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Pequenos Ditadores
Rafael Brasil
Uma recente pesquisa, que nem me lembro o instituto, mostra que
o Brasil é, digamos, o país que tem a democracia mais
consolidada da América Latina. Finalmente, no limiar do século
XXI, caminhamos, salvo os tradicionais tropeços no caminho,
para uma democracia institucionalizada, onde reine a lei. Esta mesma
pesquisa, mostra que o povo brasileiro não é tão
democrata assim. Aceitaria de bom grado uma ditadurazinha, desde
que as condições econômicas e sociais melhorassem.
Para o alento dos autocratas de plantão, diga-se de passagem.
Alô Zé Dirceu! Alô Severino Cavalcanti! Digamos
que, o senso comum adora autocratas, que seriam, na melhor das hipóteses,
déspotas mais ou menos esclarecidos. Os direitistas, embora
um pouco enrustidos, cultuam Pinochet, Franco e, para os mais saudosistas
e lusófilos, Salazar. Quando não chegam a radicalizar,
cantando loas a Mussolini, ou mesmo Hitler, mas estes são
minoria, felizmente. Pela esquerda, conheço muitas pessoas
que admiram Fidel Castro, Mao Tsé Tung, Lênin, Trotski,
ou mesmo Stálin. Podemos dizer que, até pouco tempo,
grande parte da nossa intelectualidade comungava de pensamentos
autoritários, quando não totalitários.
Nos municípios, mais especialmente os pequenos, os prefeitos,
com raríssimas e honrosas exceções, são
os pequeninos ditadores que infestam o país. Geralmente,
não só ditadores, mas, como ditadores menores, são
extremamente corruptos, afinal, a justiça é branda,
para quem tem dinheiro e poder. Mesmo os pequenos poderes, claro.
Geralmente, o pior é que, os oposicionistas têm o mesmo
pensamento, de que, quando chegarem ao poder, vão roubar
bastante, e ai de quem seja contra. Se for funcionário da
prefeitura, cortam-lhe o salário e o cargo, mesmos salários
que nem chegam ao mínimo, como é de praxe, pois nessa
questão, poucas prefeituras cumprem tal preceito constitucional.
Aqui em Caetés tem funcionário que cometeu a irregularidade
de forçar alguns áulicos do prefeito para verem em
quem estava votando, para, evidentemente, provar o voto, fazendo,
por iniciativa própria, que retrocedessemos à República
Velha, quando os votos eram a descoberto, sob os olhares dos capangas
do coronel local. Alguns funcionários, apesar de verbalmente
nutrirem ódio ao prefeito, acabam votando nele, em troca
de um salário de professor, que para os contratados, fica
em torno de 150 reais. Além é claro, da enxurrada
de votos comprados, agora abertamente, com a instituição
da militância, a dez, ou vinte reais, a camisa, claro tendo
em troca o voto. Aliás, a permissão de propaganda
política em dia de eleição tornou na prática,
o voto comprado, legal. E ai de quem não tiver dinheiro para
comprar as tais camisas batizadas, com alguns trocados... Claro,
tudo que estou falando, é apenas a ponta do iceberg. Aqui
em Caetés, o prefeito comprou um trio elétrico por,
dizem, 200,000,00 (duzentos mil). Dizem que comprou uma casa num
condomínio em Recife, onde mora, por 500, 600 mil reais,
quem sabe? Tanto ele, o prefeito como seu filho que é vice,
andam em carros importados, com ar condicionado e vidros fumê,
talvez para distanciar-se da miséria que coloca Caetés
como o segundo pior IDH do estado, além de uma das piores
em educação.
Certamente, por essas e outras, o Tribunal de Contas do Estado
acolheu por unanimidade, a solicitação de seu presidente,
para fazer uma auditoria no município. Prestações
de serviços feitas por empresas fantasmas ou inidôneas,
notas fiscais frias ou fajutas, e tudo que é maracutaia.
Aliás, desde a primeira administração que as
irregularidades são apontadas, mas nada como as brechas na
legislação e bons advogados que não se possa
resolver. Além, é claro, da famosa lentidão
da justiça. Todos sabemos que a impunidade, é que
é a responsável, não só pela violência
que assola o país, como também pela corrupção.
Interessante é que este estado de coisas nem comove mais
ninguém. Ou seja, dada a impunidade, quem não rouba
é besta, ora bolas... Banalizou-se o mal, não só
da violência, mas também da corrupção,
que ademais é também uma grande violência contra
o povo brasileiro, que por essas e outras, descrê na democracia.
O pior é que, a priori, não existe ditador honesto.
Existe? Pois, se sua cidade também é assim, sejam
cidadãos, batam o pé, falem. Se façam ouvir.
Ridicularizem seus ditadorezinhos e seus séquitos. Que sejamos
democratas, até o fim, pois senão, claro, as coisas
pioram. Interessante mesmo é que nem o PT se pronuncia sobre
o caso. E o prefeito de Caetés que ser também prefeito
de Garanhuns. Cuidado, povo de Garanhuns, pois essa gente vai longe!
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