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A Praga de Pedro Monte
Pedro Jorge Valença
Nascendo na Serra da Mantiqueira o Rio São Francisco, de
um pequeno córrego se transforma no Rio da Integração
Nacional, beneficiando com suas águas as terras de Minas
Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Delmiro Gouveia em 1914 colocou uma roda d'água gerando
energia para sua Fábrica de Linha de Costura. Depois foi
assassinado cujos motivos ainda são controvertidos.
Entre 1925 / 27, um Engenheiro pensou na transposição
do Rio Tocantins para o São Francisco, através do
seu afluente Rio Preto. Não ouve protesto, pois a idealizador
era também Capitão do Exercito e negocio com ele era
na "bala". Seu nome: Luiz Carlos Prestes..
A idéia de Delmiro Gouveia resultou na Hidroelétrica
de Paulo Afonso (1954) e ninguém reclamou, pois luz de candeeiro
de querosene é chato e suja as paredes.
Agamenon Magalhães sertanejo que sabia o que era seca, planejou
fazer um canal que saindo de Petrolina passaria pelas as nascentes
dos Riachos do Pontal, das Garças, de São Pedro e
dos Rios Pajeú e Moxotó, de onde retornaria para o
São Francisco.O projeto era ousado, pois o canal seria navegável
e cobriria totalmente à parte Sul do Sertão, praticamente
metade daquela Região. Os estudos foram feitos e apesar de
retirar um grande volume de água da parte do Rio São
Francisco que fica entre Petrolina e Petrolandia não ouve
nenhuma reclamação. A Bahia que seria prejudicada
com a redução, não se pronunciou. Talvez porque
Antônio Carlos ainda não atuava e Agamenon Magalhães
governava com braço forte, mas com a sua morte o projeto
não se concretizou.
Um Projeto do Dr. Eudes de Souza Leão para construir uma
grande Barragem junto de Petrolina se arrastava nas gavetas da burocracia,
foi quando Dr. Nilo Coelho convidou os membros da Escola Superior
de Guerra para conhecer a Região e a construção
praticamente foi confirmada em uma reunião na Codeam, uma
semana depois.
Os tecnocratas conseguiram atrapalhar, alegando a criação
de um "mar interior" que modificaria o clima do Sertão,
provocando grandes temporais. A Barragem foi feita numa cota inferior,
mesmo assim é a maior do Mundo, com um volume de água
de 34 milhões de metros cúbicos.Represando suas águas
até a Cidade de Xique Xique à 400 quilômetros
de distancia. Praticamente uma viagem Garanhuns Recife ida e volta.
Pernambuco é que deveria reclamar, pois a Bacia da Barragem
de Sobradinho fica exatamente na área que no passado pertencia
ao nosso Estado e surrupiada pela Bahia.
Depois foi feita a Barragem de Itaparica, que invadiu as margens,
resultando na indenização dos terrenos, com a construção
de várias granjas para criação se aves e suínos;
enquanto não apresentavam rendas os indenizados recebiam
um salário pago pela Chesf. Só que essa pessoal esta
lutando para que o "bônus" seja vitalício.
Na Construção da Barragem de Xingo não houve
briga, pois a represa ficava entre desfiladeiros e não prejudicava
os habitantes das margens, constituídos principalmente por
urubus e gaviões.
Hoje com a transposição do Rio São Francisco
a briga é grande, pois os antigos radicais do PT, que nunca
sofreram as calamidades da seca e os políticos que temem
a ascensão de Ciro Gomes lutam com argumentos sem qualquer
consistência.
Uma cambada de Tecnocrata se apega à restauração
das margens do Rio, que é justa, mas esconde que isso é
a primeira parte da Transposição.
Os ribeirinhos de Alagoas e Sergipe reclamam que vai faltar água,
sabendo que só 2% do volume do Rio São Francisco será
retirado.
Todas os Municípios dos Sertões de Alagoas e Sergipe
recebem água do rio e se não bastasse ate a Capital
de Aracaju é também beneficiada, apesar de está
situada entre dois grandes rios o Vaza Barris e o Sergipe.
Todos estão chorando com as barrigas cheias d'água,
o resto é agitação e falta do que fazer.
Para acalmar essa laia de ímpios que desejam aparecer azucrinando
a vida do Presidente, vou relatar um fato que ocorreu em São
Pedro de Garanhuns, exatamente na Fazenda Mocós, de propriedade
de José Ferreira Sobrinho, onde existia um pequeno açude,
cercado de Baraúnas e Juazeiros, que a população
se abastecia de água para beber.
Como as outras fontes do Distrito secaram houve uma corrida para
o "Açude das Baraúnas" que baixava dia a
dia. Seu José vendo a bebida do seu gado ameaçada,
não teve dúvida, entrou na água e ficou tomando
banho na hora de maior procura. Todos voltaram de potes vazios e
a reclamação foi geral. Pedro Monte, figura folclórica
não deixou por menos e rogou sua praga:
- O Zé Lobisomem (Seu José tinha os pés ligeiramente
para dentro.) tomou banho nu no açude da gente beber água,
mas:
- Tomara que dê uma seca de lascar Bom Nome (1) que eu quero
ver vaca beber água!
Como eu não tenho o mesmo dom de Pedro Monte, cabe aqui
lembrar as enchentes de Cabrobo em 1962 e as de Petrolina e Juazeiro
antes da construção de Sobradinho e atualmente as
águas do estuário do São Francisco invadiram
as irrigações dos Estados de Alagoas e Sergipe causando
prejuízos consideráveis e foram grandes as reclamações.
Mesmo assim vai uma lembrança:
"Água de Morro a baixo, Fogo de Morro a cima e Mulher
quando quer Dá, ninguém segura".
Primeiro o Fogo de Moro a cima, só no Fim do Mundo, que
deve está longe, ou será que a oposição
desses hereges não seja um sinal dos tempos?
Quanto as Mulheres dando adoidado, cabe a cada um tomar conta da
sua!
Mas Água de Morro a baixo, só precisa a Barragem
de Sobradinho ser forçada a soltar mais de 28 mil metros
cúbicos de água por segundo, e vai ser enchente para
todos os lados, ai os Tecnocratas e Opositores vão para os
Jornais reclamar dizendo:
-A transposição deveria ter sido muito maior, pois
2% é insignificante, já que as sobras vão mesmo
para o mar. Aquele Governo era mesmo incompetente!.
Jarbas Vasconcelos não faz oposição, apenas
pede a prioridade na construção da Adutora do Oeste.Também
é justa a construção da Adutora do Agreste
Meridional, proposta apresentada por Ivo Amaral para a Secretaria
de Planejamento.
Em tempo: o anteprojeto foi elaborado pelo signatário, que
também era Secretário da Codeam, quando da reunião
em Garanhuns da Escola Superior de Guerra em 1970.
(1) o Bom Nome é uma madeira que não
se consegue rachar até com machado.
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