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CORREIO DOS BICHOS
Bruno Neves Wanderley
Saiba um pouco mais sobre adestramento.
Gostaria de saber a diferença entre adestramento de obediência,
de ataque, de defesa, e de guarda. E qual é o mais indicado?
A primeira e mais importante fase do aprendizado canino, chama-se
adestramento de obediência, antes de pensarmos em adestrar
nosso cão para a defesa, ataque e guarda, devemos mesmo,
adestrá-lo muito bem para obediência, e se este adestramento
for realizado de forma incorreta onde o cão "aprenderá"
a temer seu "condutor" não teremos jamais um cão
para as fase seguintes do aprendizado, pois teremos um cão
talvez bravo mais inseguro e obviamente temeroso.
No adestramento de obediência o cão aprenderá
inicialmente a respeitar, e principalmente a confiar em seu condutor
(seja ele o adestrador, ou seus donos), alguns adestradores iniciam
este treinamento de respeito e confiança com os cães
e seus proprietários logo aos 4 meses de idade e só
aos 6 meses iniciam então o treinamento propriamente dito
de obediência, tais como: o senta, o fica, o deita, o junto,
o larga, o aqui e o atenção, o cão e seus donos
só estarão aptos a passar para próxima fase
do adestramento após exercerem com presteza e sem o auxílio
do guia todos os comandos dentro ou fora de sua residência;
nesta fase, o tempo de aprendizado sofrerá variações
que poderá variar muito conforme a raça, o sexo, a
idade inicial, os métodos e a freqüência do adestramento,
e ainda das individualidades de cada cão e seus donos.
Logo após o adestramento de obediência o cão
passará para a segunda fase e aprenderá o que denominamos
de adestramento de defesa, ou seja, ele só irá demonstrar
sinais de agressividade quando ele ou seu condutor forem ameaçados.
Nesta fase do adestramento o cão fica ao lado do condutor,
na guia, e o cobaia ameaça-os com movimentos agressivos.
Neste momento o cão é incentivado a defender seu condutor
que está sendo atacado pelo cobaia, numa reação
de defesa.
É nesta fase que será testada a aptidão ou
não do cão para o treinamento de ataque e guarda,
e só continuaremos o adestramento dos cães com temperamento
equilibrado, cães que apresentem algum desvio de comportamento
(inseguros, medrosos e excessivamente violentos entre outros) não
deverão ser adestrados para ataque ou guarda.
Na terceira fase de treinamento, teremos um cão completamente
obediente, que responderá imediatamente aos nossos comandos
e só faremos o adestramento de ataque aos poucos cães
aptos para tal função. Nesta fase o cão é
incentivado a atacar, encurralar e imobilizar quando preciso for
qualquer pessoa sob nosso comando, mesmo que não haja nenhuma
ameaça aparente.
A quarta fase do treinamento será o adestramento de guarda.
Nesta fase o cão irá atacar qualquer estranho que
tentar invadir a sua propriedade ou que tente chegar perto de um
objeto a ser guardado. Nesta fase o cão não precisa
mais que o dono esteja por perto ou que seja dado um comando para
ele executar o trabalho.
Lembre-se: Não é qualquer treinador que é bom
para avaliar e treinar o seu cão e, principalmente, não
é qualquer dono que pode ter um cão treinado para
defesa, ataque ou guarda. Vale lembrar que cães adestrados
precisam de reforços periódicos de adestramentos realizados
por profissionais competentes.
Muitas pessoas ao adquirirem um cão de "guarda"
e "feroz", não adestram-no ou o que é pior,
ensinam-lhe o comando de ataque com o famoso "pega" simplesmente
por que querem possuir um cão bravo mesmo sob o risco de
estar criando um futuro "assassino" independentemente
da raça do animal. São estas pessoas os verdadeiros
responsáveis por tantos acidentes ultimamente vistos provocados
por cães.
Sempre que lemos as várias notícias trágicas
de cachorros que atacaram pessoas e crianças, com mortes
e mutilações, não nos ocorre que muitas pessoas
que possuem cães para a guarda não estão cientes
da responsabilidade e do perigo que é ter um animal destes
em casa. Como profissional da área, tive a oportunidade de
ver e observar vários tipos de cães. Alguns mansos,
outros agressivos, alguns neuróticos, outros inteligentes,
alguns brincalhões, outros sérios, e poucos realmente
equilibrados.
