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ANGELIM - Emoção na volta de Samuel
à prefeitura
Passados oito dias da posse do prefeito Samuel Salgado, muitos
ainda comentam em Angelim e região o clima de emoção
que marcou a solenidade, realizada no Clube Municipal, às
20h do domingo passado. O ato festivo foi prestigiado por uma ampla
delegação de Garanhuns, por políticos, técnicos
e personalidades de diferentes partes do Estado e de importantes
cidades do Nordeste e outras partes do país. Teve gente do
Rio Grande do Norte, do Rio de Janeiro e até do Mato Grosso,
como acentuou o mestre de cerimônias, o radialista Marcos
Cardoso. E o povão literalmente lotou as dependências
do clube ARA e as ruas próximas, aplaudindo com entusiasmo
os oradores que se sucederam na tribuna.
Samuel Salgado e seu irmão, Esberaldo Cavalcanti, foram
recebidos com entusiasmo incomum pela multidão, que reviveu
os momentos da campanha vitoriosa aplaudindo, fazendo buzinaço
e gritando slogans lidados ao PT e ao número 13. A impressão
que dava é que o povo estava com os adversários do
PFL "atravessados na garganta" e aproveitou a ocasião
para extravasar, mostrar toda sua alegria e comemorar uma conquista
díficil, suada, numa eleição vencida por apenas
123 votos de diferença.
Falaram o vereador Valdinho, da oposição, ele que
já foi aliado de Samuel e nos últimos anos se integrou
ao grupo pefelista, o diretor do Banco do Nordeste, ex-deputado
federal Pedro Eugênio, e o funcionário público
Neilton, dos quadros da Chesf, que perdeu um irmão no período
da ditadura militar e fez um discurso contundente contra o regime
de 64. O presidente em exercício da Associação
Comercial de Garanhuns, Roberto Ivo, representando o deputado estadual
Izaías Régis, disse algumas breves palavras saudando
o novo prefeito de Angelim.
A sessão, presidida pela vereadora mais votada no pleito
de 2004, Edijane Bezerra Gomes, se prolongou até por volta
das 22h30, quando falaram o vice Esberaldo e o prefeito Samuel.
Logo depois, foi realizada a eleição do novo presidente
da Câmara dos Vereadores, tendo sido escolhido pela maioria
o vereador Geraldo Ferreira da Silva. Em seguida, os novos dirigentes
foram a pé do Clube Municipal até a sede da prefeitura,
quando Samuel Salgado recebeu as chaves das mãos do vereador
Erasmo, uma vez que Marco Calado optou por não passar o cargo
ao seu sucessor.
Mas nas ruas o povo comemorou a volta de Samuel, parecendo já
esquecido do passado e disposto a viver os novos tempos, com a democracia
prometida pelo novo governante. Apesar das dificuldades anunciadas
pelo vice Esberaldo, como a dívida herdada da gestão
de Marco Calado, no valor de R$ 5 milhões, a esperança,
em Angelim, parece ter triunfado novamente, "derrotando o medo",
como acentuou o prefeito em seu discurso, feito ainda no clube ARA.
O discurso da posse
Ao contrário do irmão, o vice Esberaldo, que fez
um discurso de poucos minutos, no improviso, o prefeito Samuel Salgado
optou por um pronunciamento escrito. Não resistiu, no entanto,
e fugiu do papel várias vezes, inclusive quebrando o protocolo
de uma maneira que lembrou os rompantes do presidente Lula. Foi
uma fala eqüilibrada, marcada pela denúncia, pelo compromisso
com a democracia e a liberdade e, no final, pela emoção,
pela referência aos amigos ausentes, como o seu pai, Deoclécio
Cavalcanti, que morreu o ano passado.
"Faço uma homenagem especial a minha mãe, Luzinete
Salgado, que nos dá a satisfação de presenciar
este fato histórico. Pela primeira vez na história
de Angelim dois irmãos são empossados no cargo de
prefeito e vice-prefeito", disse Samuel, assinalando também
os nomes dos irmãos Vaneide, Valdete, Anita, Áurea,Valdênia,
Esberaldo, Clóvis, Manoel e Júnior. "À
minha esposa Ione, meus filhos Danielle, Isabelle, Rafaelle e Juninho,
pelo que representam em minha vida, um abraço mito forte
e carinhoso", frisou ainda o governante, cumprimentando os
demais familiares "em nome do primo Rui".
Em seguida, Samuel falou do desafio de governar Angelim pela terceira
vez, quando estava recebendo uma prefeitura cheia de problemas.
