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EDITORIAL
O País do Carnaval
Jorge Amado, um dos maiores escritores brasileiros, escreveu um
livro com o mesmo título desse editorial. Do autor baiano
conhecemos outras obras, a exemplo de Dona Flor, Gabriela, Tieta,
Cacau, Jubiabá, Terrras do Sem Fim, Subterrâneos da
Liberdade e Mar Morto. Não tivemos a oportunidade de ler
"O País do Carnaval", mas imaginamos que se trata
de mais um livro enaltecendo a Bahia e mostrando a força
do Carnaval em Salvador e outros Estados do Brasil.
O que queremos aqui, no entanto, não é discutir literatura
nem relembrar Jorge Amado. Apenas queremos fazer uma reflexão
em torno da força do Carnaval no Brasil e por acaso o título
do livro ficou martelando a cabeça. É impressionante
como essa festa, hoje limitada - em praticamente todos os estados
- a determinados centros, literalmente atrasa o início do
ano no país.
Dezembro é aquela euforia, décimo terceiro, contratos
provisórios de trabalho, compras, aumento da receita nos
Estados e Municípios, festa, esperança. Aí
entra janeiro e todo mundo bota o pé no freio. As lojas param
de vender e fazem promoções, o anunciante recua, o
estudante desaparece de férias, o professor se isola em casa,
o político se esconde até da mídia, o jornalista
tem de inventar notícia, começam os preparativos da
festa no Rio, no Recife, Olinda e Salvador, Brasília se esvazia...
É um faz de conta.
Depois tudo pára mesmo em fevereiro, durante quatro ou cinco
dias e só após a quarta-feira de cinzas o ano começa
de verdade nas terras brasileiras.
A partir de agora, o trabalho vai começar nas Câmaras
Municipais, nas Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional.
O recesso termina também no Judiciário e os jornais
terão como conseguir notícias sem precisar da criatividade
dos pauteiros. O comércio lentamente irá voltando
ao normal, ajudando a indústria a produzir mais.
As aulas serão reiniciadas nas escolas públicas de
primeiro e segundo graus, nas faculdades e nos centros profissionalizantes.
Até a revista Veja, magrinha no primeiro mês do ano,
voltará a engordar a partir de fevereiro e principalmente
de março.
A festa é tão forte, a tradição é
tal, que mesmo acontecendo só em alguns centros (em Pernambuco,
quantas cidades promovem hoje Carnaval?) consegue paralisar o Brasil
do Oiapoque ao Chuí. Durante 40 dias parcialmente, e durante
quatro dias totalmente.
Incrível Carnaval, bendito Carnaval.
E para entender bem tudo isso, acreditamos que o ideal mesmo é
voltar a ler o Jorge Amado do início da carreira.
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