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CORREIO CULTURAL
Carlos Janduy
Final de ano
Não tem jeito (graças a Deus), todo final de ano
eu me deixo envolver com o cheiro de dezembro, com o clima natalino
e aumento, como posso, as reflexões sobre tudo, ou quase
tudo; portanto, nesta primeira edição de 2005, do
Correio Sete Colinas, dedico a minha coluna a todos que, como eu,
acreditam na energia positiva, vestem a esperança com mais
brilho e renovam as forças para começar tudo de novo.
Confraternizar
Confraternizar é exercitar a consciência de que ninguém
pode ser feliz sozinho, porque compartilhar sentimentos acresce
aos sabores da vida a condição de responder o porquê
de estarmos aqui, onde queremos chegar e o que queremos alcançar.
Desejo
Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também
seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo
não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser
sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você
possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos; Nem muitos, nem poucos,
mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele
à respeito de suas próprias certezas. E que entre
eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não
se sinta demasiado seguro.
Desejo depois, que você seja útil,mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa
utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que
erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram
muito e irremediavelmente, E que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa
demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada
idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que
eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo,
mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom;
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados
e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e
ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto
matinal;Porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais
minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas muitas vidas, é feita
uma árvore.
Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é
preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente
e diga "Isso é meu", só para que fique bem
claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele
e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem
se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã
e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda
haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar.
(Victor Hugo)
Felicidade
Ser feliz é uma meta que nos dias de hoje parece se distanciar
cada vez mais.
Talvez porque a buscamos individualmente.
A felicidade é um estado de intenso contentamento que experimentamos
em alguns momentos.
E, enquanto dura, absorve de tal maneira a pessoa em si mesma que
esta não se coloca a refletir ou questionar razões
ou motivos para o que está sentindo.
Seja em importantes situações de vida ou momentos
fortuitos, o sentimento de felicidade chega, podendo gerar "um
estado de plenitude".
Se não temos a felicidade como uma condição
perene de existência, mas como experiência numa situação,
por outro lado podemos sempre recriá-la, reinventá-la
nas várias formas em que expressamos a vida.
O ser humano é um ser social, portanto toda realidade no
campo social de alguma forma nos afeta. Porém, não
podemos afirmar que a condição econômica desfavorável
impossibilite alguém de ser feliz.
Grande ilusão pensar que todos os ricos sejam felizes!
A existência humana se dá numa multiplicidade de eventos
e acontecimentos que podem gerar inúmeros contornos e dimensões
para cada pessoa ou mesmo um grupo social,
O que torna difícil falar em causas e efeitos únicos
ou em generalizações simples sobre a felicidade.
Vale a pena lutar, sonhar com a felicidade. Não devemos
deixar que ela venha.
Não dá para deixar tudo ao acaso na vida... a felicidade
está muito próxima de uma busca de sentido de vida
e de ter uma vida digna, não só para si, mas para
o coletivo.
Então, é preciso ter ideais, almejar, sem esquecer
o coletivo, se não entramos no individualismo.
Estamos sempre tendo a possibilidade de reinventar novos modos
de viver; recriar o que não é definitivo, porque a
vida a cada dia traz situações inesperadas; nada está
determinado.
Aí talvez esteja a grande sabedoria da vida. Pode ser que
a felicidade venha junto disto, nesta busca, nesta renovação
diária, neste repensar.
Texto elaborado a partir de uma entrevista da Psicóloga
Zuleika Zandonai.
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