Garanhuns, 22 de janeiro de 2005
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OPINIÃO
 

No reino dos magricelas

Rafael Brasil


Justamente quando o IBGE constatou que, diferentemente dos "cabeças" que compõem o governo federal, caminhamos inexoravelmente para sermos uma república de obesos. Muitos estrategistas e agitadores políticos detestaram o fato de termos mais ou menos quarenta milhões de obesos, contra oito milhões de magricelas. Esso sem contar que, os magricelos em questão compõem tanto os que realmente pasam fome, que não são poucos, e os que passam fome voluntariamente, fazendo regime. Dizem os cientistas mais afeitos, que a fome, ou a vontade de comer é ancestral, afinal, passamos mais de 99% da nossa existência na terra, muito curta aliás, na idade da pedra lascada, período que os historiadores chamam de paleolítico. Naquele tempo, passava-se períodos de grande fartura e abstinência alimentar. Ou seja, nos períodos de fartura, quem comia mais e engordava, evidentemente tinha mais chances de sobreviver nos tempos de comida escassa.

Até a Idade Média, comer bem era privilégio de poucos. A maioria da população, vivia de pães pretos, papas, pirões e tudo o que é porcaria. Depois da Idade Média, portugueses e espanhóis iniciaram a globalização, e plantas, sabores e temperos mil, viajaram para lugares os mais diversos. A banana veio para as américas, e a mandioca invadiu a África. As batatas a Europa. E por aí vai o processo de transculação culinária, diriam assim os antropólogos. Gostos e sabores cada vez mais atravessaram o mundo, adaptando-se a novas misturas. Com a revolução industrial e a expansão e consolidação do capital no século XX, a culinária virou uma arte, e a troca de experiências passariam a ser feitas na Internet. E com o aceleramento da globalização, surgiram osd horrorosos fast food, a gordurosa e de gosto duvidoso comida norte-americana. Comida em escala industrial. Aqui, comida e aquilo, que é horrorosa. Mas o certo é, cada vez mais tem gente comendo muito, também aqui no Brasil, contrariando as previsões governamentais que afirmaram que, pelo menos metade da nossa população passaria fome. Ao contrário. Come muito e come mal. Biscoitos, salsichas, e enlatados de toda a categoria. Ademais, a esse respeito, com a melhora relativa do poder aquisitivo da população nos últimos dez anos, o povão deixou de comer a saudável mistura de feijão com arros, para comer, preferencialmente, carnes, enlatados, de preferência com massas. A propósito, os maiores consumidores de macarrão, somos nós, nordestinos. Claro, é horrível que por essas bandas ainda exista gente passando fome. Porém, a indignação do governo com a notícia da pesquisa do IBGE, foi mais cômica ainda. O presidente chegou a chamar a pesquisa de mentirosa, como se as balanças do IBGE tivessem sido adulteradas. Aliás, creio que nem se estudou direito a pesquisa pelas bandas do planalto. Mas o certo mesmo, é que os números do governo e do PT, eram por demais furados. Estavam muito carregados de ideologia, digamos assim... Mas já que estamos num país de gordos, viva os gordos! Abaixo a magreza ditada pelos meios de comunicação. Nós gordos exigimos galãs de novelas gordos e rechonchudos, barrigudos e peitudos como nós, que somos a maioria, ora bolas! Abaixo a ditadura da magreza!

A respeito, o povão gosta mesmo é de mulheres rechonchudas, com muita carne para acariciar, ora bolas. Diz o ditado popular que quem gosta de osso é cachorro, com todo respeito aos magricelas. Que com a ajuda da mídia se acham bonitos... Ora vejam. Que vivam os peitos e as famosas e adoradas bundas pátrias!