Garanhuns, 12 de fevereiro de 2005
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OPINIÃO
 

EDITORIAL


O País do Carnaval

Jorge Amado, um dos maiores escritores brasileiros, escreveu um livro com o mesmo título desse editorial. Do autor baiano conhecemos outras obras, a exemplo de Dona Flor, Gabriela, Tieta, Cacau, Jubiabá, Terrras do Sem Fim, Subterrâneos da Liberdade e Mar Morto. Não tivemos a oportunidade de ler "O País do Carnaval", mas imaginamos que se trata de mais um livro enaltecendo a Bahia e mostrando a força do Carnaval em Salvador e outros Estados do Brasil.

O que queremos aqui, no entanto, não é discutir literatura nem relembrar Jorge Amado. Apenas queremos fazer uma reflexão em torno da força do Carnaval no Brasil e por acaso o título do livro ficou martelando a cabeça. É impressionante como essa festa, hoje limitada - em praticamente todos os estados - a determinados centros, literalmente atrasa o início do ano no país.

Dezembro é aquela euforia, décimo terceiro, contratos provisórios de trabalho, compras, aumento da receita nos Estados e Municípios, festa, esperança. Aí entra janeiro e todo mundo bota o pé no freio. As lojas param de vender e fazem promoções, o anunciante recua, o estudante desaparece de férias, o professor se isola em casa, o político se esconde até da mídia, o jornalista tem de inventar notícia, começam os preparativos da festa no Rio, no Recife, Olinda e Salvador, Brasília se esvazia... É um faz de conta.

Depois tudo pára mesmo em fevereiro, durante quatro ou cinco dias e só após a quarta-feira de cinzas o ano começa de verdade nas terras brasileiras.

A partir de agora, o trabalho vai começar nas Câmaras Municipais, nas Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional. O recesso termina também no Judiciário e os jornais terão como conseguir notícias sem precisar da criatividade dos pauteiros. O comércio lentamente irá voltando ao normal, ajudando a indústria a produzir mais.

As aulas serão reiniciadas nas escolas públicas de primeiro e segundo graus, nas faculdades e nos centros profissionalizantes. Até a revista Veja, magrinha no primeiro mês do ano, voltará a engordar a partir de fevereiro e principalmente de março.

A festa é tão forte, a tradição é tal, que mesmo acontecendo só em alguns centros (em Pernambuco, quantas cidades promovem hoje Carnaval?) consegue paralisar o Brasil do Oiapoque ao Chuí. Durante 40 dias parcialmente, e durante quatro dias totalmente.

Incrível Carnaval, bendito Carnaval.

E para entender bem tudo isso, acreditamos que o ideal mesmo é voltar a ler o Jorge Amado do início da carreira.