Garanhuns, 8 de janeiro de 2005
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OPINIÃO
 

Pequenos Ditadores

Rafael Brasil


Uma recente pesquisa, que nem me lembro o instituto, mostra que o Brasil é, digamos, o país que tem a democracia mais consolidada da América Latina. Finalmente, no limiar do século XXI, caminhamos, salvo os tradicionais tropeços no caminho, para uma democracia institucionalizada, onde reine a lei. Esta mesma pesquisa, mostra que o povo brasileiro não é tão democrata assim. Aceitaria de bom grado uma ditadurazinha, desde que as condições econômicas e sociais melhorassem. Para o alento dos autocratas de plantão, diga-se de passagem. Alô Zé Dirceu! Alô Severino Cavalcanti! Digamos que, o senso comum adora autocratas, que seriam, na melhor das hipóteses, déspotas mais ou menos esclarecidos. Os direitistas, embora um pouco enrustidos, cultuam Pinochet, Franco e, para os mais saudosistas e lusófilos, Salazar. Quando não chegam a radicalizar, cantando loas a Mussolini, ou mesmo Hitler, mas estes são minoria, felizmente. Pela esquerda, conheço muitas pessoas que admiram Fidel Castro, Mao Tsé Tung, Lênin, Trotski, ou mesmo Stálin. Podemos dizer que, até pouco tempo, grande parte da nossa intelectualidade comungava de pensamentos autoritários, quando não totalitários.

Nos municípios, mais especialmente os pequenos, os prefeitos, com raríssimas e honrosas exceções, são os pequeninos ditadores que infestam o país. Geralmente, não só ditadores, mas, como ditadores menores, são extremamente corruptos, afinal, a justiça é branda, para quem tem dinheiro e poder. Mesmo os pequenos poderes, claro. Geralmente, o pior é que, os oposicionistas têm o mesmo pensamento, de que, quando chegarem ao poder, vão roubar bastante, e ai de quem seja contra. Se for funcionário da prefeitura, cortam-lhe o salário e o cargo, mesmos salários que nem chegam ao mínimo, como é de praxe, pois nessa questão, poucas prefeituras cumprem tal preceito constitucional.

Aqui em Caetés tem funcionário que cometeu a irregularidade de forçar alguns áulicos do prefeito para verem em quem estava votando, para, evidentemente, provar o voto, fazendo, por iniciativa própria, que retrocedessemos à República Velha, quando os votos eram a descoberto, sob os olhares dos capangas do coronel local. Alguns funcionários, apesar de verbalmente nutrirem ódio ao prefeito, acabam votando nele, em troca de um salário de professor, que para os contratados, fica em torno de 150 reais. Além é claro, da enxurrada de votos comprados, agora abertamente, com a instituição da militância, a dez, ou vinte reais, a camisa, claro tendo em troca o voto. Aliás, a permissão de propaganda política em dia de eleição tornou na prática, o voto comprado, legal. E ai de quem não tiver dinheiro para comprar as tais camisas batizadas, com alguns trocados... Claro, tudo que estou falando, é apenas a ponta do iceberg. Aqui em Caetés, o prefeito comprou um trio elétrico por, dizem, 200,000,00 (duzentos mil). Dizem que comprou uma casa num condomínio em Recife, onde mora, por 500, 600 mil reais, quem sabe? Tanto ele, o prefeito como seu filho que é vice, andam em carros importados, com ar condicionado e vidros fumê, talvez para distanciar-se da miséria que coloca Caetés como o segundo pior IDH do estado, além de uma das piores em educação.

Certamente, por essas e outras, o Tribunal de Contas do Estado acolheu por unanimidade, a solicitação de seu presidente, para fazer uma auditoria no município. Prestações de serviços feitas por empresas fantasmas ou inidôneas, notas fiscais frias ou fajutas, e tudo que é maracutaia. Aliás, desde a primeira administração que as irregularidades são apontadas, mas nada como as brechas na legislação e bons advogados que não se possa resolver. Além, é claro, da famosa lentidão da justiça. Todos sabemos que a impunidade, é que é a responsável, não só pela violência que assola o país, como também pela corrupção.

Interessante é que este estado de coisas nem comove mais ninguém. Ou seja, dada a impunidade, quem não rouba é besta, ora bolas... Banalizou-se o mal, não só da violência, mas também da corrupção, que ademais é também uma grande violência contra o povo brasileiro, que por essas e outras, descrê na democracia. O pior é que, a priori, não existe ditador honesto. Existe? Pois, se sua cidade também é assim, sejam cidadãos, batam o pé, falem. Se façam ouvir. Ridicularizem seus ditadorezinhos e seus séquitos. Que sejamos democratas, até o fim, pois senão, claro, as coisas pioram. Interessante mesmo é que nem o PT se pronuncia sobre o caso. E o prefeito de Caetés que ser também prefeito de Garanhuns. Cuidado, povo de Garanhuns, pois essa gente vai longe!