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CORREIO DOS BICHOS
Bruno Neves Wanderley
Conheça um pouco mais sobre o Curió
NOME: Curió
NOME CIENTÍFICO: Oryzoborus angolensis
ORDEM: Passeriformes
FAMÍLIA: Fringílidas
TAMANHO: 14 cm
ALIMENTAÇÃO NO HABITAT NATURAL: Alimenta-se basicamente
de alguns insetos e sementes do capim navalha.
TEMPO DE VIDA: De 20 a 30 anos no cativeiro e de 8 a 10 anos na
vida selvagem.
MUDA: Acontece entre março e julho.
O nome Curió na língua tupi guarani significa "Amigo
do Homem", pois este pássaro gostava de viver perto
da aldeia dos índios. Esta característica somado a
enorme qualidade de seu canto, faz do curió um pássaro
muito estimado entre os criadores. Quando jovem sua cor é
marrom, nos machos com o passar do tempo, as penas do corpo ficam
pretas com exceção para a barriga e peito que ficam
vinho e de uma pequena mancha branca nas asas, a fêmea é
marrom com um tom mais claro no peito mesmo quando adulta.
Os tipos de Canto
Há uma grande variedade de cantos, estes variam de região
para região, havendo casos de pássaros que emitem
até 40 sons diferentes. No Brasil já foram encontrados
mais de 128 cantos diferentes e, os mais conhecidos são:
o Praia Grande em São Paulo, o Paracambi no Rio de Janeiro,
o Vovo Yiviu em Alagoas, o Vi te teu em Pernambuco, o Catarina em
Santa Catarina, o Timbira no Maranhão e o Mateiro (que é
o canto natural do pássaro). Quanto a repetição
o canto pode ser curto ou longo.
O curió além de excelente cantor é um imitador
nato, por isso, não é aconselhável criá-lo
com outras espécies de pássaros, pois ele aprenderá
facilmente o canto delas, perdendo assim a pureza de suas notas
musicais características.
O melhor tempo para o curió aprender a cantar é quando
novo, antes mesmo dos 2 meses. Colocando o pássaro para escutar
cantos gravados ou de um pássaro mestre. A base do futuro
canto é aprendida principalmente até o vigésimo
oitavo dia de vida. Nesta fase, o curió não deverá
ouvir em hipótese alguma qualquer outro canto.
Quem quiser criar curiós de alta qualidade deve contar com
no mínimo 4 ambientes suficientemente distantes ou isolados
acusticamente:
Um ambiente para o macho galador. Podendo ter nesse ambiente, caixas
individuais, isoladas acusticamente para poder deixar mais de um
macho no mesmo local, impossibilitando que um escute outro, devendo
sempre levar a fêmea para galar nesse ambiente. Nunca o macho
no local das fêmeas com filhotes;
Outro ambiente paras as fêmeas solteiras pois o canto das
fêmeas poderá afetar e influenciar o canto do filhote;
Outro ambiente onde ficarão as fêmeas galadas, chocando
e criando os filhotes;
E finalmente um ambiente para os filhotes apartados a partir do
30° dia.
A REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO
Em cativeiro não é difícil procriar a espécie.
Tanto o reprodutor quanto as fêmeas devem gozar de total saúde.
Não se deve cruzar pássaros consangüíneos
para não ocorrer degeneração. A fêmea
deve ter de 1 a 4 anos de idade, que é seu período
de postura, embora algumas continuam com a postura mais tempo. Depois
do nascimento do filhote é aconselhável tirar o macho
e deixar só a fêmea.
O acasalamento acontece entre agosto e março. Neste período,
deixa-se o macho "rachar" para a fêmea, sem contudo
tirarmos a divisória entre as gaiolas, só abrindo
a divisória lenta e gradualmente, sem retirá-la completamente,
após 10 a 25 minutos de observação, será
feita a retirada da divisória completamente, considerando
que os dois passadores já estarão abertos.
Ocorrendo a "cobertura", deve-se repetir os mesmos procedimentos
no dia seguinte. Após 2 ou 4 dias a fêmea colocará
o primeiro ovo. A fêmea normalmente põe de dois a três
ovos, que são chocados em torno de 12 a 14 dias. Quando os
filhotes nascem, levarão cerca de 10 a 14 dias para saírem
do ninho.
É nesse período que os filhotes começam a
exercitar as asas e as pernas, por isto, você deve colocar
o ninho em lugar baixo para evitar que os filhotes morram por uma
eventual queda. Com 20 a 25 dia os filhotes começam a gorjear
(cantar).
Quando eles estiverem com mais ou menos 28 dias, já se alimentam
sozinhos e você deve retirá-los da companhia dos pais.
O curió é conhecido pela higiene e limpeza do ninho.
Isso é tão marcante na espécie que alguns criadores
não colocam mais a coleira de identificação
na perna dos filhotes enquanto estão no ninho, porque a mãe
curió vai retirá-las podendo até ferir os filhotes
nessa tentativa. Ela não aceita nenhum objeto estranho ou
sujeira no ninho.
