Garanhuns, 18 de dezembro de 2004
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Cultura
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
COLUNAS
 

CORREIO DOS BICHOS

Bruno Neves Wanderley


Conheça um pouco mais sobre o Curió

NOME: Curió
NOME CIENTÍFICO: Oryzoborus angolensis
ORDEM: Passeriformes
FAMÍLIA: Fringílidas
TAMANHO: 14 cm
ALIMENTAÇÃO NO HABITAT NATURAL: Alimenta-se basicamente de alguns insetos e sementes do capim navalha.
TEMPO DE VIDA: De 20 a 30 anos no cativeiro e de 8 a 10 anos na vida selvagem.
MUDA: Acontece entre março e julho.

O nome Curió na língua tupi guarani significa "Amigo do Homem", pois este pássaro gostava de viver perto da aldeia dos índios. Esta característica somado a enorme qualidade de seu canto, faz do curió um pássaro muito estimado entre os criadores. Quando jovem sua cor é marrom, nos machos com o passar do tempo, as penas do corpo ficam pretas com exceção para a barriga e peito que ficam vinho e de uma pequena mancha branca nas asas, a fêmea é marrom com um tom mais claro no peito mesmo quando adulta.


Os tipos de Canto

Há uma grande variedade de cantos, estes variam de região para região, havendo casos de pássaros que emitem até 40 sons diferentes. No Brasil já foram encontrados mais de 128 cantos diferentes e, os mais conhecidos são: o Praia Grande em São Paulo, o Paracambi no Rio de Janeiro, o Vovo Yiviu em Alagoas, o Vi te teu em Pernambuco, o Catarina em Santa Catarina, o Timbira no Maranhão e o Mateiro (que é o canto natural do pássaro). Quanto a repetição o canto pode ser curto ou longo.

O curió além de excelente cantor é um imitador nato, por isso, não é aconselhável criá-lo com outras espécies de pássaros, pois ele aprenderá facilmente o canto delas, perdendo assim a pureza de suas notas musicais características.

O melhor tempo para o curió aprender a cantar é quando novo, antes mesmo dos 2 meses. Colocando o pássaro para escutar cantos gravados ou de um pássaro mestre. A base do futuro canto é aprendida principalmente até o vigésimo oitavo dia de vida. Nesta fase, o curió não deverá ouvir em hipótese alguma qualquer outro canto.

Quem quiser criar curiós de alta qualidade deve contar com no mínimo 4 ambientes suficientemente distantes ou isolados acusticamente:

Um ambiente para o macho galador. Podendo ter nesse ambiente, caixas individuais, isoladas acusticamente para poder deixar mais de um macho no mesmo local, impossibilitando que um escute outro, devendo sempre levar a fêmea para galar nesse ambiente. Nunca o macho no local das fêmeas com filhotes;

Outro ambiente paras as fêmeas solteiras pois o canto das fêmeas poderá afetar e influenciar o canto do filhote;

Outro ambiente onde ficarão as fêmeas galadas, chocando e criando os filhotes;

E finalmente um ambiente para os filhotes apartados a partir do 30° dia.


A REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO

Em cativeiro não é difícil procriar a espécie. Tanto o reprodutor quanto as fêmeas devem gozar de total saúde. Não se deve cruzar pássaros consangüíneos para não ocorrer degeneração. A fêmea deve ter de 1 a 4 anos de idade, que é seu período de postura, embora algumas continuam com a postura mais tempo. Depois do nascimento do filhote é aconselhável tirar o macho e deixar só a fêmea.

O acasalamento acontece entre agosto e março. Neste período, deixa-se o macho "rachar" para a fêmea, sem contudo tirarmos a divisória entre as gaiolas, só abrindo a divisória lenta e gradualmente, sem retirá-la completamente, após 10 a 25 minutos de observação, será feita a retirada da divisória completamente, considerando que os dois passadores já estarão abertos.

Ocorrendo a "cobertura", deve-se repetir os mesmos procedimentos no dia seguinte. Após 2 ou 4 dias a fêmea colocará o primeiro ovo. A fêmea normalmente põe de dois a três ovos, que são chocados em torno de 12 a 14 dias. Quando os filhotes nascem, levarão cerca de 10 a 14 dias para saírem do ninho.

É nesse período que os filhotes começam a exercitar as asas e as pernas, por isto, você deve colocar o ninho em lugar baixo para evitar que os filhotes morram por uma eventual queda. Com 20 a 25 dia os filhotes começam a gorjear (cantar).

Quando eles estiverem com mais ou menos 28 dias, já se alimentam sozinhos e você deve retirá-los da companhia dos pais.
O curió é conhecido pela higiene e limpeza do ninho. Isso é tão marcante na espécie que alguns criadores não colocam mais a coleira de identificação na perna dos filhotes enquanto estão no ninho, porque a mãe curió vai retirá-las podendo até ferir os filhotes nessa tentativa. Ela não aceita nenhum objeto estranho ou sujeira no ninho.

