Garanhuns, 22 de janeiro de 2005
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CULTURA
 

Vanessa da Mata lança segundo CD e fica devendo

A cantora matogrossense Vanessa da Mata, uma das boas atrações do Festival de Inverno de Garanhuns de 2003, lançou há pouco o seu segundo CD. Pra quem esperava uma evolução da artista, que estreou bem em disco no mesmo ano em que esteve por aqui, não deixa de ser um pouco decepcionante este novo trabalho. Não é que o CD seja ruim, de forma nenhuma, o disco chega a ser bom, só que inferior ao primeiro, quando a expectativa era de um avanço.

Vanessa, claro, está com a mesma bela voz que encantou os brasileiros emplacando temas de novela e interpretando músicas como "A Força que Nunca Seca", de Chico César, e "Nossa Canção", de Luiz Ayrão e conhecidíssima na voz de Roberto Carlos. As interpretações são seguras e os arranjos do disco são feitos por gente do primeiro time da MPB. As letras, a maioria da cantora, são criativas, fugindo à mesmice de certos medalhões e dos românticos que infestam a programação das rádios.

Mas sinceramente, apesar de todas essas qualidades, faltou alguma coisa. Na faixa dois, "Eu Sou Neguinha", de Caetano Veloso, a artista repete muitas vezes frases e palavras, termina por cansar e não acrescenta nada ao que já tinha feito o autor da canção. "História de uma Gata", de Chico Buarque, que inclusive foi apresentada no show de Garanhuns e foi bonito de ver, no palco, perde um pouco de força na gravação de estúdio. E com certeza a interpretação original, com Nara Leão, está melhor.

Nas outras faixas do CD, assinadas por Vanessa, algumas em parceria com Liminha, nem sempre a boa letra é acompanhada por uma melodia criativa. E a rica voz da sensual Da Mata em alguns momentos chega a ser ofuscada por uma parafernália de instrumentos. E as repetições, que nem sempre são bem-vindas em música, acontecem novamente, como se estivesse faltando mais criatividade.

A faixa que abre o disco "Ainda Bem", é uma das mais bonitas e já emplacou por aí como tema de novela global. "Ainda bem/que você vem comigo/porque, se não/como seria essa vida?/sei lá!/ Nos dias frios em que nós estamos juntos/nos abraçamos sob o nosso conforto de amar", canta docemente Vanessa.

Outro bom momento está em "Música", a faixa quatro, da mesma maneira que a primeira assinada por Liminha e Vanessa da Mata. "Se voltar desejos/ou se eles foram mesmo/Lembre da nossa música", é assim que se expressa a artista. "Joãozinho", que a musa compôs sozinha, traz um gingado gostoso, embalado numa letra um tanto curta.

As últimas músicas do CD, intituladas de forma até simplórias, trazem quase a Vanessa do primeiro disco. "Vem", com um toque mais romântico permite que a matogrossense explore mais o seu belo fio de voz (que tantos já compararam a Gal Costa). É um som tão gostoso que deixa um gosto de quero mais.
"Vem/eu sei que você tem vontade/eu sei que você tem saudade de mim/antes que haja enfermidade/que eu me desespere". E depois a artista fecha em grande estilo, novamente deixando o coração comandar na bem bolada "Zé": "Vale lembrar à tardinha/quando nos conhecemos, Zé/ havia uma beleza ali/ou era criatividade minha?".

Se for o caso de dar nota ao disco arrisco um 7. Mas Vanesssa pode ir mais longe, pois sua voz é 10. Quem sabe no próximo CD. (R.A.).