"Muitos funcionários não receberam seus salários
de dezembro. O patrimônio público foi dilapidado e
saqueado em sua grande parte. Computadores, carteiras escolares,
materiais de construção, fogões e botijões
de gás desapareceram. A energia dos prédios públicos
de nossa cidade foi cortada por não ter sido pago o débito
à Celpe, fato esse amplamente divulgado pelo Diário
de Pernambuco do dia três de dezembro de 2004. E tudo isso
aconteceu depois que nossos adversários perderam as eleições",
denunciou o prefeito petista.
DESMANDOS - Depois, prosseguiu:
"Some-se ainda, entre outros desmandos, o fato de estarmos
recebendo a prefeitura com débito de R$ 5 milhões,
sendo R$ 2,5 milhões na Justiça do Trabalho e R$ 2,7
milhões no INSS. Como se não bastasse tudo isso, numa
verdadeira tortura psicológica para deixar o povo desesperado
e, possivelmente, tentando esvaziar este ato, divulgaram que eu
não tomaria posse, pois sairia preso e algemado neste momento"
Samuel Salgado lembrou que tentou realizar uma transição
de forma correta e democrática, mas a sua proposta não
foi aceita pela administração pefelista. Criticou
a postura do ex-governante e anunciou que na sua gestão não
haverá desmandos administrativos, nem perseguição,
injustiça e falta de atenção as pessoas. "Queremos
comunidade e governantes juntos, contribuindo para uma verdadeira
construção de políticas necessárias
ao desenvolvimento econômico e social do município.
Entendemos nossa escolha como uma convocação no sentido
de colocarmos o município em sintonia com o excelente momento
político que o Brasil vive, graças ao equilibrado
comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", observou
o prefeito.
O dirigente petista citou ainda o trabalho dos ministros pernambucanos
Humberto Costa e Eduardo Campos, dizendo que eles, juntamente com
Pedro Eugênio, os deputados Izaías Régis e Armando
Monteiro, seriam procurados para ajudar na recuperação
de Angelim. "A prefeitura abre suas portas e coloca-se como
parceira da União para a construção de um município
aonde haja prosperidade", ressaltou.
Samuel enfatizou a necessidade de democratizar as decisões,
criando instrumentos de participação popular e abrindo
os espaços de poder. "A partir de agora em cada comunidade
vai ser discutido o que se decide (que assunto será submetido
à decisão), quando se decide (em que ocasião
cada deicsão será tomada) e onde se decide (em que
instância de poder será tomada a decisão), exemplificou.
HOMENAGENS - No final, Salgado
homenageou três amigos "que já não estão
mais no nosso meio". O primeiro deles, Nivan Rodrigues, irmão
da professora Nelma (ex-diretora da Gere), contemporâneo do
prefeito no Ginásio Cônego Carlos Fraga, em Angelim.
Nivan foi uma das vítimas da ditadura militar, que no entender
do líder petista lançou um véu de trevas em
toda uma geração. "Anos sombrios aqueles, pois
para fazer oposição, em qualquer nível, era
preciso coragem de morrer pelo Brasil, ânimo de viver pelo
Brasil", assinalou.
O segundo amigo homenageado foi o ex-vereador Israel, secretário
de Obras de Samuel quando de seu segundo mandato na prefeitura.
"Caracterizou sua vida lutando com obstinação
pelo que acreditava, associando a seriedade e a alegria ao prazer
de trabalhar e servir. Cordial, simples e humilde, constituiu-se
num exemplo de dignidade e companheirismo", definiu.
O terceiro homenageado por Salgado foi seu pai, Deoclécio
Cavalcanti, que morreu em 2001. "O homem saudade, o homem sensível
que soube fortalecer a sua formação humana para enfrentar
os desafios do mundo. Impunha sua personalidade pelo modo educado
como se comunicava. Gostava de escrever. E muitas vezes nos momentos
de inspiração, rapidamente, dava um sentido poético
na montagem das palavras, como nesses versos em que deu uma lição
de profundo significado sobre a desigualdade social:
"Quero um mundo de harmonia
A irradiar alegria
Em cada hora a se passar
Um mundo com habitantes unidos
Sem pobres, sem excluídos
Sem sofrimento a atrapalhar".
"Quero um mundo diferente
Do mundo de muita gente
Que só em riqueza quer pensar
Quero um mundo em que a humanidade
Combata a desigualdade
Com a justiça a imperar"
Ao falar do pai, com a voz entrecortada pela emoção,
Samuel Salgado disse "como eu gostaria que ele estivesse aqui".
E pediu a Deus que iluminasse a ele e o irmão para fazer
um governo capaz de atender aos interesses da maioria do povo, com
uma administração democrática e pluralista.
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