Garanhuns, 20 de novembro de 2004
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OPINIÃO
 

O esquecimento do Parque de Exposição de Garanhuns

Pedro Jorge Silvestre Valença


Como produtor de leite, e preocupado com o futuro de nossa atividade, tenho vasculhado fatos que vem ocorrendo no Setor Primário, pois cada vez mais estou convencido que a economia da Região esta fundamentada na Pecuária Leiteira e nas Aposentadorias Rurais, já que o Turismo foi abandonado, a Cafeicultura, Avicultura e Floricultura estão em franco declínio. Assim é meu dever alertar, para que sejam tomado providencias e que fatos isolados não sejam concretizados repercutindo negativamente e atravancado o que resta do "pretenso progresso" dos Municípios do entorno de Garanhuns.

Os Fatos e a História: A Secretaria de Agricultura possuía um terreno no final do Bairro da Boa Vista, que se estendia até o vale, onde nasce o Rio Mundaú, ai foi instalada uma Fazenda Experimental, que recebia os Agrônomos e Veterinários recém formados para o último estágio e de lá saiam contratados para assumirem funções nos outros Municípios de Pernambuco. Pela Fazenda passaram quase a totalidade dos Técnicos que se destacaram como Catedráticos, Professores e Dirigentes da Agropecuária do Estado e Nordeste.

Na Fazenda existiam as principais amostras do Setor Primário, desde as mais comuns, como a criação de pequenos e grandes animais, até as mais sofisticadas para a ocasião, como apicultura, Cunicultura, a Avicultura Confinada e experimentos com o Bicho da Seda.

Além do alojamento dos estagiários, casas dos Dirigente e duas para os hospedes, uma era destinada para o Governador e ficava vizinha do Convento do Patronato onde as freiras mantinham um internato para meninas carentes.

A aproximação das lideranças com o Dr. Paulo Guerra, fez com que o Governador adquirisse uma Fazenda na Região e matriculasse os seus filhos no Colégio Diocesano, que de reboque trouxeram Carlos Wilson e mais uma elite de garotos, que hoje se destacam no comando de nosso Estado.

Para homenagear Garanhuns construiu um Parque de Exposição Modelo, que foi inaugurado pelo Ministro Ney Braga e recebeu o nome do pai do Governador, que ainda hoje é o maior do interior nas instalações para bovinos. Nesse tempo Garanhuns foi o centro da Agropecuária do Nordeste, como o Café na área úmida, a Horticultura e a Floricultura em franco progresso e carreou para cá a GISA, a primeira Fabrica de Leite em Pó do Norte e Nordeste, instalada nas proximidades da Fazenda, que depois foi incorporado ao Sistema Industrial do Estado, devido a carência de água, uma parte do terreno, onde nasce Rio Mundaú foi incorporado ao patrimônio da GISA/CILPE.

Na seca de 1970, o Governador Nilo Coelho, a pedido do Coronel Clovis Batista, comandante do 71 BI, abriu uma frete de trabalho na Várzea, sob administração do Agrônomo Haroldo Amaral, que inovou os trabalhos dos chamados "Flagelados da Seca", que não mais trabalhavam por diárias e sim por tarefa, na limpeza de valas, corte de estacas e fabricação de tijolos manuais. Alem de recuperar todo o terreno abandonado, o material foi destinado para construção de baias e cercar do Parque de Exposição João Pessoa Guerra.

O Pólo de Progresso, não parou e foi instalado um Centro de Inseminação Artificial da Fundação Bradesco, o Projeto foi de Ivo Amaral, quando Deputado Estadual em 1984 que destinava 50 hectares para a entidade, 20 retirados da Fazenda e a Cilpe adquiriu 30 hectares de um terreno vizinho e completou a doação.
O Projeto foi aprovado por unanimidade e sancionado pelo Governador Roberto Magalhães.

