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Violência continua assustando população
de Garanhuns
Núbia Kênia
Nos últimos dias Garanhuns foi tomada por um surto de assaltos
e homicídios de repercussão, que estão deixando
a população com medo não só de sair
as ruas, mas também correndo riscos de ficar até dentro
de casa, como noticiou o Correio Sete Colinas na última edição.
Primeiro foram os assaltos às residências da advogada
e ex-secretária de Turismo Ielma Lucena, e do seu vizinho,
Sargento Melo. Depois o assassinato do comerciante conhecido por
Zé Raça, e da estudante Raphaela Brito Cavalcanti,
18 anos, encontrada morta no dia 26, em um terreno baldio, às
margens da av. João Calado Borba, Heliopólis.
Sobre esses dois homicídios citados acima, a delegada Débora
Bandeira, titular da 2ª DP de Garanhuns e responsável
pelos inquéritos policiais, disse que não pode adiantar
muito sobre os crimes, por se tratarem de casos bastante complexos.
"As investigações ainda estão muito preliminares,
então para que as investigações não
sejam atrapalhadas, e o inquérito venha a sofrer danos, achamos
por bem manter as informações sob sigilo", declara.
Mas as investidas dos bandidos não ficam por aí,
e não poupam nem área de proteção militar,
como ocorreu na madrugada do último domingo, dia 30, quando
o decorador Marcos Lima, mais conhecido por Marquinhos, teve seu
carro arrombado no estacionamento do Circulo Militar de Garanhuns,
onde corriqueiramente são realizados eventos. "Estou
indignado com esse fato, principalmente porque ao recorrer a guarda
de plantão do exército, logo depois de perceber o
assalto, não tive nenhum apoio dos militares de plantão,
que se omitiram até em me dá uma declaração
para eu anexar a queixa policial, afirmando que o assalto teria
ocorrido naquela área militar. Não é só
pelo prejuízo que tive, com o roubo do som, dinheiro, documentos
e celular, mas o fato de ali ser uma área de proteção
militar, onde pensamos que estamos seguros. Se for o caso, vou procurar
meus direitos, afirma Marcos Lima.
Outra vítima das investidas dos assaltantes está
semana foi o secretário de Turismo da cidade, Ivan de Oliveira
Gomes Júnior, que teve dinheiro, cartão de crédito,
documentos e um aparelho de som MP3, roubados do interior do seu
veículo estacionado em frente a sua residência, localizada
na Rua Idelfonso Lopes, Heliopólis, mesma rua onde reside
a advogada Ielma Lucena. "Confio no trabalho da polícia,
mas acredito que esse tipo de delito pode ter sido praticado por
menores de idade, e aí a polícia não pode fazer
muito coisa, pois prende o menor, mas a Lei solta, e logo eles estão
nas ruas roubando novamente", ressalta Ivan.
O radialista Luciano Andrade, também foi vítima dos
criminosos. Ele teve seu veículo arrombado, na garagem de
sua casa e todos os pertences roubados.
Porém, não é só a população
da cidade que vem sofrendo com as investidas dos criminosos, mas
também os moradores da pacata zona rural, embora na maioria
das vezes não prestem queixa a polícia porque acham
que pouco pode ser feito pelos policiais, e também temem
represália dos bandidos, que além da violência
que praticam ameaçam as vítimas de morte, caso sejam
identificados. "Estava em uma festa em um sítio, perto
da cohab III, há uns 8 dias, quando chegaram mais de 10 homens,
anunciaram o assalto e levaram todos os pertences das pessoas presentes
no evento. Não prestamos queixa à polícia porque
corremos o risco de perder a vida, e porque a polícia faz
pouco por nós", desabafa uma vítima que não
quis se identificar.
Estas ocorrências levaram o Ministério Público
a promover uma Audiência Pública, sem data ainda não
marcada, com autoridades locais, lideranças, e população,
que possam cumprir com essa questão de segurança pública,
para regimentar essa força e fazer com que a sociedade reaja
a essa investida. "O cidadão tem que participar da segurança
pública denunciando, informando a polícia e Justiça
para que estes possam agir com rapidez", explica o promotor
Alexandre Bezerra.
O promotor diz também que vai cobrar do comando da PM local,
do coronel Plínio particularmente, que desenvolva uma ocupação
estratégica no município, pois Polícia Militar
tem a obrigação de fazer o policiamento preventivo,
mas o policiamento não tem sido feito a contento. "É
necessário considerar que o crime não tem dia, hora
e nem local para acontecer, é por isso que o combate é
difícil. Mas de qualquer forma os órgãos operativos
da PM poderiam estar melhor lançados no campo. Sabemos da
boa vontade dos policiais, mas sabemos também que faltam
recursos materiais e estrutura. Porém, isso não pode
impedir a ação da própria policia. O que existe,
na verdade na minha avaliação, é a falta de
comando, este é o problema principal da PM em Garanhuns.
O comandante que parece ter começado muito bem o seu trabalho
se afastou um pouco das ruas, se isolou no batalhão militar.
Do outro lado, é a deficiência da própria polícia
civil, que não consegue apurar os crimes em um tempo razoavelmente,
pois as investigações, na maioria das vezes, não
possuem qualidade, e isso compromete até o trabalho do Ministério
Público e do Poder Judiciário", enfatiza Alexandre
Bezerra.
Em contrapartida o subcomandante do 9º BPM de Garanhuns, Major
Esdras Rodrigues, que está a frente do batalhão, enquanto
o coronel Plínio Chaves se recupera de problemas de saúde,
afirma que a PM está trabalhando firmemente para coibir a
ação de marginais na cidade. Para isso, estão
sendo colocando mais homens nas ruas. "Diminuímos o
horário de expediente, fazendo com que o policial que trabalhava
normalmente seis horas na parte administrativa e seis horas nas
ruas, agora está trabalhando apenas três horas na administração,
e o tempo restante nas ruas, para melhorar o policiamento ostensivo.
Além disso, já temos o levantamento de quem são
esses bandidos e em um curto espaço de tempo eles serão
presos", revela o Major.
O subcomandante também revela que através desses
levantamentos, a polícia constatou que em relação
ao ano passado, a violência diminuiu bastante na cidade, tendo
sido registrado apenas 4 homicídios, neste mês de outubro
(até dia 29), em relação ao ano anterior, onde
nesse mesmo período ocorreram 23 homicídios, isso
nos 21 municípios que compreendem a área de atuação
do 9º BPM.
Entretanto, por conta do aumento de ocorrências, o subcomandante
informa que foi colocado uma viatura fixa no bairro de Manoel Chéu
e Várzea, onde não existia, pois antes era feito apenas
serviço de blitz.
Já o delegado Mozart Araújo, responsável que
Delegacia Regional, sediada em Garanhuns, que também compreende
21 municípios, explica que nos crimes contra a vida, está
em andamento o Plano Integrado Regional de Redução
de Homicídio, onde existem ações especificas,
sistemática das policias civis e militar, buscando reduzir
as incidências criminais.
"As delegacias estão trabalhando quanto aos roubos,
havendo a investigação, pois nossa cultura é
de primeiro investigar, depois prender. Precisamos também
do apoio da sociedade para que denuncie. É uma questão
de tempo, e nós vamos conseguir dar respostas a população",
finalizou o delegado.
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