Garanhuns, 8 de janeiro de 2005
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COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Final de ano

Não tem jeito (graças a Deus), todo final de ano eu me deixo envolver com o cheiro de dezembro, com o clima natalino e aumento, como posso, as reflexões sobre tudo, ou quase tudo; portanto, nesta primeira edição de 2005, do Correio Sete Colinas, dedico a minha coluna a todos que, como eu, acreditam na energia positiva, vestem a esperança com mais brilho e renovam as forças para começar tudo de novo.


Confraternizar

Confraternizar é exercitar a consciência de que ninguém pode ser feliz sozinho, porque compartilhar sentimentos acresce aos sabores da vida a condição de responder o porquê de estarmos aqui, onde queremos chegar e o que queremos alcançar.


Desejo

Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos; Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele à respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois, que você seja útil,mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer, e que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal;Porque assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas muitas vidas, é feita uma árvore.
Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar.

(Victor Hugo)


Felicidade

Ser feliz é uma meta que nos dias de hoje parece se distanciar cada vez mais.

Talvez porque a buscamos individualmente.

A felicidade é um estado de intenso contentamento que experimentamos em alguns momentos.

E, enquanto dura, absorve de tal maneira a pessoa em si mesma que esta não se coloca a refletir ou questionar razões ou motivos para o que está sentindo.

Seja em importantes situações de vida ou momentos fortuitos, o sentimento de felicidade chega, podendo gerar "um estado de plenitude".

Se não temos a felicidade como uma condição perene de existência, mas como experiência numa situação, por outro lado podemos sempre recriá-la, reinventá-la nas várias formas em que expressamos a vida.

O ser humano é um ser social, portanto toda realidade no campo social de alguma forma nos afeta. Porém, não podemos afirmar que a condição econômica desfavorável impossibilite alguém de ser feliz.

Grande ilusão pensar que todos os ricos sejam felizes!

A existência humana se dá numa multiplicidade de eventos e acontecimentos que podem gerar inúmeros contornos e dimensões para cada pessoa ou mesmo um grupo social,

O que torna difícil falar em causas e efeitos únicos ou em generalizações simples sobre a felicidade.

Vale a pena lutar, sonhar com a felicidade. Não devemos deixar que ela venha.

Não dá para deixar tudo ao acaso na vida... a felicidade está muito próxima de uma busca de sentido de vida e de ter uma vida digna, não só para si, mas para o coletivo.

Então, é preciso ter ideais, almejar, sem esquecer o coletivo, se não entramos no individualismo.

Estamos sempre tendo a possibilidade de reinventar novos modos de viver; recriar o que não é definitivo, porque a vida a cada dia traz situações inesperadas; nada está determinado.

Aí talvez esteja a grande sabedoria da vida. Pode ser que a felicidade venha junto disto, nesta busca, nesta renovação diária, neste repensar.

Texto elaborado a partir de uma entrevista da Psicóloga Zuleika Zandonai.