Garanhuns, 12 de fevereiro de 2005
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Raulzito o Carnaval e o Big Brother

Desde outubro do ano passado que Raulzito não escreve para o Correio. Intrigados, alguns leitores têm notado sua ausência e perguntam o que aconteceu com o irreverente colunista. São telefonemas, e-mails, fax e perguntas diretas ao editor: "Cadê o Raul"?, perguntam insistentemente.

Raulzinho, pra quem não sabe ainda, está reunindo suas crônicas para publicar um livro, o que deve acontecer até o Festival de Inverno de julho. Será um lançamento apoteótico, com as bênçãos da Diretoria de Cultura do município, da Academia de Letras, da Associação de Imprensa e do Clube dos Cachaceiros da Vila do Quartel. Dizem que até o prefeito Luiz Carlos, que parece gostar mais de livros do que Sirvino, irá prestigiar a festa literária.

Mas como quem escreve contrai uma espécie de doença, um vírus, sei lá o que, Raulzito não conseguiu resistir e este ano já elaborou duas colunas: uma, em janeiro, falava (mal?) do secretariado de Luiz e terminou sendo censurada pelo editor, que não quer briga com o novo governo (o colunista, no entanto, promete incluir o texto censurado no livro, aguardem) e a outra vai publicada a seguir, para deleite dos quatro ou cinco malucos que são fãs do colaborador.

"A verdade é que eu queria escrever sobre o Carnaval, essa festa tão gostosa que todo ano sacode as ladeiras de Olinda, Salvador, as ruas do Recife, do Rio de Janeiro e da pequena São João, aqui no Agreste. Em Garanhuns, ao que parece, a festa não levanta vivo nem morto, fica mais ou menos tudo a mesma coisa. Também, pudera, os ricos ou metidos a rico da terrinha saem em bandos pra Tamandaré, São José, Maceió ou Recife. Os quase pobres procuram um sítio, uma cidade vizinha ou brincam o Carnaval em São João, viajando de Caravan ou de Besta. E os muito fodidos ficam em casa mesmo, assistindo Gugu ou Faustão, ficando lambuzados de burrice e indiferentes ao cemitério que os cerca durante quatro dias.

"Como estou na classe dos caroneiros, fui com a Viviane para a casa de praia de uma amiga lá em Tamandaré. Lá encontrei tanta gente de Garanhuns e Caruaru que tomei um susto. Imaginei que está havendo um complô de Tony Gel e Luiz Carlos para se apossar do ex-distrito de Rio Formoso. Se for assim ali vai terminar tendo uma guerra, como nas Malvinas, quando os argentinos se lascaram e nem precisaram do Maradona tomando pico ou fazendo gol de mão.

"É capaz de qualquer dia desses um garanhuense querer se candidatar a alguma coisa em Tamandaré, e se conseguir transferir muitos votos desse povo daqui que tem casa de praia lá tem sérias chances de vencer. Quem sabe não seria uma boa pra Sirvino? Já pensou, ele prefeito de Tamandaré, fazendo praça e botando pedra portuguesa na praia?

Mas é capaz dele não querer isso. Afinal, já está muito bem empregado no Lafepe e ainda tem uma meia dúzia de parentes no gabinete de Aurora, a deputada revelação de Garanhuns, que está discursando cada vez melhor. Então quem pode tentar é o Bartolomeu, quem sabe por lá ele vence, pois por aqui só faz perder toda vez e ninguém agüenta mais. Pelo menos dizem que lá não tem traíra, é tudo tubarão.

Perdoem se estou fugindo do assunto. O tema da coluna é o Carnaval e o Big Brother e lá estou eu a tergivesar (aí, Teles!) sobre esses políticos. Fiquemos em paz, deixemos eles pra lá. E como posso falar a respeito da festa (ou da falta dela) em Garanhuns se estava longe?

Ora, durante os dias de Momo (que peste é isso?) fiz algumas ligações pelo celular de um amigo e assim que cheguei conversei com alguns abnegados que conseguiram ficar na cidade. E assim dá pra saber que a terrinha estava tão animada quanto o reduto de São Miguel, a não ser por uma zoada feita através de carro de som no no bairro do Magano.

