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O papel das oposições
Luiz Carlos de Oliveira ganhou com folga a eleição
de Garanhuns, em relação ao seu concorrente mais próximo,
Bartolomeu Quidute. Foram mais de cinco mil votos de vantagem. Mas
o ex-prefeito também obteve uma votação expressiva
e é um patrimônio político que ele terá
de saber administrar, porque senão esses quase 20 mil eleitores
desaparecem em pleitos futuros, como aconteceu com os seguidores
de José Inácio e Ivo Amaral.
O promotor Alexandre Bezerra também obteve uma boa votação,
levando-se em conta que está há pouco tempo em Garanhuns,
foi abandonado pelo próprio partido e não teve recursos
financeiros para sua campanha. Seus 6.202 votos podem multiplicar-se,
em eleições futuras, ou podem minguar, como aconteceu
com Almir Penaforte depois de 1996. Depende de como o petista irá
gerir esse patrimônio político.
O vereador Givaldo Calado, do PPS, saiu menor do que entrou do
último pleito. Foram apenas três mil e poucos votos,
quando em 1988, com um eleitorado muito menor, chegou perto dos
cinco mil sufrágios. Mesmo assim o parlamentar poderá
somar, no futuro, se tiver humildade de reconhecer erros e capacidade
de fazer alianças.
Paulo Camelo, do PSTU, de certo modo teve uma votação
maior do que a de Givaldo e equivalente a do promotor. Como, se
o socialista conquistou nas urnas menos de 800 votos? Ora, o engenheiro
e ex-funcionário do Banco do Brasil fez campanha sozinho,
praticamente sem chapa proporcional, com tempo mínimo no
rádio e nenhum recurso. Chegar perto dos mil votos com esse
discurso de teleférico foi demais para o Camelo.
Juntos, os oposicionistas obtiveram mais de 30 mil votos, perto
de 55% dos sufrágios do povo de Garanhuns. Parece que tivemos
um banho do candidato do governo, por conta dos seus mais de 25
mil votos, mas não é bem assim. Olhando os números,
temos uma cidade dividida, inclinada a mudanças, sejam elas
radicais ou moderadas.
Cabe à oposição refletir essa realidade, deixar
de triunfalismos e buscar no futuro a unidade que faltou no presente.
Cabe fiscalizar o trabalho de Luiz Carlos, cobrar as promessas de
campanha e continuar lutando por mudanças de verdade para
Garanhuns.
A história nos ensina que os vitoriosos de hoje podem ser
os derrotados de amanhã, e os que amargaram o choro agora
podem sorrir no futuro. Miterrand na França perdeu cinco
eleições. Quando ganhou a primeira ficou no poder
16 anos. O nosso Lula perdeu três e conquistou uma bela vitória
na quarta tentativa.
Mas sempre, por trás da vitória, está um trabalho
de costura, de conversas, de alianças (se preciso até
à direita), em torno de quem tem melhores chances de levar
determinado projeto adiante. Ninguém ganha sozinho, com bravatas
e exibicionismos.
Bartolomeu, Alexandre, Givaldo e Paulo Camelo, se pensam mesmo
em Garanhuns, se não têm projetos meramente pessoais,
devem sentar para conversar. Discutir o município, aparar
as arestas, refletir sobre as diferenças e os pontos em comum
e estabelecer um programa mínimo a ser seguido já
de olho em 2006 e 2008.
Esse é o papel da oposição, conforme a vontade
das urnas. Agora, se querem continuar contrariando o povo, que se
contentem com o pouco ou o insuficiente. (R.A.).
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