A troca de pena e bico é feita no período de abril a junho (podendo variar de um pássaro para outro e de região para região), neste período há uma queda da resistência e o curió está mais sujeito a contrair doenças. Convém cobrir a gaiola para evitar o vento, dar boa alimentação e deixar a gaiola sempre bem limpa. Neste período o curió provavelmente deixará de cantar.


A ALIMENTAÇÃO EM CATIVEIRO

Logo após a muda anual de inverno (primeira muda após a muda de ninho) devem ser servido as fêmeas uma mistura de sementes composta de 50% de alpiste, 50% de painço sendo 20% do verde, 10% do preto, 10% do vermelho, 10% do alvo.

Devemos fornecer ainda todas as manhãs num pequeno comedouro tipo porta ovo ou similar a seguinte mistura: 01 xícara de cafezinho de Super Top-Life moído, 1/2 xícara de cafezinho de Milharina pré-cozida, 02 duas gemas cozidas de ovos de galinha passadas na peneira fina, misturar os componentes e servir diariamente.

Ministrar a alimentação descrita até as fêmeas atingirem a maturidade sexual que deve acontecer por volta de um ano de vida com raras exceções.

O curió principalmente seus filhotes se alimentam de larvas de tenébrios (besouro do amendoim) que devem ser criados em casa. Quando a criação de tenébrios estiver pronta, separe algumas, e as coloque em um pratinho com leite em pó. Elas vão se alimentar com o leite e quando consumidas pelo filhotes, se tornarão um alimento duplamente rico em proteínas. Também poderemos fornecer papas para filhotes da Alcon, gafanhotos, cupins, pão molhado em água e milho verde, além das misturas para pássaros, sementes de capim navalha, alpiste, painço e ovo cozido.

A alimentação dos filhotes deve ser deixado por conta das mães. Você não deve colocar o alimento diretamente no ninho dos filhotes mas sim deixar que a mãe faça isso. Nesse momento é importante observar os cuidados que ela dispensa aos curiózinhos. Deixar a disposição da mãe os alimentos de matrizes e adicionar 8 Tenebrios molitores para cada filhote por dia.

Tome cuidado ao comprar frutas e verduras, tenha certeza de que não foi passado inseticida na plantação e se não estão estragadas. As verduras: almeirão, chicória, espinafre e catalonia; e legumes milho, abobrinha e jiló poderão ser dados ocasionalmente durante todas as fases da criação. O grande cuidado a se tomar são com as verduras, pois deverão ser bem lavadas e colocadas pôr 30 minutos em uma solução de água e vinagre a 2%, evite sempre as alfaces e salsas.


AS PRINCIPAIS ENFERMIDADES

As principais doenças que acometem os curiós são: as Coccidioses, as salmoneloses e as verminoses, estas causam sérias diarréias; a Coriza de rápida disseminação onde os pássaros atacados tem suas vias respiratórias comprometidas, a aspergilose que compromete os sacos aéreos do pássaro, e os ácaros que colonizam pele e penas.


O IBAMA E AS LEIS QUE REGULAMENTAM SUA CRIAÇÃO:

O curió é um animal protegido por lei, seu comércio e criação só são legais através de aves oriundas de criadouros registrados para este fim sob fiscalização e orientação do IBAMA, todas as aves nascidas e criadas nestes criadouros são legais e devidamente identificadas através de anilhas e notas fiscais.

Na natureza, esta ave tem sido aniquilada e está desaparecendo em conseqüência dos desmatamentos desenfreados, da poluição de rios e lagoas, e da ação de agrotóxicos.

A criação e manutenção de animais silvestres em cativeiro para fins científicos, comerciais, educacionais e conservacionista é regulada através instrumentos legais que visam a normatização das atividades em consonância com as leis de proteção à fauna nativa. A criação com finalidade comercial é normatizada pela Portaria nº 118 de 15 de outubro de 1997, sendo a comercialização regida pela Portaria nº 117 de 15 de outubro 1997.

A importância da vida silvestre para o homem tem-se acelerado a medida que a ciência adquire novas tecnologias em busca da melhoria da qualidade de vida das sociedades humanas.

Nas últimas décadas, alguns criadores têm redefinido seu papel no mundo da conservação, não mais preocupando-se em simplesmente colecionar animais, mas também, de criar com fins conservacionistas.

Seja qual for o tipo de criação e seus objetivos, a normatização e legalização de suas atividades, principalmente aquelas relativas à comercialização de animais silvestres, assume papel primordial para que possamos reprimir o comercio ilegal de aves, se considerarmos que tal fato além de ilícito é determinante na ameaça de sobrevivência para muitas espécies de nossa fauna.