Garanhuns, 18 de dezembro de 2004
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POLÍTICA
 

Márcio Quirino: o vice deixa sua marca

A relação entre os prefeitos e seus vices sempre é complicada e é quase exceção, no Brasil, o vice que não rompe com o titular. Em Garanhuns, o vice-prefeito eleito em 1996 e reeleito em 2000, Márcio Quirino, tinha tudo para manter um bom relacionamento com Silvino do começo ao fim. Afável, sem grandes ambições, discreto, sempre disposto a ajudar o chefe, o ex-gerente da Celpe é o companheiro de trabalho que muitos governantes gostariam de ter. Por isso muitos não entendem até hoje porque foi que Silvino e Márcio se afastaram logo depois da esmagadora vitória de quatro anos atrás.

Quando formada a chapa de 1996, para enfrentar o favorito Ivo Amaral, o administrador público Márcio Quirino foi um verdadeiro “achado”, ele que nunca tinha tido filiação partidária e agora estava vinculado ao PL por insistência de Aguinaldo Barros e Alexandre Marinho - os dois sonhando até em tranformá-lo em prefeito. Mas como Bartolomeu terminou decidindo que o candidato seria Silvino, Márcio terminou como vice e arrastou milhares de votos para o PSB, por ser um político novo, sem nenhuma rejeição.

Vitoriosa a dobradinha Silvino e Márcio, o vice-prefeito foi escolhido secretário de Indústria e Comércio, tendo oportunidade, então, de realizar um belo trabalho pelo município. Sem aparecer muito, e com o apoio do chefe, o vice esteve à frente do diálogo com os camelôs, que foram retirados pacificamente do centro da cidade e possibilitou que fosse construído e entregue aos comerciantes ambulantes o Pop Shop, na Avenida Santos Dumont.

Márcio também pôde ficar à frente do Programa de Crédito Popular, o Proger, que na sua gestão atendeu a mais de dois mil microempresários, com empréstimos que possibilitaram o estabelecimento ou a ascenção de muitos comerciantes. O trabalho seria reconhecido inclusive em nível estadual, com a publicação de matérias de destaque no Jornal do Commercio, Diario de Pernambuco e Diário Oficial do Estado.

Outra ação importante do vice-prefeito, como auxiliar de Silvino, foi a administração do programa de eletrificação rural em Garanhuns. Com o apoio do Governo Arraes, ele conseguiu colocar energia em mais de três mil propriedades do município. Na zona urbana, conseguiu trocar 3.733 lâmpadas de vapor de mercúrio por vapor de sódio, proporcionando uma economia à cidade de 25%.

Como secretário de Indústria e Comércio, Márcio Quirino trouxe para Garanhuns a Petropar, fábrica de garrafas Pet, que funcionou muito bem até este ano, quando fechou as portas por falta de apoio do poder público. O vice interviu ainda na criação do Disque Denúncia no Agreste Meridional, no projeto de revitalização do Parque Euclides Dourado e na criação do Conselho de Desenvolvimento Rural e da Comissão Municipal de Emprego, esta a primeira do interior do Estado.

Outra atuação de destaque de Márcio foi no Pronaf B, que possibilitou empréstimos ao homem do campo e na sua gestão na secretaria atendeu a mais de mil agricultores. Quando prestigiado pelo prefeito, o vice pôde também colaborar em obras importantes como o asfaltamento da Avenida João Calado Borba e a construção da nova entrada da cidade.

Enfim, Márcio Quirino tem a consciência do dever cumprido e sabe que se não fez mais por Garanhuns foi porque não deixaram, por puro egoísmo e vaidade. Formado em Administração e Direito pela Universidade Federal de Alagoas, com curso de nível médio em eletricidade, o vice-prefeito é natural da terra das sete colinas e serviu à Celpe local durante 35 anos, exercendo cargos de chefias e conquistando amigos em todo Pernambuco.

Aposentado da Celpe, mas com muita energia ainda para trabalhar por Garanhuns e pelo Agreste, Márcio Quirino não pode dizer ainda que deixará a vida pública. No momento, estuda várias propostas que recebeu da iniciativa privada, mas prefere dá um tempo. E apesar da vinda da Universidade Pública para o município ainda luta para viabilizar a instalação na cidade de uma Universidade Privada, que teria cursos de Engenharia, Computação, Medicina, entre outros.

Não há dúvida de que o vice-prefeito deixa sua marca e o tempo, que é o senhor da razão, lhe fará justiça.