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Vanessa da Mata lança segundo CD e fica
devendo
A cantora matogrossense Vanessa da Mata, uma das boas atrações
do Festival de Inverno de Garanhuns de 2003, lançou há
pouco o seu segundo CD. Pra quem esperava uma evolução
da artista, que estreou bem em disco no mesmo ano em que esteve
por aqui, não deixa de ser um pouco decepcionante este novo
trabalho. Não é que o CD seja ruim, de forma nenhuma,
o disco chega a ser bom, só que inferior ao primeiro, quando
a expectativa era de um avanço.
Vanessa, claro, está com a mesma bela voz que encantou os
brasileiros emplacando temas de novela e interpretando músicas
como "A Força que Nunca Seca", de Chico César,
e "Nossa Canção", de Luiz Ayrão e
conhecidíssima na voz de Roberto Carlos. As interpretações
são seguras e os arranjos do disco são feitos por
gente do primeiro time da MPB. As letras, a maioria da cantora,
são criativas, fugindo à mesmice de certos medalhões
e dos românticos que infestam a programação
das rádios.
Mas sinceramente, apesar de todas essas qualidades, faltou alguma
coisa. Na faixa dois, "Eu Sou Neguinha", de Caetano Veloso,
a artista repete muitas vezes frases e palavras, termina por cansar
e não acrescenta nada ao que já tinha feito o autor
da canção. "História de uma Gata",
de Chico Buarque, que inclusive foi apresentada no show de Garanhuns
e foi bonito de ver, no palco, perde um pouco de força na
gravação de estúdio. E com certeza a interpretação
original, com Nara Leão, está melhor.
Nas outras faixas do CD, assinadas por Vanessa, algumas em parceria
com Liminha, nem sempre a boa letra é acompanhada por uma
melodia criativa. E a rica voz da sensual Da Mata em alguns momentos
chega a ser ofuscada por uma parafernália de instrumentos.
E as repetições, que nem sempre são bem-vindas
em música, acontecem novamente, como se estivesse faltando
mais criatividade.
A faixa que abre o disco "Ainda Bem", é uma das
mais bonitas e já emplacou por aí como tema de novela
global. "Ainda bem/que você vem comigo/porque, se não/como
seria essa vida?/sei lá!/ Nos dias frios em que nós
estamos juntos/nos abraçamos sob o nosso conforto de amar",
canta docemente Vanessa.
Outro bom momento está em "Música", a faixa
quatro, da mesma maneira que a primeira assinada por Liminha e Vanessa
da Mata. "Se voltar desejos/ou se eles foram mesmo/Lembre da
nossa música", é assim que se expressa a artista.
"Joãozinho", que a musa compôs sozinha, traz
um gingado gostoso, embalado numa letra um tanto curta.
As últimas músicas do CD, intituladas de forma até
simplórias, trazem quase a Vanessa do primeiro disco. "Vem",
com um toque mais romântico permite que a matogrossense explore
mais o seu belo fio de voz (que tantos já compararam a Gal
Costa). É um som tão gostoso que deixa um gosto de
quero mais.
"Vem/eu sei que você tem vontade/eu sei que você
tem saudade de mim/antes que haja enfermidade/que eu me desespere".
E depois a artista fecha em grande estilo, novamente deixando o
coração comandar na bem bolada "Zé":
"Vale lembrar à tardinha/quando nos conhecemos, Zé/
havia uma beleza ali/ou era criatividade minha?".
Se for o caso de dar nota ao disco arrisco um 7. Mas Vanesssa pode
ir mais longe, pois sua voz é 10. Quem sabe no próximo
CD. (R.A.).
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