Garanhuns, 18 de dezembro de 2004
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OPINIÃO
 

Governo feliz esquerda triste

Rafael Brasil


Estava olhando uma fotografia na revista Veja, dos integrantes da esquerda petista, em ponto de rebelião contra o governo, rebelião esta, como muitas outras, abortada pela cúpula do governo e sua tradicional e pesada caneta. Todos com cara de madalena arrependida, reclamando nos bastidores, mas, claro, sem largar o osso, enfim, ninguém é de ferro. Todos reclamam pelos cantos a política econômico do governo, a única coisa que vem dando certo. Neste aspecto, até as baratas sabem, que este governo está mais conservador do que o anterior. E, convenhamos, Lula está certo, quando diz que nunca foi de esquerda, para deleite de velhos comunistas, que, de uma forma ou de outra, sempre afirmaram isso. Só falta Lula avançar nas reformas, que ainda estão penduradas no varal, esquentando praça até a chegada de um estadista. Reformas estas que são imprescindíveis para que o Brasil dê um grande salto de qualidade no seu cambaleante capitalismo. Aí ele e Palocci iriam para a história. O operário e o trotskista que salvaram o capitalismo no Brasil. Coisas da nossa terra.

Muitos membros da tradicional esquerda estão dando banhos de incompetência. Desde Olívio Dutra, do ministério criado especialmente para ele, o das cidades, até Tasso Genro da educação, tem atuações bem abaixo do esperado. Reclamam muito do governo por verbas, e nem sabem gastar os trocados que obtêm. Por isso Lula vem acenando desde o início do ano com uma ampla reforma ministerial. Surpresa seria mesmo se ele extinguisse pelo menos uns dez ministérios, simplificando as coisas. Porém, creio mesmo é que ele irá mesmo lotear os cargos para a base fisiológica, que cresce a cada dia. Abrir espaços para o PMDB, para o velho e carcomido PTB, e o PP, velho ninho malufista. Se o ano que vem a situação internacional ajudar, ele ganha o segundo mandato. Mesmo sem as reformas. Nas primeiras prévias para presidente, Serra o espreita com 35% da preferência popular, contra 47% do presidente. Mas, claro, muitas águas vão rolar até as eleições preidenciais.

Sempre tenho observado a sabedoria política de Lula, que nem é tão nova assim. É como reza um velho ditado da política, afirmando que, para governar, é bom com a direita, para ganhar eleições, com a esquerda. Afinal, quem mesmo comanda eleições, é o bolso do cidadão. Se as coisas não estão muito boas, pelo menos não estão tão ruins. Uma breve retomada do crescimento e das exportações, tendo como consequência o aumento do emprego, puxando o consumo para cima amenizando a situação de milhões de pessoas. E o que é mais importante: a crescente confiança dos agentes econômicos nacionais e internacionais. Apesar dos cacarecos nacionalistóides estatais do governo, Lula deixou a dsireita alegre, e a esquerda triste. Esquerda esta que não muda seus paradigmas, desde os anos 50, e defende ardorosamente a herança getulista. Que para o bem de todos, e a felicidade geral da nação, deveria ficar somente nos livros de história. E, como um exemplo para jamais ser seguido.

Um feliz natal para todos os que fazem este jornal. Que continuemos construindo, fazendo, sem ligarmos para os tradicionais chatos de plantão. Parabéns Roberto, e que deus lhe dê muitos anos de vida. E, claro, para os leitores, que ademais, gastam seu precioso tempo lendo minhas besteiras.