Garanhuns, 4 de dezembro de 2004
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OPINIÃO
 

PONTO DE VISTA

As contradições da educação no Brasil

Roberto Almeida


No governo do presidente Fernando Henrique o ministro Paulo Renato conseguiu fazer com que quase cem por cento das crianças brasileiras frequentassem uma sala de aula. Os índices divulgados bateram em exatos 97%, o que mostra um avanço em relação às décadas passadas.

Esses dados, no entanto, não significam que os principais problemas da educação foram resolvidos e muito ainda há por fazer nessa área tão fundamental para o desenvolvimento de qualquer país.

Pra começar os salários dos professores ainda são incrivelmente baixos, estes vivem desestimulados e com a anuência dos próprios alunos transformam a escola pública numa peça de ficção.

E o Brasil, contudo, investe bastante em educação. Gasta tanto dinheiro nas escolas quantos países como a França, Portugal e mesmo os Estados Unidos.

O problema, aqui, é que os recursos são mal aplicados, privilegiando a universidade em detrimento do ensino básico.

Dados de um livro recém publicado pelo ministro Paulo Renato, mostram que nosso país investe 0,9% no aluno do ensino fundamental, 1,1% no estudante do ensino médio e 13,6% no aluno que cursa universidade.

Ora, como os universitários no Brasil ainda constituem uma pequena minoria de privilegiados, significa que esse sistema é injusto e de determinado modo impede o desenvolvimento do país.

No governo de Fernando Henrique, ainda se tentou mexer com os privilégios das universidades, só que nada se conseguiu e dificilmente se conseguirá na gestão do presidente Lula, uma vez essas benesses dos filhos de papai têm muita tradição e tentar eliminá-las ocasionará sérios prejuízos para os governantes.

Assim, por muito tempo ainda deveremos ter um ensino básico ruim, um ensino médio péssimo e um sistema universitário onde os ricos vão para a universidade pública e os pobres ocupam preferencialmente as vagas das faculdades particulares.