Garanhuns, 22 de janeiro de 2005
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POLÍTICA
 

Repercute mal nomeação de parentes por Aurora Cristina

Logo depois de assumir o mandato de deputada estadual, no início de janeiro, a ex-primeira dama do município, Aurora Cristina, nomeou quatro parentes para o seu gabinete, do total de 10 funcionários a que teve direito. A notícia, dada em primeira mão pelo Jornal da Sete 2ª Edição, teve ampla repercussão na cidade e até servidores da prefeitura ligados ao ex-prefeito Silvino e sua mulher reconheceram que a prática de nepotismo pela parlamentar pegou mal no município.

"Proporcionalmente a deputada nomeou mais parentes do que Bartolomeu Quidute quando foi prefeito. Este tinha 200 cargos à disposição e indicou seis parentes para trabalhar na prefeitura. Dona Aurora com apenas 10 cargos nomeou quatro servidores com laços familiares", raciocinou um ex-assessor do prefeito Silvino, que preferiu deixar seu nome fora da história. "Muita gente ficou decepcionada", complementou o funcionário público, agora atuando no governo de Luiz Carlos de Oliveira.

Na eleição de 2002, Aurora Cristina não se elegeu e ficou com a terceira suplência da coligação PMDB / PSDB / PFL / PP. No pleito passado, dois deputados se elegeram prefeitos e renunciaram os mandatos, fazendo com que a ex-primeira dama passasse a condição de primeiro suplente. Como Raul Henry está licenciado para ser secretário de Estado, a mulher de Silvino assumiu o mandato na condição de suplente e deve ficar no cargo no mínimo um ano e três meses.

A nova representante de Garanhuns na Assembléia foi empossada pelo presidente do Legislativo Estadual, Romário Dias, no dia sete de janeiro. Até um ônibus foi colocado à disposição de correligionários e setores de imprensa para que a posse no Recife fosse registrada. No dia seguinte, o Diário Oficial do Estado publicaria o ato de número 995, com os nomes das pessoas nomeadas por Aurora.

Silvio Rolim de Andrade, estudante de Direito, filho de Silvino e Aurora Cristina, foi escolhido para o maior cargo, o de Chefe de Gabinete, com símbolo PL-CGC e gratificação de 120%, implicando num salário de R$ 4.236,31. Além deste, foram nomeados Assessores Especiais, com gratificação de 120%, as seguintes pessoas: Cristóvão Valença de Vasconcelos , namorado de uma filha da deputada; Antônio Caetano da Silva Filho, Ivonita Maria Mesquita, Ana Paula Correia Tenório e Maria de Fátima Ferreira Rolim, esta última, segundo o Jornal do Commercio, irmã da parlamentar. Os assessores especiais recebem salários de R$ 2.790,54, já incluída a gratificação.

O gabinete de Aurora ficou completo com as indicações de três secretários parlamentares: Maurício Thorpe Monteiro, Renata Maria Moraes e Maria das Graças Andrade Duarte, esta última esposa do médico Paulo Duarte, portanto cunhada da deputada. Cada um desses funcionários irá ganhar por mês R$ 1.005,26 Uma surpresa nas nomeações foi a inclusão nessa lista de assessores, através do ato número 996, do nome do ex-vereador Augusto Acioly, que na campanha passada apoiou a candidatura de Bartolomeu Quidute á prefeitura. O petebista foi nomeado com direito a um salário mensal de R$ 1.453,41. A versão que corre na cidade é que o mesmo foi premiado porque no final do ano passado votou contra a proposta de impeachment do então prefeito Silvino Andrade.

A atitude nepotista da ex-primeira dama do município foi criticada na imprensa da capital. A jornalista Ana Lúcia Andrade, que está assinando a coluna Pinga Fogo, tirando as férias de Inaldo Sampaio, escreveu uma nota condenando a nomeação de parentes. Segundo ela, a parlamentar tentou justificar as indicações através do "surrado argumento da competência".

O nepotismo foi um dos principais motes da campanha eleitoral passada. O ex-prefeito Bartolomeu Quidute foi duramente criticado nos palanques e no guia eleitoral de rádio, porque na sua passagem pela prefeitura trabalhou com irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas em cargos chaves da administração. Chegou-se até a afirmar que o ex-governante tinha mais de 30 parentes na prefeitura, embora o mesmo tenha admitido a nomeação apenas de meia dúzia de familiares.

Indiferente à polêmica, Aurora assumiu o mandato de deputada estadual em boa hora. Foi logo convocada para um período de sessões extraordinárias e recebeu, como os demais deputados, cerca de R$ 20 mil por uma semana de trabalho (cada reunião, segundo a imprensa da capital, durou em média 20 minutos). O outro representante de Garanhuns na Assembléia, Izaías Régis, também recebeu essa bagatela, recusada apenas por dois parlamentares do PT (Teresa Leitão e Roberto Leandro), que consideram esse jeton imoral. O deputado petebista, por sinal, no momento não tem nenhum parente empregado em seu gabinete.