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CORREIO CULTURAL
Carlos Janduy
Diretor de Cultura espera dá a Garanhuns o que a cidade tem,
mas nunca foi mostrado ou desenvolvido
João Marques dos Santos é natural de Garanhuns e
sempre esteve ligado aos movimentos culturais da terra de Simoa.
Costuma dizer que tem orgulho de ter sempre morado em sua cidade
natal. Estudou no Colégio Diocesano, enquanto se mantinha
na cidade, com sacrifício, pois sua família residia
na zona rural. Logo cedo, começou a freqüentar os grêmios
culturais, dedicando-se à poesia, ao conto e à crônica.
Em 1964, tornou-se funcionário do Banco do Brasil, o que
lhe garantiu ficar em definitivo na Suíça Pernambucana.
Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, fundador do jornal
O Século, que circulou durante 8 anos, poeta, compositor,
autor do Hino de Garanhuns, é desde janeiro deste ano, Diretor
de Cultura do município. João Marques tem conseguido
movimentar a literatura, organizando eventos na Academia de Letras,
como palestras e lançamento de livros de autores da terra,
da capital pernambucana e outras cidades. Como aposentado, é
dedicado exclusivamente à cultura.
Em conversa recente com João Marques, no Centro Cultural,
aproveitamos a oportunidade para entrevistá-lo. Veja a seguir
um pouco do que pensa o novo Diretor de Cultura de Garanhuns.
CJ: O que significa pra você ter
assumido a Diretoria de Cultura de Garanhuns?
JM: Significa poder trabalhar mais por Garanhuns. Considero o momento
como uma grande oportunidade de desenvolver a cultura, como um todo,
do município. Uma grande oportunidade, destas que a gente
considera única na vida.
CJ: Sabemos do seu amor e seu envolvimento
com as "coisas" de Garanhuns. O que a sociedade em geral
pode esperar do Diretor de Cultura João Marques?
JM: Pode esperar de mim um trabalho de vocação, de
amor à terra. Espero dá a garanhuns aquilo que todo
o mundo sabe que Garanhuns tem, mas nunca foi mostrado ou desenvolvido.
CJ: Com o potencial artístico-cultural
que Garanhuns tem, o que é necessário acontecer para
os seus artistas alçarem vôos maiores?
JM: Acrditarem em si, no que Garanhuns pode e no que se quer fazer,
agora, em termos de política municipal de cultura. Luiz Carlos,
o prefeito atual, quer realmente resgatar e desenvolver as nossas
condições artísticas. Ele acredita, e se acredita,
nós outros - no mínimo - devemos acreditar também.
É isto, o artista deve acreditar e participar. Uma consciência
necessária à sobrevivência grandiosa da cultura
de Garanhuns. O artista é um ser coletivo. Nunca ficar no
isolamento. Se o Festival de Inverno é uma forma de intercâmbio,
o direcionamento que o governo Municipal quer dá às
artes agora é uma integração de Garanhuns com
outros centros do país. Mas ainda é muito cedo, para
se falar em vôos...
CJ: Existe realmente a possibilidade de
ser criada a Secretaria de Cultura de Garanhuns?
JM: Existe esta possibilidade. Acredito que isto não vai
depender de Luiz Carlos apenas, mas dos artistas e intelectuais
da terra. O meu trabalho é este anseio, o de justificar o
quanto antes a necessidade da criação da Secretaria
de Cultura. Pela sensibilidade, pela competência do atual
prefeito, é possível até irmos além,
com uma Fundação de Cultura.
CJ: Quais os projetos que você já
realizou, de início, à frente da Diretoria de Cultura
e quais estão em mente ainda para este ano?
JM: Tudo começou com um projeto cultural, que Luiz Carlos
me pediu. O projeto agradou e estou investindo na função
de dirigir, para tornar realidade as idéias dessa proposta
inicial. Comecei e já no primeiro mês foi aberta, no
Centro Cultural, a Sala do Artista, e realizada uma Caminhada Poética.
Só aí, o Centro cultural atrai os artistas, como centralizador
de cultura e caminha pelas ruas da cidade, tornando-as mais bonitas,
com a poesia, com a música e com a expressão, sobretudo,
de uma cidade culta.
CJ: Para desenvolver um trabalho num cargo
como este, sabemos que é preciso uma boa equipe. Como está
montada a sua?
JM: A equipe, posso afirmar, está muito bem montada. Além
do quadro de funcionários normal, do CC, o novo prefeito
está assegurando mais funcionários para formação
de uma equipe extra. Com esta equipe, que já mostra serviço,
será possível um trabalho promissor em favor da cultura.
CJ: Não poderia de nessa oportunidade
deixar de pedir a você pra falar sobre o Grêmio Cultural
Ruber van der Linden e a Academia de Letras. Como andam essas duas
grandes referências culturais de Garanhuns?
JM: O Grêmio Cultural Ruber van der Linden era de Humberto
de Moraes. Cresceu e envelheceu com esse grande jornalista da terra.
Ajudei como me foi possível. E o Grêmio continua existindo
com a Academia. A Academia de Letras de Garanhuns não é
outra coisa, senão o Grêmio que não morre nunca.
É o Grêmio mais experiente, mais erudito, mais acadêmico.
A Academia é a Academia, com suas csaracterísticas
próprias, de um trabalho intenso, custoso, porém pouco
a pouco sendo reconhecido, se fortalecendo e conseguindo realizar
o primeiro objetivo: ser uma Academia, de verdade. Somos a única
do interior do estado, por insistência, é claro, e
pela aceitação de um grande desafio. A Academia vai
bem, mas ainda a considero em instalação, 27 anos
depois de fundada. Formar uma Academia de Letras pode ser mais difícil
do que fundar uma cidade, organizar umas olimpíadas ou falar
com o Papa (quem realmente necessita falar).
CJ: E o Hino de Garanhuns (que por sinal
acho uma obra belíssima), como é conviver com a emoção
de tê-lo composto?
JM: O Hino de Garanhuns é o meu maior poema. Não
que pudesse eu fazer um grande poema. O Hino de Garanhuns é
grande, porque tem em si a alma do povo. Não foi apenas a
Câmara Municipal que o elegeu oficial, mas os garanhuenses
têm-no aceito e exaltado Garanhuns através de suas
notas. O Hino de Garanhuns é forte, porque mal tinha um ano
de vida, teve de enfrentar 8 anos de indiferença do prefeito
que saiu. Mas outra coisa não fez esse grande amigo de Garanhuns,
senão tornar o Hino de Garanhuns mais querido do povo. Hoje,
o Hino de Garanhuns e a sua história me dão emoção
com gosto de vitória.
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