Outra parte do terreno foi doado a UFRPE, para construção da Clinica de Bovinos, padrão de atendimento para todo Brasil e destinada para os Alunos de. Veterinária

Com a fechamento do Colégio do Patronato, o prédio foi ocupado pelo Batalhão da Polícia Militar e posteriormente foi destinado ao Centro Tecnológico do Leite de Pernambuco, sendo recuperado inicialmente a Capela e está aguardando verbas para início da construção do restante do prédio.

Para abrigar a Secretaria de Agricultura de Garanhuns, foi celebrado um comodato e instalado um escritório que depois foi abandonado para ser concentrado na antiga Cagepe.

Era dever da Prefeitura, manter a vigilância e só devolver ao Estado, depois que esse assumisse integralmente, para que o patrimônio não ficasse abandonado. Mas ocorreu uma saída intempestiva, o que deixou o Maior Parque de Exposição verdadeiramente abandonado.

Do alto da vitória nas urnas, membros do Governo Municipal, resolveram encampar uma solicitação para que o Parque de Exposição, fosse entregue a uma Cooperativa, recém fundada, sem tradição e amparada no número mínimo de cooperados.

A escolha foi autoritária, pois outras Entidades Tradicionais, não foram consultadas e com a nova entidade não tem suporte financeiro, estão sendo convocadas firmas comerciais para fazerem parcerias e explorarem com lucros seus negócios. O Parque é um bem público e não pode abrigar comercio paralelo, mesmo sendo do ramo da Agropecuária, por mais que sejam exemplo de ótimo atendimento.

No Parque de Exposição do Recife, as Cooperativas e Associações que estão instaladas, são específicas só estão voltadas para orientarem aos criadores de Abelha, Curió, Caprinos e Ovinos, são meros condôminos e não participam da administração e obedecem regras rígidas de atuação.

Não existe nenhum exemplo no nosso Estado, de Empresas inseridas nos Parques de Exposição, pois uma Farmácia que existe na Sociedade Nordestina dos Criadores, não fica no interior do Parque de Exposição, e sim em terreno próprio da Sociedade, que foi construída com os recursos dos Pecuaristas, que adquiriram títulos de Sócios Remidos com a finalidade específica para compra a antiga sede da Rua da Hora , no Recife e construção do Palácio da SNC, que fica vizinho do Parque de Exposição do Recife. Em Garanhuns, fazem parte dessa seleta listagem de Sócios Remidos da SNC,: Amilcar da Mota Valença, Warner Silva e o signatário .

Nas coisas ligadas a Agropecuária, minha tolerância é zero , então comuniquei ao Secretário da Agricultura, através de um documento que relatava todo o exposto acima e sugeria que o Parque, fosse incorporado a futura Unidade da Universidade Federal Rural de Pernambuco no Agreste.

Nesta semana estive com o Secretário da Agricultura, que me garantiu que já comunicou ao Reitor da UFRPE, a doação do Parque de Exposição de Garanhuns e que será formalizada em breve.

Essa área com certeza fará parte das Futuras Unidades da UFRPE - Agreste, cujo protocolo de intenção já foi assinado pelos Ministros da Educação e Ciência e Tecnologia e Reitores das Universidades Federais de Pernambuco.

Garanhuns, como centro da Bacia Leiteira do Estado, que fornece 85 % do leite para as Empresas Inspecionadas e Fabricas de Queijo de Pernambuco, não é dona do Parque , que moralmente pertence a todo o Agreste Meridional.

Vamos esperar que nossas Exposições voltem a acontecer com toda imponência do passado pois estamos limitados praticamente a Garanheta e o Festival do Inverno, que ainda existem, possivelmente com receio dos protestos do seu idealizador e criador..

A última notícia é que o ex-governador e ex-senador e hoje Presidente da INFRAERO o Dr. Carlos Wilson, está encabeçando uma campanha para que as Futuras Faculdades ligadas a UFRPE, tomem o nome do Monsenhor Adelmar da Mota Valença , é louvável a idéia do ex-Aluno do Colégio Diocesano de Garanhuns.


Pedro Jorge Silvestre Valença é economista e produtor de Leite.