Garanhuns, 12 de fevereiro de 2005
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Cuidados com os cabelos

Dra. Ana Cristina


Estima-se que o couro cabeludo tem cerca de cem a cento e ciquenta mil fios de cabelo, que o crescimento dos mesmos se faz em torno dez milímetros por mês, e que há uma queda normal de 60 a 100 fios por dia. O ciclo evolutivo dos cabelos ocorre em três fases: 1) Anagênese, ou fase de crescimento, a qual dura de dois a três anos, no homem, e de seis a oito anos na mulher; 2) Catagênese, na qual há uma parada do crescimento, e se processa em torno de três semanas; 3) Telogênese, ou fase de repouso, que dura de três a seis meses, com a queda final do pêlo Telogênico, enquanto um novo pêlo anagênico se inicia.

Dentre as afecções que acometem os cabelos, a causa mais comum de procura ao dermatologista é sem dúvida a queda de cabelos. Bastante freqüente, o eflúvio telogênico, é uma queda exagerada e rápida de pelos, que ocorre dois a quatro meses após um estímulo que faz com que a fase anagênica passe, precocemente, às fases catagênica e telogênica; o fato ocorre pós-parto, pós-febre, pós-estresse e emocional; pós-infecções; com o uso de certos medicamentos; ou doenças sistêmicas graves. O outro tipo de queda de cabelos pode ser observada após tratamentos quimioterápicos (para tratar certo tipos de cânceres). A alopécia androgênica (calvície), é sem dúvida problema freqüente, acometendo ambos os sexos (com aspecto clínico e intensidade diferentes), é determinada por três fatores; etário, genético e hormonal.

Outras formas de alopécia merecem ser citadas: tricotilomania (ato compulsivo de arrancar os cabelos); alopécia traumática (observada, por exemplo, naquelas mulheres que prendem os cabelos, puxando-os para trás ou que se utilizam com freqüência, de métodos traumáticos para alisá-los); e a alopécia por pressão, caracterizada pela queda de cabelos na parte posterior, em bebês que ficam deitados por longo tempo ou até mesmo em adultos acamados.

O aumento do fluxo sebáceo (seborréia) no couro cabeludo pode levar ao surgimento de descamação (caspas), vermelhidão e coceira, além de poder tornar os cabelos oleosos.

As micoses (infecções por fungos) também podem se instalar no couro cabeludo (principalmente de crianças) e prejudicar os cabelos.

Outras infecções (bacterianas por exemplo), malformações dos cabelos e outros tipos de alopécia podem ser citados.

Podemos afirmar que os cabelos são a moldura do rosto. Principalmente para as mulheres, apresentam uma importância fundamental na construção de um padrão ideal de beleza. Por isso diferente cortes, tinturas, reflexos, alisamentos são por quase todas uilizados. Sem contar as agressões diárias que sofrem, por meio de agentes externos como, o sol, o vento, poeira.

Os cuidados com os cabelos devem ser diários começando com a limpeza dos mesmos, lavando-os com freqüência (não é verdade que a lavagem pode estragá-los ou aumentar a queda), evitando-se ou diminuindo-se a seborréia, por exemplo. O uso de xampus adequados, cremes condicionadores, pode ajudar a manter os cabelos mais bonitos (cuidado com o excesso de cremes). Hidratações freqüentes podem ser feitas; úteis principalmente nos casos de fios secos, que sofreram ação de substâncias químicas ou de agressões físicas (como a radiação ultravioleta, por exemplo). O uso de xampus ou produtos com filtro solar é interessante na praia ou piscina.

Escovar sempre os cabelos, não mexer demais neles, tratá-los com carinho, são medidas simples e fundamentais para deixá-los mais saudáveis e bonitos.

É preciso ter cuidado com o uso de produtos caseiros ou indicados por curiosos, que podem provocar abações no couro cabeludo, como alergias e até queimaduras, ou até mesmo enfraquecer os fios, parti-los ou provocar sua queda.

Ao contrário do que se pensa, cortar com freqüência as pontas dos cabelos não acelera o crescimento, mas deixa os mesmos mais bonitos, pois essas regiões estão mais expostas aos fatores externos.

Conservar os cabelos fortes e saudáveis além de melhorar a auto-estima, contribui para a manutenção da saúde como um todo.

Essa é demais!

Outro dia, uma paciente já com seus 70 e poucos anos de idade, me interpelou, comentando:

- Doutora, estou com um problema de memória!

- Há quanto tempo? - perguntei.

Ela, surpresa, indagou:

- Há quanto tempo o quê?

Tempo
Há tempo para tudo
Tempo para sorrir
Tempo para chorar

O tempo passa e há sempre tempo
Para desistir ou recomeçar

Tempo para viver em paz
Angustiar-se ou sofrer

Há tempo que destrói o tempo
Tempo de alegria
Tempo de dor

Quando o tempo passa, envelhecemos
Mas, o tempo pára se assim queremos

Tempo de felicidade
Tempo de tristeza
Esperar o tempo
Deixar passar.

Amanhã é tempo de colher
Hoje tempo de plantar

O tempo se vai quando morremos
Não há mais tempo se deixamos de amar


Dra. Ana Cristina Monteiro é dermatologista