Garanhuns, 4 de dezembro de 2004
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POLÍTICA
 

Paulo Afonso deixa abacaxi para Pe. Aldo

Praticamente da mesma maneira que começou, termina a administração do prefeito Paulo Afonso (PFL), em São Bento do Una, a 55 km de Garanhuns. O dirigente do município chega ao final do seu governo com os salários dos funcionários atrasados, débitos com os fornecedores, uma dívida de quase R$ 1 milhão com a previdência municipal e um pedido de afastamento por improbidade administrativa, feito pelo representante do Ministério Público.

O descalabro administrativo praticado por Paulo Afonso foi mostrado no primeiro semestre em mais de uma reportagem do Correio Sete Colinas, que voltou à terra dos Valença, esta semana, para conferir como está o município que será governado a partir de janeiro pelo ex-vigário geral da Diocese de Garanhuns, Pe. Aldo Mariano.

Conforme mostramos no primeiro parágrafo, o pefelista está deixando um verdadeiro "abacaxi" para o seu sucessor, situação que só não é pior por conta da intervenção da justiça. É que o governante, logo depois que perdeu a eleição - por uma diferença de 5.204 votos num total de 24 votantes - resolveu nomear 240 novos funcionários, aprovados em concurso público realizado três anos atrás. O juiz da comarca, Augusto Sampaio Angelim, anulou as nomeações, atendendo a uma ação popular movida contra a prefeitura.


Empresários, dirigentes sindicais, advogados, populares, o promotor público e o juiz de São Bento deixam claro que a situação do município é muito difícil, os moradores da cidade estão pagando pela "irresponsabilidade" e o futuro prefeito, Pe. Aldo, pegará uma herança pesada do seu sucessor, que estaria fazendo tudo para inviabilizar o novo governo.

"Nós já vivemos num Agreste muito pobre e o prefeito de São Bento deixa o município sem segurança para o comerciante ou funcionário. A verdade é que ninguém sabe como será esse final de ano", lamenta o empresário Stênio Galvão, proprietário da Bom Leite, uma sólida fábrica de lacticínios que tem sua sede na cidade vizinha.

Segundo Stênio, em todos os recantos do município as dificuldades dos servidores são motivo de comentários e todos têm consciência de que esses não poderão honrar seus compromissos, por não receberem o pagamento do salário pela prefeitura. "Esse é o final de ano mais triste dos últimos quatros anos, afirma o empresário, acusando Paulo Afonso de estar querendo se vingar dos funcionários e da população pela derrota na eleição.

DÍVIDAS - O advogado Hamilton Ferro, ligado ao grupo que venceu a eleição passada em São Bento, ratificou as informações e críticas do dirigente da Bom Leite e lembrou que os erros de Paulo Afonso foram cometidos desde o início de sua administração. Ele disse que o prefeito ainda deve o 13º salário de muitos funcionários relativos ao ano de 2003, os vencimentos dos últimos meses estão atrasados, prejudicando a maioria dos servidores, o que termina por repercutir em toda a economia local.

Hamilton Ferro observa que depois da eleição Paulo Afonso Cintra sumiu da cidade, os credores tentam encontrá-lo sem sucesso e terminam por ingressar na justiça contra a prefeitura, gerando uma situação bastante desagradável, que ninguém sabe onde irá parar. "Devemos ter aqui um Natal terrível. Com a prefeitura sem pagar não há geração de renda no município e as lojas ficam esperando o final de ano sem perspectiva", completa o advogado.

CONCURSO - O juiz da comarca de São Bento do Una, Augusto Sampaio Angelim, explicou que resolveu anular as nomeações dos concursados, feitas por Paulo Afonso, porque o ato do prefeito, embora aparentemente legal, fere a moralidade. "As nomeações estão suspensas até que a prefeitura prove que tem capacidade de nomear sem ultrapassar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal", declarou o magistrado.

No próprio despacho do juiz está evidente a interpretação de que o prefeito promoveu as nomeações em fim de governo por motivos políticos. "Teve quatro anos para nomear esse pessoal e não o fez. O caso dos agentes de saúde é bastante ilustrativo. São Bento sofreu uma epidemia de cólera que assustou a todos e não houve convocação dos agentes. Agora, porém, ao final do governo, o prefeito nomeou seis desses agentes", escreveu Augusto Sampaio na sentença favorável aos que impetraram a ação popular.

IMPROBIDADE - Em meio ao caos da gestão do pefelista, o promotor público do município, Antônio Fernandes, resolveu entrar com uma ação pública de improbidade administrativa contra Paulo Afonso, por conta da falta de pagamento ao Instituto de Previdência. "O dinheiro era descontado dos servidores, mas não era recolhido ao instituto", frisa o representante do Ministério Público. Na ação civil contra o prefeito, o promotor pediu ainda o afastamento de Paulo Afonso do cargo, solicitação que deve ser julgada nos próximos dias pelo Poder Judiciário de São Bento do Una. Esse débito com a previdência chega aos R$ 900 mil.

A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de São Bento, Ana Flávia, disse que a situação dos funcionários é mesmo muito complicada, em função da falta de pagamentos. Segundo ela a ação no Ministério Público foi uma iniciativa do sindicato, que espera uma solução do impasse ainda no governo atual, pois não seria justo o débito ficar para Pe. Aldo. "O gestor e o responsável é o prefeito atual", afirma Flávia.