A troca de pena e bico é feita no período de abril
a junho (podendo variar de um pássaro para outro e de região
para região), neste período há uma queda da
resistência e o curió está mais sujeito a contrair
doenças. Convém cobrir a gaiola para evitar o vento,
dar boa alimentação e deixar a gaiola sempre bem limpa.
Neste período o curió provavelmente deixará
de cantar.
A ALIMENTAÇÃO EM CATIVEIRO
Logo após a muda anual de inverno (primeira muda após
a muda de ninho) devem ser servido as fêmeas uma mistura de
sementes composta de 50% de alpiste, 50% de painço sendo
20% do verde, 10% do preto, 10% do vermelho, 10% do alvo.
Devemos fornecer ainda todas as manhãs num pequeno comedouro
tipo porta ovo ou similar a seguinte mistura: 01 xícara de
cafezinho de Super Top-Life moído, 1/2 xícara de cafezinho
de Milharina pré-cozida, 02 duas gemas cozidas de ovos de
galinha passadas na peneira fina, misturar os componentes e servir
diariamente.
Ministrar a alimentação descrita até as fêmeas
atingirem a maturidade sexual que deve acontecer por volta de um
ano de vida com raras exceções.
O curió principalmente seus filhotes se alimentam de larvas
de tenébrios (besouro do amendoim) que devem ser criados
em casa. Quando a criação de tenébrios estiver
pronta, separe algumas, e as coloque em um pratinho com leite em
pó. Elas vão se alimentar com o leite e quando consumidas
pelo filhotes, se tornarão um alimento duplamente rico em
proteínas. Também poderemos fornecer papas para filhotes
da Alcon, gafanhotos, cupins, pão molhado em água
e milho verde, além das misturas para pássaros, sementes
de capim navalha, alpiste, painço e ovo cozido.
A alimentação dos filhotes deve ser deixado por conta
das mães. Você não deve colocar o alimento diretamente
no ninho dos filhotes mas sim deixar que a mãe faça
isso. Nesse momento é importante observar os cuidados que
ela dispensa aos curiózinhos. Deixar a disposição
da mãe os alimentos de matrizes e adicionar 8 Tenebrios molitores
para cada filhote por dia.
Tome cuidado ao comprar frutas e verduras, tenha certeza de que
não foi passado inseticida na plantação e se
não estão estragadas. As verduras: almeirão,
chicória, espinafre e catalonia; e legumes milho, abobrinha
e jiló poderão ser dados ocasionalmente durante todas
as fases da criação. O grande cuidado a se tomar são
com as verduras, pois deverão ser bem lavadas e colocadas
pôr 30 minutos em uma solução de água
e vinagre a 2%, evite sempre as alfaces e salsas.
AS PRINCIPAIS ENFERMIDADES
As principais doenças que acometem os curiós são:
as Coccidioses, as salmoneloses e as verminoses, estas causam sérias
diarréias; a Coriza de rápida disseminação
onde os pássaros atacados tem suas vias respiratórias
comprometidas, a aspergilose que compromete os sacos aéreos
do pássaro, e os ácaros que colonizam pele e penas.
O IBAMA E AS LEIS QUE REGULAMENTAM SUA
CRIAÇÃO:
O curió é um animal protegido por lei, seu comércio
e criação só são legais através
de aves oriundas de criadouros registrados para este fim sob fiscalização
e orientação do IBAMA, todas as aves nascidas e criadas
nestes criadouros são legais e devidamente identificadas
através de anilhas e notas fiscais.
Na natureza, esta ave tem sido aniquilada e está desaparecendo
em conseqüência dos desmatamentos desenfreados, da poluição
de rios e lagoas, e da ação de agrotóxicos.
A criação e manutenção de animais silvestres
em cativeiro para fins científicos, comerciais, educacionais
e conservacionista é regulada através instrumentos
legais que visam a normatização das atividades em
consonância com as leis de proteção à
fauna nativa. A criação com finalidade comercial é
normatizada pela Portaria nº 118 de 15 de outubro de 1997,
sendo a comercialização regida pela Portaria nº
117 de 15 de outubro 1997.
A importância da vida silvestre para o homem tem-se acelerado
a medida que a ciência adquire novas tecnologias em busca
da melhoria da qualidade de vida das sociedades humanas.
Nas últimas décadas, alguns criadores têm redefinido
seu papel no mundo da conservação, não mais
preocupando-se em simplesmente colecionar animais, mas também,
de criar com fins conservacionistas.
Seja qual for o tipo de criação e seus objetivos,
a normatização e legalização de suas
atividades, principalmente aquelas relativas à comercialização
de animais silvestres, assume papel primordial para que possamos
reprimir o comercio ilegal de aves, se considerarmos que tal fato
além de ilícito é determinante na ameaça
de sobrevivência para muitas espécies de nossa fauna.
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