Imagine vocês que até os noticiários, que todo dia informam mais ou menos as mesmas coisas saíram do ar. E aí o povo não pôde saber o que pensa o Sargento Carvalho, o Gundes, o Adolfo, o Sivaldo, o advogado Vasconcelos, o promotor Alexandre, o secretário Ivan sabe tudo, o gerente do INSS e o diretor do Ciretran.

A felicidade é que o Santa jogou na quarta-feira de cinzas contra o grito do Ipiranga e o Lenildo pôde falar da estupenda vitória tricolor por 1 a 0, na quinta. Melhor que Carnaval é a cobrinha do Arruda estar há 10 anos sem poder frevar depois de uma conquista. Na quinta ainda teve um clássico, quando os meninos do Náutico tremeram diante dos vovôs do Sport. Mas também só foi 1 a 0 porque a trave e o juiz ajudaram o timinho dos Aflitos.

Bem, como não teve Carnaval e já estou entrando até na área do futebol, é melhor dizer alguma coisa sobre o Big Brother, logo. O fato é que tenho um complexo de intelectualidade e não consigo apreciar esse programa global. Vi alguma coisa do primeiro, rejeitei o segundo, detestei o terceiro e sou indiferente ao quarto, embora aceitasse participar do quinto se tivesse a certeza de ganhar um milhão de reais.

Pelo pouco que vi dos Big (tô danado pra comentar o que não vi, tão vendo?) a Globo só aceita colocar naquela casa homens e mulheres mais ou menos retardados. Tinha um tal de Moisés, de Porto de Galinhas, que nem de longe parecia o que separou o mar vermelho; noutra edição apareceu um tal de Bam Bam, completamente abestalhado e que à semelhança dos outros teve um sucesso efêmero (viu como estou escrevendo chique?) e neste último, no único dia que assisti, um médico urrava feito um artista ao saudar sua torcida, sua família, seus milhares de debilóides fãs. Pensei comigo: Meu Deus, esse cara fez mesmo uma faculdade de medicina? Quem será o cristão capaz de confiar nesse medíocre como médico? (Se decidir botar um consultório em Garanhuns vai enricar, na certa). O cara foi expulso da casa e mesmo assim fazia questão de sorrir como um imbecil, enquanto o seu rival, que venceu a disputa, fazia cara de bebê chorão. E toda essa palhaçada abençoada por 40 milhões de telefonemas, gente disposta a dar dinheiro a uma das teles e a globo para legitimar o culto à cretinice.

E o Pedro Bial, hein? Como é que fica a cabeça de um cara desses, um jornalista, ter de se submeter a esse circo? Será só pela vaidade ou pelo dinheiro? Sei lá, de todo modo é a mesma pessoa que escreveu a biografia de Roberto Marinho transformando o criador da Rede Globo num santo.

Sinceramente, sou mais o Carnaval com seus papangus, os bonecos de Olinda, as escolas de samba do Rio, os blocos do Recife, a cachaça de São João e mesmo o aché music da Bahia. Há mais inteligência e criatividade.

O Big Brother, na minha opinião, só valeria a pena se na próxima edição colocassem na casa um monte de políticos. O Lula com seu aviãozinho, Jarbas com aquela simpatia que Deus lhe deu, Sirvino, Orora e todos os parentes, Bartolomeu Quichute e Rosa Quidute, Luiz Carlos do Jardim das Oliveiras e todo seu secretariado, João Paulo III e até o Nenen. Quem sabe todos eles juntos, durante meses, melhorariam um pouco a cabeça e deixariam de lascar tanto o masoquista povo brasileiro.

Já estou com saudade do Carnaval. Pra poder ficar longe de tudo, inclusive da televisão. Imaginem vocês que a Viviane gosta do Big Brother e fica até torcendo por quem vai ganhar o milhão. Como mais da metade dos brasileiros. Eu agüento tudo da minha amada, mas juro que em determinados instantes sinto vontade de mandá-la pra um paredão de verdade. Ela e um monte de debilóides que fazem da vida um circo. É por essas e outras que existem esses políticos. É tão fácil iludir o povo, não é mesmo?