Garanhuns, 4 de dezembro de 2004
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Reforma do Colégio Dom João da Mata se arrasta há dois anos

O Colégio Dom João da Mata, tradicional estabelecimento de ensino da rua do Ipiranga, no bairro da Boa Vista, está funcionando há dois anos em instalações precárias numa parte do prédio do Colégio São José, no centro da cidade. O prédio próprio da escola foi desativado para reforma desde 2003, só que esta nunca foi concluída pelo governo do Estado, causando sério problemas para estudantes, professores, funcionários adminsitrativos e até pais de alunos.

Em primeiro lugar, os alunos sofrem porque têm de se deslocar, todos os dias, longas distâncias para chegar até a escola. O prédio do Dom João da Mata fica já no final do bairro da Boa Vista, numa parte alta, distante pelo menos dois quilômetros da rua Dom José, onde funcionam as instalações provisórias do educandário. Além disso, as salas do São José ficam praticamente no "quintal" do colégio particular, sem oferecer nenhum conforto aos estudantes. As salas são quentes, apertadas e levam poeira o dia todo, uma vez que o terreno em volta delas não tem calçamento.

Da mesma maneira são desconfortáveis a sala dos professores, que talvez nem mereça esse nome e a secretaria, as duas localizadas num corredor apertado nas proximidades do banheiro e de um monte de cadeiras entulhadas a esmo. Como não poderia deixar de ser, os que fazem o corpo docente e os alunos reclamam do prédio do São José, torcem para que termine a reforma do prédio próprio do Dom João da Mata, mas ninguém tem a mínima idéia de quando isso poderá acontecer.

Janet Oliveira, aluna do quarto ano normal do Colégio da Boa Vista, considera que as salas em que está funcionando sua escola são completamente inadequadas. Segundo ela, a direção do educandário não sabe informar quando poderão voltar para o prédio da rua do Ipiranga e o jeito é se conformar com a situação atual. Joserlane Cavalcanti, também do quarto ano da escola procura a princípio amenizar as críticas as instalações do Dom José, mas termina por reconhecer muitos dos problemas denunciados por colegas e professores. "As salas são apertadas e quentes mesmo. Além disso aqui é muito longe de casa", declarou.

PRECARIEDADE - A professora Mercês Maia está ensinando pela primeira vez no Dom João da mata este ano, porém é uma das que não tem medo de criticar o "descaso do governo do Estado" por conta da demora em reformar o prédio do colégio. Ela deixa claro que está sendo um verdadeiro sufoco trabalhar nas salas alugadas na rua Dom José, ao afirmar que as instalações são precárias demais, tanto para alunos quanto para professores.

Mesmo os que fazem a direção do colégio reclamam do governo, por conta da demora em se concluir a reforma do prédio original da escola. A secretária do Dom João da Mata, Maria das Dores, a Dorinha, informou que a transferência de um prédio para outro foi feita em 2003, só que neste ano nada foi feito em termos de recuperação do imóvel da rua do Ipiranga. Em 2004 foi que o trabalho começou, mesmo assim já foi paralisado mais de uma vez, por períodos de até 40 dias. "Acredito que a escola só ficará pronta, se ficar, em 2005, assim mesmo lá para o final do ano", revela Dorinha.

A estagiária Ana Paula, que trabalha na Fundac e acompanha alguns adolescentes daquela instituição, que estudam no Colégio Dom João da Mata, é uma das que vivencia diariamente o problema da distância entre as instalações provisórias do estabelecimento de ensino público e a casa dos alunos. "É muito longe mesmo. Seria melhor pra todos que a escola voltasse a funcionar no prédio da Boa Vista", disse Ana.

CARGA HORÁRIA - A diretora da Gere do Agreste Meridional, professora Cleonice Vaz, em entrevista ao Jornal da Sete Segunda Edição, na FM Sete Colinas, reconheceu os problemas da escola estadual e previu que no próximo ano a reforma deve estar concluída. Ela procurou minimizar a questão dizendo que a carga horária dos alunos não está sendo prejudicada com o funcionamento do Dom João da Mata na rua São José.

Já o professor Augusto Souto, da direção local do Sintepe, acusou o governo de não ter compromissos com a educação por conta da demora em concluir a reforma do colégio da rede pública. "Essa mesma situação do Dom João da Mata aconteceu na Escola Francisco Madeiros, o Ceru, que ficou cerca de um ano funcionando em outro local. Na administração de Jarbas educação não é prioridade", criticou o professor.