espetáculo Jesus Alegria dos Homens?

GL: Um evento que ao longo desse tempo vem marcando o Calendário Cultural e o Momento Sagrado para o mundo cristão em Garanhuns, que é a Semana Santa. Isto, bem antes da construção e valorização dos nossos santuários. Acho que é uma forma artística de expressar a fé do nosso povo e que encontrou na população, apoio e admiração, pela seriedade como sempre foi tratado o assunto.


CJ: Que diferenciais você traça dos primeiros espetáculos para os atuais?

GL: Você também estava lá... Sabe das dificuldades e lembra que éramos apenas dezoito pessoas com a ousadia de levar o público para assistir uma peça dentro de um matagal. Fomos taxados de loucos, secretários de governo, na época, riram da ousadia. Mas, provamos para todos, que aquilo que queremos construir para os outros, construimos primeiro dentro de nós... O resultado é um evento consolidado, graças a muita persistência e personalidade.


CJ: Como está o espetáculo hoje?

GL: Considero a peça, tentando nivelar-se à tecnologia atual. As antigas fitas cassetes foram substituídas pelos computadores, para a execução da trilha sonora. O elenco multiplicou-se para mais de duzentas pessoas e recebe de nós uma direção mais rigorosa sob os aspectos da arte cênica. Profissionalizamos a produção, conquistando parceiros; oferecemos ao público, melhores condições de conforto com a instalação de arquibancadas e grande telão. A área cenográfica recebe a cada ano melhoramentos necessários. A nossa parceria cavalheira com a direção da Água Mineral Serra Branca continua firmada na lucidez das responsabilidades mútuas. Resta agora o novo governo municipal compreender as intenções desse evento e abrir canais de investimentos mais consistentes.


CJ: Com o grande crescimento do espetáculo, que vem acontecendo a cada ano, se fez necessário fundar a ASTEJAH - Associação Teatral Jesus Alegria dos Homens. Como está composta a atual diretoria?

GL: Jefson Fitipaldi é o Presidente; a Secretaria está sob a sua responsabilidade; Fernando Lima é o Diretor de Assuntos Financeiros; Rosinaldo Salles é o Diretor de Relações Públicas e Sociais e eu estou à frente da Direção de Arte. O Conselho Fiscal está composto por Emanuel Tenório, Romildo Peixoto e Sandra Albino. Na suplência estão José Maria de Almeida, Luciano André e Douglas Barbosa.


CJ: Você escreveu o texto, dirige o espetáculo e atua. Como é lidar com isso?

GL: Tudo se torna mais fácil quando não se faz só. É claro que temos uma concepção pessoal de muita coisa no espetáculo; mas quanto a construção do texto, busquei com você mesmo parceria, ouvimos pessoas com esclarecimentos teológicos, etc. E, quando o diretor atua, parece ser mais fácil dirigir, embora o trabalho seja duplicado realmente. Mas é só uma questão de organização. Primeiro eu cuido do elenco, depois eu cuido de mim, permitindo a avaliação de outros companheiros experientes no ramo.


CJ: Falando nisso... como é interpretar Judas Iscariotes?

GL: Possivelmente este ano, estarei me despedindo desse personagem. Numa visão técnica, acho que está na hora de experimentar outras performances com novos atores. Mas é um papel nada fácil, pela concepção que se tem do personagem bíblico e sua função na história. Há dois vetores que eu acho fundamental quando interpreto: alimentar o público da carga de covardia que Judas carrega e ao mesmo tempo tentar redimi-lo pelo ato de arrepender-se. O resultado disso sempre é positivo e o público volta pra casa pelo menos um pouco mais dispensado dessa fraqueza humana que temos quando tenta submergir o Judas que existe em cada um de nós.


CJ: Quais as inovações para a temporada que vai comemorar 15 anos do espetáculo?

GL: A temporada deste ano terá um caráter bastante especial para nós e para o público. Já iniciamos os preparativos e a idéia é continuar investindo em todos os aspectos que envolve a peça. Todo o policiamento na área será reforçado, como já vem ocorrendo com eficácia a cada ano, e agora bem mais, depois das reformas no Monumento do Cristo. Arquibancadas e camarotes melhorados. Estamos destinando uma área especial para feira de artesanato, sem cobrança de taxas para os artesões. Um vasto estacionamento com segurança e iluminação. A temporada será de 21 a 26 de março com os dois primeiros dias de espetáculo começando às 18 horas para atender ao público de crianças e Terceira Idade. Estamos propondo a rede particular de ensino e a Secretaria de Educação do Municipio a presença dos alunos da escola pública de maneira dirigida. Todo o elenco está submetido a ensaios intensos, iluminação melhorada, guarda roupa e adereços, telão com maior capacidade de captação de imagem, etc. E esperamos que a prefeitura faça o seu papel, dando toda a infraestrutura nos cenários e no que mais for de sua responsabilidade para realizarmos um grande acontecimento. Diante disso, a produção da peça já convoca seus antigos e novos parceiros para veicular seus produtos para um público que este ano deve ultrapassar as vinte mil pessoas.


CJ: A quem você dedicaria esses 15 anos de espetáculo?

GL: Todos os anos procuramos homenagear pessoas que colaboram com o espetáculo, mas esse ano resolvemos dedicar a temporada aos artistas anônimos da peça, ou seja, serão homenageados os figurantes. Essa gente simples que foi chegando aos poucos e hoje multiplica-se ao ponto da produção manter o controle por conta de gastos, mas que trabalha com amor, dedicação e mantém acesa, pelo espetáculo, uma chama de paixão. Agora, somos nós, artistas profissionais que levantamos aplausos!



Nota (talvez) dispensável

Quem acompanha regularmente esta coluna e, principalmente, quem me conhece bem, sabe da minha preocupação em preservar as normas da língua portuguesa. Na edição anterior, saiu um verbo que deveria estar no infinitivo, e infelizmente foi flexionado errado. Erros acontecem em qualquer jornal, até porque revisão é coisa muita séria, mas não há quem não cometa falhas, não é verdade? Portanto, fica aqui a minha retificação, certo de que os caros leitores entenderão o porquê desta minha nota.