Garanhuns, 6 de novembro de 2004
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OPINIÃO
 

Universidade Federal Rural de Pernambuco no Agreste

Pedro Jorge Valença


Pernambuco apresenta-se com uma configuração irregular, uma linha costeira de apenas 187 km e na direção LesteOeste, seu território se alonga por 748 km. Possuindo vários aspectos climáticos e fitogeográficos, conseqüência de diversas formas de combinações agrárias, daí a divisão em quatro regiões: Litoral , Mata, Agreste e Sertão, que são caracterizadas por seu clima, solos, aptidões agrícolas e sua economia rural, fruto de uma longa adaptação dos seus habitantes.

O Litoral e a Mata de clima úmido, contrasta o Sertão seco e entre eles está localizado o Agreste, que é uma região de transição, apresentando áreas úmidas e semi-áridas.

Ao Sul, ergue-se o planalto de Garanhuns, com elevação máxima de 1.035 m., de clima úmido na parte Meridional e ao Oeste e Nordeste clima típico do semi-árido, com vegetação de caatinga, ao Leste e no entorno de Cidade, extensas regiões aplainadas com altitudes médias de 750 m. de solo arenoso e pouco espesso.

Garanhuns, fica praticamente no centro de todos os climas e solos do Estado, condições ideais para localizar as Unidades da Universidade Federal Rural de Pernambuco, daí o título desse documento, retirado de um baião de Luiz Gonzaga, que caminhou 105 km: para ir a um forró:

Valeu a pena andar, Dezessete Léguas e Meia.

Além das condições geográficas Garanhuns foi o berço do ensino do interior de Pernambuco, quando a juventude do Agreste Meridional, Sertão do Moxotó, Mata Sul e os encostos do Estado de Alagoas, procuravam os três grandes Colégios, que foram responsáveis pela formação cultural e do caráter de milhares de alunos que saíram das suas bancas para assumirem o comando de importantes cargos do setor público e privado de todo Brasil .

No rastro dos Colégios 15 de Novembro, Santa Sofia e Diocesano, que alem de instruir criava verdadeiros amigos, outras Casas de Cultura se destacaram, como os Colégio Estadual, Ginásio do Arraial e o Colégio Municipal, que na década de 60, possuía o maior Corpo Discente de Pernambuco. Três Seminários, um Secular Menor, outro Beneditino e um Batista, eram exemplos do ensino religioso. Grande número de Grupos do Ensino Fundamental abasteciam o nível médio de um alunado preparado intelectualmente. Atualmente nossas Faculdades são exemplo de ensinamento, aliadas a quase uma dezena de novos Colégios e centenas de Casas de Ensino.

A luta para trazer a UFRPE, para Garanhuns vem do ano de 1969, quando o Bispo Dom Milton Pereira, Presidente da CODEAM, o Coronel Gabriel Duarte, Comandante do 71 BI, Estudante Otávio Augusto Cavalcanti, o Deputado Souto Dourado e Prefeitos da Região, fizeram as primeiras reivindicações, imediatamente apoiadas pelos Professores Humberto Carneiro e Antônio Coelho da UFRPE e Alexandre Rodrigues da Faculdade de Economia. Levados pelo Deputado Aderbal Jurema Prefeitos Membros da CODEAM, foram a Brasília reivindicar do Ministro da Educação Jarbas Passarinho a instalação dos Cursos da UFRPE. O movimento tomou vulto, mas encontrou restrições do Conselho Universitário da Rural, que receosos, adotavam o refrão dos estudante da UFRPE que depois de conhecer as praias, não mais voltavam para o interior : " Quem faz carreira no mato é veado"

Com a eleição do Reitor Adierson Erasmo, na UFRPE , e o esforço do Coronel Clovis Batista, Comandante do 71 BI o movimento se intensificou, chegando a receber alguns alunos para estagiar em Garanhuns, que ficavam hospedados no Quartel. Ivo Amaral quando Prefeito e depois Deputado, continuou a luta que redundou na instalação da Clinica de Bovinos, onde os alunos de Veterinária fazem estágios práticos. Dr. Antônio João Dourado, Presidente da CODEAM, voltou a luta e tentou um convênio para aperfeiçoar tratadores e ordenhadores na Clinica de Bovinos mas com a saída do Ministro Cristovam Buarque, o pleito esfriou.

Hoje o Deputado Estadual Izaias Regis, se destaca no sentido de trazer a UFRPE, para Garanhuns, visitando o Ministro e fazendo pronunciamentos na Assembléia.

Essa avalanche de pleitos culminou com a vinda a Garanhuns dos Ministros da Educação e Ciências e Tecnologia, que juntamente com os Reitores das Universidades Federais, assinaram um protocolo de intenções para instalação da UFRPE Agreste , em nossa Cidade.

Garanhuns teve um filho que não passou pelas bancas dos nossos Colégios, pois precisou deixar nossa terra para depois de muita luta, assumir a Presidência do Brasil e hoje está devolvendo a sua terra natal, uma reivindicação que vem do ano de 1969 e por ela muitas lideranças se empenharam.

Naquela época , Amilcar da Mota Valença, meu pai, era o Prefeito de Garanhuns e o signatário o Secretário Geral da CODEAM.