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Vereadores querem tirar Silvino do Cargo
Uma investigação do Tribunal de Contas do Estado,
através da Inspetoria de Palmares, encontrou irregularidades
na prefeitura de Garanhuns. Segundo os técnicos do TCE, o
Poder Público realizou compras de medicamentos e material
hospitalar com preços superfaturados. A transação
teria causado prejuízos da ordem de R$ 120 mil reais ao município.
Além disso, a prefeitura de Garanhuns está sendo
investigada por realizar fracionamento de licitações
e assim se enquadrar de forma adequada nas concorrências.
Por conta de tudo isso, o Tribunal solicitou uma auditoria especial
nas contas de Silvino Andrade, que depois de conseguir fazer o seu
sucessor termina o seu mandato sob suspeita de improbidade administrativa.
Após as notícias das irregularidades na prefeitura,
publicadas no Jornal do Commercio e no Diário Oficial do
Estado, os vereadores do município, eu sua maioria em oposição
ao governo de Silvino, se reuniram e resolveram aprofundar o cerco
ao governante. Com base nos dados do TCE e por conta do Executivo
não atender os sucessivos pedidos de informação
da Câmara, foi dado entrada, através do vereador João
Inocêncio, a um pedido de impeachment (afastamento) do prefeito
de Garanhuns.
A ação dos vereadores contra o líder político
local terminou merecendo destaque esta semana nos três jornais
da capital, Folha de Pernambuco, Diario de Pernambuco e Jornal do
Commercio. Este último chegou a dar uma chamada de primeira
página em cima do assunto, além de publicar matéria
nas páginas internas com amplos detalhes da polêmica
e uma foto do prefeito.
Segundo o JC, Silvino pode perder o cargo no final do mandato porque
10 dos 15 vereadores impetraram na Câmara pedido de impeachment
sob argumento de improbidade administrativa e negativa em atender
pedidos de informações por parte dos parlamentares.
O grupo atingiu o número mínimo de assinaturas para
oficializar o pedido. O presidente da Câmara, Sinvaldo Albino
(PSDB), governista, encaminhou o requerimento à procuradoria
da Casa, que deve se pronunciar em 15 dias, segundo a oposição.
Em viagem de descanso, segundo informação dada ao
JC por telefone, em sua residência, Silvino Duarte não
retornou a ligação. O pedido de impeachment se baseia
em dois atos administrativos, que a oposição acusa
de irregulares. Um dos atos foi denunciado ao Tribunal de Constas
, em novembro de 2002, ao Tribunal de Justiça e ao Ministério
Público Estadual. O prefeito assinou contrato no valor de
R$ 52 mil reais, pelo qual o contratante deveria prestar serviço
de abastecimento de água em escolas e cisternas comunitárias,
por meio de três caminhões-pipa, por sete meses, no
ano de 2001.
O vereador oposicionista José Carlos dos Santos (PTB) descobriu
que dos três veículos identificados por placas, só
um seria caminhão-pipa, sendo os outros um Gol e um Uno.
O parlamentar fez, então, a denúncia ao TCE.
A segunda irregularidade viria, de acordo com o deputado Izaías
Régis (PTB), que divulgou na Assembléia legislativa,
viria com a contratação de um escritório de
advocacia do Recife. "Para se defender, o prefeito contratou
por R$ 240 mil o escritório Urbano Vitalino Advogados Associados",
revelou o deputado. O escritório de advocacia assegurou,
por outro lado, que a prefeitura fez um contrato para o acompanhamento
dos processos que correm no TCE, no TJ e no Ministério Público,
com validade de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, no valor de
R$ 240 mil, divididos em parcelas mensais de R$ 10 mil. "São
honorários pelo acompanhamento dos processos e suporte à
assessoria jurídica municipal", esclareceu o advogado
Ivo Tinô Amaral Júnior, que prometeu apresentar cópia
do contrato. "Para a defesa do caso dos carros-pipa, o prefeito
fez um contrato particular com o advogado Urbano Vitalino (falecido),
que eu assumi, no valor de R$ 5 mil, divididos em 20 parcelas de
R$ 250,00", revelou o advogado..
Já a Folha de Pernambuco destaca que os oposicionistas acataram
uma denúncia datada de novembro de 2002, onde o vereador
José Carlos dos Santos (PTB) levanta suspeitas sobre um contrato
assinado pela Prefeitura, no valor de R$ 52.500,00, para a contratação
de três caminhões-pipa que abasteceriam cisternas comunitárias
e escolas da zona rural. O parlamentar verificou que dois dos veículos
eram, na verdade, automóveis de passeio, um Fiat Uno e um
Gol, de placas KFJ-0331 e KFG-3644. A denúncia foi encaminhada
ao Tribunal de Justiça, que, este ano, decidiu ser o julgamento
de responsabilidade da comarca de Garanhuns.
Outra acusação levantada pelos oposicionistas, afirma
que o prefeito não vem atendendo aos pedidos de informação
formulados pelos vereadores. De acordo com a Lei Orgânica
do Município, a administração municipal tem
um prazo de 45 dias para responder esse tipo de requerimento. "Tornou-se
uma prática de Silvino, desde o início do mandato,
deixar esses pedidos sem qualquer resposta. Somente esse fato, segundo
a Lei Orgânica, já é suficiente para embasar
um pedido de cassação", lembrou José Carlos
dos Santos.
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