Garanhuns, 12 de fevereiro de 2005
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OPINIÃO
 

A Praga de Pedro Monte

Pedro Jorge Valença


Nascendo na Serra da Mantiqueira o Rio São Francisco, de um pequeno córrego se transforma no Rio da Integração Nacional, beneficiando com suas águas as terras de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Delmiro Gouveia em 1914 colocou uma roda d'água gerando energia para sua Fábrica de Linha de Costura. Depois foi assassinado cujos motivos ainda são controvertidos.

Entre 1925 / 27, um Engenheiro pensou na transposição do Rio Tocantins para o São Francisco, através do seu afluente Rio Preto. Não ouve protesto, pois a idealizador era também Capitão do Exercito e negocio com ele era na "bala". Seu nome: Luiz Carlos Prestes..

A idéia de Delmiro Gouveia resultou na Hidroelétrica de Paulo Afonso (1954) e ninguém reclamou, pois luz de candeeiro de querosene é chato e suja as paredes.

Agamenon Magalhães sertanejo que sabia o que era seca, planejou fazer um canal que saindo de Petrolina passaria pelas as nascentes dos Riachos do Pontal, das Garças, de São Pedro e dos Rios Pajeú e Moxotó, de onde retornaria para o São Francisco.O projeto era ousado, pois o canal seria navegável e cobriria totalmente à parte Sul do Sertão, praticamente metade daquela Região. Os estudos foram feitos e apesar de retirar um grande volume de água da parte do Rio São Francisco que fica entre Petrolina e Petrolandia não ouve nenhuma reclamação. A Bahia que seria prejudicada com a redução, não se pronunciou. Talvez porque Antônio Carlos ainda não atuava e Agamenon Magalhães governava com braço forte, mas com a sua morte o projeto não se concretizou.

Um Projeto do Dr. Eudes de Souza Leão para construir uma grande Barragem junto de Petrolina se arrastava nas gavetas da burocracia, foi quando Dr. Nilo Coelho convidou os membros da Escola Superior de Guerra para conhecer a Região e a construção praticamente foi confirmada em uma reunião na Codeam, uma semana depois.

Os tecnocratas conseguiram atrapalhar, alegando a criação de um "mar interior" que modificaria o clima do Sertão, provocando grandes temporais. A Barragem foi feita numa cota inferior, mesmo assim é a maior do Mundo, com um volume de água de 34 milhões de metros cúbicos.Represando suas águas até a Cidade de Xique Xique à 400 quilômetros de distancia. Praticamente uma viagem Garanhuns Recife ida e volta.

Pernambuco é que deveria reclamar, pois a Bacia da Barragem de Sobradinho fica exatamente na área que no passado pertencia ao nosso Estado e surrupiada pela Bahia.

Depois foi feita a Barragem de Itaparica, que invadiu as margens, resultando na indenização dos terrenos, com a construção de várias granjas para criação se aves e suínos; enquanto não apresentavam rendas os indenizados recebiam um salário pago pela Chesf. Só que essa pessoal esta lutando para que o "bônus" seja vitalício.

Na Construção da Barragem de Xingo não houve briga, pois a represa ficava entre desfiladeiros e não prejudicava os habitantes das margens, constituídos principalmente por urubus e gaviões.
Hoje com a transposição do Rio São Francisco a briga é grande, pois os antigos radicais do PT, que nunca sofreram as calamidades da seca e os políticos que temem a ascensão de Ciro Gomes lutam com argumentos sem qualquer consistência.

Uma cambada de Tecnocrata se apega à restauração das margens do Rio, que é justa, mas esconde que isso é a primeira parte da Transposição.

Os ribeirinhos de Alagoas e Sergipe reclamam que vai faltar água, sabendo que só 2% do volume do Rio São Francisco será retirado.

Todas os Municípios dos Sertões de Alagoas e Sergipe recebem água do rio e se não bastasse ate a Capital de Aracaju é também beneficiada, apesar de está situada entre dois grandes rios o Vaza Barris e o Sergipe.

Todos estão chorando com as barrigas cheias d'água, o resto é agitação e falta do que fazer.

Para acalmar essa laia de ímpios que desejam aparecer azucrinando a vida do Presidente, vou relatar um fato que ocorreu em São Pedro de Garanhuns, exatamente na Fazenda Mocós, de propriedade de José Ferreira Sobrinho, onde existia um pequeno açude, cercado de Baraúnas e Juazeiros, que a população se abastecia de água para beber.

Como as outras fontes do Distrito secaram houve uma corrida para o "Açude das Baraúnas" que baixava dia a dia. Seu José vendo a bebida do seu gado ameaçada, não teve dúvida, entrou na água e ficou tomando banho na hora de maior procura. Todos voltaram de potes vazios e a reclamação foi geral. Pedro Monte, figura folclórica não deixou por menos e rogou sua praga:

- O Zé Lobisomem (Seu José tinha os pés ligeiramente para dentro.) tomou banho nu no açude da gente beber água, mas:

- Tomara que dê uma seca de lascar Bom Nome (1) que eu quero ver vaca beber água!

Como eu não tenho o mesmo dom de Pedro Monte, cabe aqui lembrar as enchentes de Cabrobo em 1962 e as de Petrolina e Juazeiro antes da construção de Sobradinho e atualmente as águas do estuário do São Francisco invadiram as irrigações dos Estados de Alagoas e Sergipe causando prejuízos consideráveis e foram grandes as reclamações.

Mesmo assim vai uma lembrança:

"Água de Morro a baixo, Fogo de Morro a cima e Mulher quando quer Dá, ninguém segura".

Primeiro o Fogo de Moro a cima, só no Fim do Mundo, que deve está longe, ou será que a oposição desses hereges não seja um sinal dos tempos?

Quanto as Mulheres dando adoidado, cabe a cada um tomar conta da sua!

Mas Água de Morro a baixo, só precisa a Barragem de Sobradinho ser forçada a soltar mais de 28 mil metros cúbicos de água por segundo, e vai ser enchente para todos os lados, ai os Tecnocratas e Opositores vão para os Jornais reclamar dizendo:

-A transposição deveria ter sido muito maior, pois 2% é insignificante, já que as sobras vão mesmo para o mar. Aquele Governo era mesmo incompetente!.

Jarbas Vasconcelos não faz oposição, apenas pede a prioridade na construção da Adutora do Oeste.Também é justa a construção da Adutora do Agreste Meridional, proposta apresentada por Ivo Amaral para a Secretaria de Planejamento.

Em tempo: o anteprojeto foi elaborado pelo signatário, que também era Secretário da Codeam, quando da reunião em Garanhuns da Escola Superior de Guerra em 1970.

(1) o Bom Nome é uma madeira que não se consegue rachar até com machado.