Garanhuns, 4 de dezembro de 2004
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Cultura
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
CULTURA
 

Jovens preferem músicas mais populares

Núbia Kênia


Acabou-se o tempo em que as festividades de ruas, clubes e residências eram embaladas pelas melodias suaves da Música Popular Brasileira (MPB), ou pelos embalos da jovem guarda, que foi a coqueluche dos anos 60 e 70. Nos últimos anos a preferência cultural da maioria dos jovens mudou muito, deixando as salas de cinema de lado, abdicando de uma boa leitura e passando a "curtir" estilos mais populares de música, a exemplo da Banda Vício Louco, Nega do Babado, Psirico, É o Tchan, entre outras que vem se destacando nas paradas de sucesso de nosso Estado.

Esse assunto tão pertinente na atualidade, intitulado por alguns de "indigência cultural", foi destaque na edição do Programa Fantástico, exibido no último domingo, dia 28, pela rede Globo de Televisão, que elaborou uma enquête perguntando aos inter-nautas qual a pior música que fez sucesso no Brasil, disparando em primeiro lugar a "Éguinha Pocotó", que explodiu nos quatro cantos do Brasil há cerca de 2 anos.

Sobre o assunto, a psicóloga Nuênia Kelly revela que se observa que os adolescentes, hoje em dia, são de se influenciarem uns pelos outros, seguindo o modismo do momento. "Muitos não mostram suas preferências, e vão pelo momento de descontração.

Quando estão no auge da adrenalina, vão pela folia, mas isso não quer dizer que estas são suas preferências culturais. Muitos, quando estão na sua intimidade, gostam de música que tenham mais qualidade", destaca a profissional.

Ela também ressalta que os adolescentes que escolhem essas músicas sem muito conteúdo, isto é, sem melodias e letras mais expressivas, são os jovens que não querem parar para avaliar a mensagem da música. Enquanto que, os adolescentes mais introspectivos, que pensam um pouco sobre si, procuram se auto-avaliar, refletem mais sobre suas escolhas, sobre os caminhos que procuram, optando pelas músicas de melhor qualidade.

A psicóloga aponta a educação familiar como fator determinante para preferência musical, pois segundo ela, quando a criança aprende desde bebê a escutar músicas com certo gosto musical, além de ser incentivada para leitura, posteriormente este jovem absolverá o mesmo estilo. "Assim eles serão educados nesse meio. Se eles escutarem um estilo de música mais refinada eles vão criar esse tipo de preferência, mas se eles escutarem outro tipo de música, eles terão um repertório variado", explica a psicóloga.

A educadora Rosângela Alves Falcão, trabalhando com jovens há mais de 10 anos, acredita que a baixa qualidade das músicas lançadas pelas rádios não dão opção para os ouvintes, sendo um dos motivos das músicas mais populares estarem na preferência da maioria dos jovens. "O adolescente escuta o que ele tem a disposição dele com mais freqüência, que é justamente a música de má qualidade", diz Rosângela. No entanto, a educadora elogia a atuação da Internet, que tem ajudado o desenvolvimento da leitura, fazendo com que se crie nova linguagem e hábito de ler.

JOVENS - Acostumada a participar das "baladas", como são chamadas as festinhas entre os jovens, a mineirinha Izabela Carvalho dos Santos, 14 anos, diz que não gosta de música brega, como as veiculadas no Programa Tribuna Show, da Rede Record, preferindo o Roque Nacional e o Axé, como as músicas do grupo "Sungas" (baiano), bem tocadas nas rádios e eventos de Belo Horizonte (MG), onde morou. Já a MPB, ela diz gostar, mas não tem hábito de escutar. Em se tratando de leitura, a estudante acha pouco interessante, e revela que anualmente lê apenas dois livros. "Vou mais pelo embalo da música, e não presto muita atenção na letra. A agitação é o que vale, embora que quando estou em minha casa, também curto ouvir músicas de Djavan", conta.

O universitário Paulo Júnior, 19 anos, confessa ser bastante eclético, quando se trata de música, destacando que tudo tem a ver com o momento e o lugar. "Se estou em casa, relaxado, escuto Bossa Nova, MPB e instrumental, mas se saiu para um farra, adora as resenhas das músicas baianas, pagode e dos bregas. Dá mais movimento aos eventos. Sei que a letra é horrível, mas dá pra descontrair bastante" afirma.

Já a estudante Amanda Pastor Andrade, 16 anos, é categórica em afirmar que sua preferência musical é mesmo a MPB, principalmente o repertório dos renomados Caetano Veloso e Gilberto Gil. "Gosto de música que tenha letra. Gosto de música que eu escute e não tenha vergonha de ouvir acompanhada de outras pessoas". Sobre leitura, a estudante conta que lê muito pouco, mas que todo final de semana opta por assistir filmes de vídeo.

Mateus Melo, 16 anos, também diz não gostar dos "bregas que estão na moda", e na hora de escutar música prefere os estilos MPB e Pop Roque, como o grupo internacional Nirvana. "Leio apenas dois ou três livros, por ano. Gosto mesmo é de curtir música".

A pré-universitária Iuara Tié Lima, 17 anos, reconhece que as letras de muitas músicas tendem a baixaria, mas que o ritmo dessas é que agita os eventos. "Gosto de pagode, axé, mas também escuto um Lulu Santos, por exemplo. Sobre leitura, não tenho hábito nem paciência de ler", define a jovem.