A maioria das pessoas quando pensa num cão de guarda, pensa
logo nos cães da polícia: cachorros muito bem treinados,
precisos no ataque de bandidos e sob controle total de seu dono.
Mas no Brasil, muitos daqueles que possuem "cães de
guarda" nunca procuraram um treinador profissional, nunca trabalharam
com seus cachorros, nunca socializaram estes animais. Poucos se
preocuparam com a índole do animal antes de comprá-lo
e partem do pressuposto de que cachorro de guarda tem que ser muito
bravo. Acreditam que o cão deve ficar preso o dia todo e
só ser solto durante a noite que é para não
ficar amigo de estranhos.
Pode parecer estranho, mas os cachorros escolhidos para o policiamento
não são aqueles que apresentam propensão para
a agressividade. Muito pelo contrário. Os melhores cães
para a polícia são os que apresentam maior poder concentração
e vontade de brincar. Para estes cães, não existe
motivo algum para temer ou odiar pessoas estranhas. Para que sejam
confiáveis e úteis na segurança da população,
eles, os cães da polícia, têm que ser dóceis
e mansos quando andando no meio das pessoas. Numa rua cheia, eles
devem se manter sempre do lado esquerdo de seus companheiros policiais
e aceitar com prazer os carinhos das crianças que nunca se
cansam de admirar tão belo animal.
O ataque para estes cachorros não é pessoal, ou seja,
eles não são treinados para ter raiva, ou perseguir
nenhum grupo de pessoas específico, nem tampouco para serem
agressivos ou arredios com estranhos. Estes cães são
treinados para gostar de um jogo, uma brincadeira muito excitante
que é pegar o cara mau. Isso mesmo, para o cachorro tudo
não passa de uma brincadeira, que ele gosta muito, de imobilizar
e morder uma pessoa que seu dono mandou pegar. O cão nunca
vai iniciar uma perseguição ou um ataque sem que ele
tenha sido comandado. Claro que este comando não precisa
ser unicamente verbal. Um movimento brusco por parte da pessoa que
está sendo investigada, ou a tentativa de fuga desta pessoa
pode ser a "deixa" para uma imobilização.
A visão de uma arma, a agressão ao dono por parte
do suspeito, ou um discreto comando físico pode ser suficiente
para o cão iniciar um ataque. Os cães escolhidos para
se tornar um cão de guarda devem fazer parte da família.
Conviver com as crianças, brincar no quintal e ser companheiro
inseparável de seus donos.
Qualquer pessoa que deseja ter um cão de guarda deveria
ter os mesmos cuidados que a polícia. Escolher a raça
mais adequada. Investigar o temperamento dos pais do filhote e evitar
qualquer animal que apresente sinais de agressividade excessiva
ou medo e desconfiança de pessoas estranhas. Socializar o
filhote e educá-lo com amor e paciência para que ele
cresça confiante e tranqüilo. Fazer com que este animal
participe da vida da família, fortalecendo os laços
de amizade entre cão e humanos. Procurar um treinador profissional
competente e capaz e solicitar uma avaliação do animal,
aceitando se o parecer deste treinador for contrário ao treinamento
do cachorro para guarda. Participar ativamente das seções
de treinamento do cachorro. Prover alimentação e cuidados
veterinários adequados. E, principalmente, ser responsável
pelo animal e pela segurança das pessoas que trabalham ou
visitam a sua residência.
Para evitar tantas tragédias como as que aparecem nos jornais
todos os anos é preciso lembrar que um cachorro não
é capaz de distinguir a diferença entre um atleta
fazendo jogging ou um ladrão correndo em disparada; entre
um bandido escondido num beco ou uma criança brincando de
esconde-esconde; entre um ladrão atacando seu dono, ou apenas
um amigo mais espalhafatoso.
Em última análise, um bom cão de guarda só
precisa dar o alarme, latindo, na hora em que uma pessoa estranha
se aproximar da casa para que o dono possa tomar as medidas necessárias
para a proteção de seu patrimônio. A falsa segurança
que as pessoas sentem quando possuem um cachorro feroz em casa pode
ser fatal para os donos, para pessoas de bem e principalmente para
crianças curiosas e indefesas diante de tamanha fúria.
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