Garanhuns, 12 de fevereiro de 2005
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Diretor de Cultura espera dá a Garanhuns o que a cidade tem, mas nunca foi mostrado ou desenvolvido

João Marques dos Santos é natural de Garanhuns e sempre esteve ligado aos movimentos culturais da terra de Simoa. Costuma dizer que tem orgulho de ter sempre morado em sua cidade natal. Estudou no Colégio Diocesano, enquanto se mantinha na cidade, com sacrifício, pois sua família residia na zona rural. Logo cedo, começou a freqüentar os grêmios culturais, dedicando-se à poesia, ao conto e à crônica. Em 1964, tornou-se funcionário do Banco do Brasil, o que lhe garantiu ficar em definitivo na Suíça Pernambucana. Presidente da Academia de Letras de Garanhuns, fundador do jornal O Século, que circulou durante 8 anos, poeta, compositor, autor do Hino de Garanhuns, é desde janeiro deste ano, Diretor de Cultura do município. João Marques tem conseguido movimentar a literatura, organizando eventos na Academia de Letras, como palestras e lançamento de livros de autores da terra, da capital pernambucana e outras cidades. Como aposentado, é dedicado exclusivamente à cultura.

Em conversa recente com João Marques, no Centro Cultural, aproveitamos a oportunidade para entrevistá-lo. Veja a seguir um pouco do que pensa o novo Diretor de Cultura de Garanhuns.


CJ: O que significa pra você ter assumido a Diretoria de Cultura de Garanhuns?

JM: Significa poder trabalhar mais por Garanhuns. Considero o momento como uma grande oportunidade de desenvolver a cultura, como um todo, do município. Uma grande oportunidade, destas que a gente considera única na vida.


CJ: Sabemos do seu amor e seu envolvimento com as "coisas" de Garanhuns. O que a sociedade em geral pode esperar do Diretor de Cultura João Marques?

JM: Pode esperar de mim um trabalho de vocação, de amor à terra. Espero dá a garanhuns aquilo que todo o mundo sabe que Garanhuns tem, mas nunca foi mostrado ou desenvolvido.


CJ: Com o potencial artístico-cultural que Garanhuns tem, o que é necessário acontecer para os seus artistas alçarem vôos maiores?

JM: Acrditarem em si, no que Garanhuns pode e no que se quer fazer, agora, em termos de política municipal de cultura. Luiz Carlos, o prefeito atual, quer realmente resgatar e desenvolver as nossas condições artísticas. Ele acredita, e se acredita, nós outros - no mínimo - devemos acreditar também. É isto, o artista deve acreditar e participar. Uma consciência necessária à sobrevivência grandiosa da cultura de Garanhuns. O artista é um ser coletivo. Nunca ficar no isolamento. Se o Festival de Inverno é uma forma de intercâmbio, o direcionamento que o governo Municipal quer dá às artes agora é uma integração de Garanhuns com outros centros do país. Mas ainda é muito cedo, para se falar em vôos...


CJ: Existe realmente a possibilidade de ser criada a Secretaria de Cultura de Garanhuns?

JM: Existe esta possibilidade. Acredito que isto não vai depender de Luiz Carlos apenas, mas dos artistas e intelectuais da terra. O meu trabalho é este anseio, o de justificar o quanto antes a necessidade da criação da Secretaria de Cultura. Pela sensibilidade, pela competência do atual prefeito, é possível até irmos além, com uma Fundação de Cultura.


CJ: Quais os projetos que você já realizou, de início, à frente da Diretoria de Cultura e quais estão em mente ainda para este ano?

JM: Tudo começou com um projeto cultural, que Luiz Carlos me pediu. O projeto agradou e estou investindo na função de dirigir, para tornar realidade as idéias dessa proposta inicial. Comecei e já no primeiro mês foi aberta, no Centro Cultural, a Sala do Artista, e realizada uma Caminhada Poética. Só aí, o Centro cultural atrai os artistas, como centralizador de cultura e caminha pelas ruas da cidade, tornando-as mais bonitas, com a poesia, com a música e com a expressão, sobretudo, de uma cidade culta.


CJ: Para desenvolver um trabalho num cargo como este, sabemos que é preciso uma boa equipe. Como está montada a sua?

JM: A equipe, posso afirmar, está muito bem montada. Além do quadro de funcionários normal, do CC, o novo prefeito está assegurando mais funcionários para formação de uma equipe extra. Com esta equipe, que já mostra serviço, será possível um trabalho promissor em favor da cultura.


CJ: Não poderia de nessa oportunidade deixar de pedir a você pra falar sobre o Grêmio Cultural Ruber van der Linden e a Academia de Letras. Como andam essas duas grandes referências culturais de Garanhuns?

JM: O Grêmio Cultural Ruber van der Linden era de Humberto de Moraes. Cresceu e envelheceu com esse grande jornalista da terra. Ajudei como me foi possível. E o Grêmio continua existindo com a Academia. A Academia de Letras de Garanhuns não é outra coisa, senão o Grêmio que não morre nunca. É o Grêmio mais experiente, mais erudito, mais acadêmico.

A Academia é a Academia, com suas csaracterísticas próprias, de um trabalho intenso, custoso, porém pouco a pouco sendo reconhecido, se fortalecendo e conseguindo realizar o primeiro objetivo: ser uma Academia, de verdade. Somos a única do interior do estado, por insistência, é claro, e pela aceitação de um grande desafio. A Academia vai bem, mas ainda a considero em instalação, 27 anos depois de fundada. Formar uma Academia de Letras pode ser mais difícil do que fundar uma cidade, organizar umas olimpíadas ou falar com o Papa (quem realmente necessita falar).


CJ: E o Hino de Garanhuns (que por sinal acho uma obra belíssima), como é conviver com a emoção de tê-lo composto?

JM: O Hino de Garanhuns é o meu maior poema. Não que pudesse eu fazer um grande poema. O Hino de Garanhuns é grande, porque tem em si a alma do povo. Não foi apenas a Câmara Municipal que o elegeu oficial, mas os garanhuenses têm-no aceito e exaltado Garanhuns através de suas notas. O Hino de Garanhuns é forte, porque mal tinha um ano de vida, teve de enfrentar 8 anos de indiferença do prefeito que saiu. Mas outra coisa não fez esse grande amigo de Garanhuns, senão tornar o Hino de Garanhuns mais querido do povo. Hoje, o Hino de Garanhuns e a sua história me dão emoção com gosto de vitória.