Garanhuns, 6 de novembro de 2004
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Violência continua assustando população de Garanhuns

Núbia Kênia


Nos últimos dias Garanhuns foi tomada por um surto de assaltos e homicídios de repercussão, que estão deixando a população com medo não só de sair as ruas, mas também correndo riscos de ficar até dentro de casa, como noticiou o Correio Sete Colinas na última edição. Primeiro foram os assaltos às residências da advogada e ex-secretária de Turismo Ielma Lucena, e do seu vizinho, Sargento Melo. Depois o assassinato do comerciante conhecido por Zé Raça, e da estudante Raphaela Brito Cavalcanti, 18 anos, encontrada morta no dia 26, em um terreno baldio, às margens da av. João Calado Borba, Heliopólis.

Sobre esses dois homicídios citados acima, a delegada Débora Bandeira, titular da 2ª DP de Garanhuns e responsável pelos inquéritos policiais, disse que não pode adiantar muito sobre os crimes, por se tratarem de casos bastante complexos. "As investigações ainda estão muito preliminares, então para que as investigações não sejam atrapalhadas, e o inquérito venha a sofrer danos, achamos por bem manter as informações sob sigilo", declara.

Mas as investidas dos bandidos não ficam por aí, e não poupam nem área de proteção militar, como ocorreu na madrugada do último domingo, dia 30, quando o decorador Marcos Lima, mais conhecido por Marquinhos, teve seu carro arrombado no estacionamento do Circulo Militar de Garanhuns, onde corriqueiramente são realizados eventos. "Estou indignado com esse fato, principalmente porque ao recorrer a guarda de plantão do exército, logo depois de perceber o assalto, não tive nenhum apoio dos militares de plantão, que se omitiram até em me dá uma declaração para eu anexar a queixa policial, afirmando que o assalto teria ocorrido naquela área militar. Não é só pelo prejuízo que tive, com o roubo do som, dinheiro, documentos e celular, mas o fato de ali ser uma área de proteção militar, onde pensamos que estamos seguros. Se for o caso, vou procurar meus direitos, afirma Marcos Lima.

Outra vítima das investidas dos assaltantes está semana foi o secretário de Turismo da cidade, Ivan de Oliveira Gomes Júnior, que teve dinheiro, cartão de crédito, documentos e um aparelho de som MP3, roubados do interior do seu veículo estacionado em frente a sua residência, localizada na Rua Idelfonso Lopes, Heliopólis, mesma rua onde reside a advogada Ielma Lucena. "Confio no trabalho da polícia, mas acredito que esse tipo de delito pode ter sido praticado por menores de idade, e aí a polícia não pode fazer muito coisa, pois prende o menor, mas a Lei solta, e logo eles estão nas ruas roubando novamente", ressalta Ivan.

O radialista Luciano Andrade, também foi vítima dos criminosos. Ele teve seu veículo arrombado, na garagem de sua casa e todos os pertences roubados.

Porém, não é só a população da cidade que vem sofrendo com as investidas dos criminosos, mas também os moradores da pacata zona rural, embora na maioria das vezes não prestem queixa a polícia porque acham que pouco pode ser feito pelos policiais, e também temem represália dos bandidos, que além da violência que praticam ameaçam as vítimas de morte, caso sejam identificados. "Estava em uma festa em um sítio, perto da cohab III, há uns 8 dias, quando chegaram mais de 10 homens, anunciaram o assalto e levaram todos os pertences das pessoas presentes no evento. Não prestamos queixa à polícia porque corremos o risco de perder a vida, e porque a polícia faz pouco por nós", desabafa uma vítima que não quis se identificar.

Estas ocorrências levaram o Ministério Público a promover uma Audiência Pública, sem data ainda não marcada, com autoridades locais, lideranças, e população, que possam cumprir com essa questão de segurança pública, para regimentar essa força e fazer com que a sociedade reaja a essa investida. "O cidadão tem que participar da segurança pública denunciando, informando a polícia e Justiça para que estes possam agir com rapidez", explica o promotor Alexandre Bezerra.

O promotor diz também que vai cobrar do comando da PM local, do coronel Plínio particularmente, que desenvolva uma ocupação estratégica no município, pois Polícia Militar tem a obrigação de fazer o policiamento preventivo, mas o policiamento não tem sido feito a contento. "É necessário considerar que o crime não tem dia, hora e nem local para acontecer, é por isso que o combate é difícil. Mas de qualquer forma os órgãos operativos da PM poderiam estar melhor lançados no campo. Sabemos da boa vontade dos policiais, mas sabemos também que faltam recursos materiais e estrutura. Porém, isso não pode impedir a ação da própria policia. O que existe, na verdade na minha avaliação, é a falta de comando, este é o problema principal da PM em Garanhuns. O comandante que parece ter começado muito bem o seu trabalho se afastou um pouco das ruas, se isolou no batalhão militar. Do outro lado, é a deficiência da própria polícia civil, que não consegue apurar os crimes em um tempo razoavelmente, pois as investigações, na maioria das vezes, não possuem qualidade, e isso compromete até o trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário", enfatiza Alexandre Bezerra.

Em contrapartida o subcomandante do 9º BPM de Garanhuns, Major Esdras Rodrigues, que está a frente do batalhão, enquanto o coronel Plínio Chaves se recupera de problemas de saúde, afirma que a PM está trabalhando firmemente para coibir a ação de marginais na cidade. Para isso, estão sendo colocando mais homens nas ruas. "Diminuímos o horário de expediente, fazendo com que o policial que trabalhava normalmente seis horas na parte administrativa e seis horas nas ruas, agora está trabalhando apenas três horas na administração, e o tempo restante nas ruas, para melhorar o policiamento ostensivo. Além disso, já temos o levantamento de quem são esses bandidos e em um curto espaço de tempo eles serão presos", revela o Major.

O subcomandante também revela que através desses levantamentos, a polícia constatou que em relação ao ano passado, a violência diminuiu bastante na cidade, tendo sido registrado apenas 4 homicídios, neste mês de outubro (até dia 29), em relação ao ano anterior, onde nesse mesmo período ocorreram 23 homicídios, isso nos 21 municípios que compreendem a área de atuação do 9º BPM.

Entretanto, por conta do aumento de ocorrências, o subcomandante informa que foi colocado uma viatura fixa no bairro de Manoel Chéu e Várzea, onde não existia, pois antes era feito apenas serviço de blitz.

Já o delegado Mozart Araújo, responsável que Delegacia Regional, sediada em Garanhuns, que também compreende 21 municípios, explica que nos crimes contra a vida, está em andamento o Plano Integrado Regional de Redução de Homicídio, onde existem ações especificas, sistemática das policias civis e militar, buscando reduzir as incidências criminais.

"As delegacias estão trabalhando quanto aos roubos, havendo a investigação, pois nossa cultura é de primeiro investigar, depois prender. Precisamos também do apoio da sociedade para que denuncie. É uma questão de tempo, e nós vamos conseguir dar respostas a população", finalizou o delegado.