Garanhuns, 23 de outubro de 2004
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POLÍTICA
 

O papel das oposições

Luiz Carlos de Oliveira ganhou com folga a eleição de Garanhuns, em relação ao seu concorrente mais próximo, Bartolomeu Quidute. Foram mais de cinco mil votos de vantagem. Mas o ex-prefeito também obteve uma votação expressiva e é um patrimônio político que ele terá de saber administrar, porque senão esses quase 20 mil eleitores desaparecem em pleitos futuros, como aconteceu com os seguidores de José Inácio e Ivo Amaral.

O promotor Alexandre Bezerra também obteve uma boa votação, levando-se em conta que está há pouco tempo em Garanhuns, foi abandonado pelo próprio partido e não teve recursos financeiros para sua campanha. Seus 6.202 votos podem multiplicar-se, em eleições futuras, ou podem minguar, como aconteceu com Almir Penaforte depois de 1996. Depende de como o petista irá gerir esse patrimônio político.

O vereador Givaldo Calado, do PPS, saiu menor do que entrou do último pleito. Foram apenas três mil e poucos votos, quando em 1988, com um eleitorado muito menor, chegou perto dos cinco mil sufrágios. Mesmo assim o parlamentar poderá somar, no futuro, se tiver humildade de reconhecer erros e capacidade de fazer alianças.

Paulo Camelo, do PSTU, de certo modo teve uma votação maior do que a de Givaldo e equivalente a do promotor. Como, se o socialista conquistou nas urnas menos de 800 votos? Ora, o engenheiro e ex-funcionário do Banco do Brasil fez campanha sozinho, praticamente sem chapa proporcional, com tempo mínimo no rádio e nenhum recurso. Chegar perto dos mil votos com esse discurso de teleférico foi demais para o Camelo.

Juntos, os oposicionistas obtiveram mais de 30 mil votos, perto de 55% dos sufrágios do povo de Garanhuns. Parece que tivemos um banho do candidato do governo, por conta dos seus mais de 25 mil votos, mas não é bem assim. Olhando os números, temos uma cidade dividida, inclinada a mudanças, sejam elas radicais ou moderadas.

Cabe à oposição refletir essa realidade, deixar de triunfalismos e buscar no futuro a unidade que faltou no presente. Cabe fiscalizar o trabalho de Luiz Carlos, cobrar as promessas de campanha e continuar lutando por mudanças de verdade para Garanhuns.

A história nos ensina que os vitoriosos de hoje podem ser os derrotados de amanhã, e os que amargaram o choro agora podem sorrir no futuro. Miterrand na França perdeu cinco eleições. Quando ganhou a primeira ficou no poder 16 anos. O nosso Lula perdeu três e conquistou uma bela vitória na quarta tentativa.

Mas sempre, por trás da vitória, está um trabalho de costura, de conversas, de alianças (se preciso até à direita), em torno de quem tem melhores chances de levar determinado projeto adiante. Ninguém ganha sozinho, com bravatas e exibicionismos.

Bartolomeu, Alexandre, Givaldo e Paulo Camelo, se pensam mesmo em Garanhuns, se não têm projetos meramente pessoais, devem sentar para conversar. Discutir o município, aparar as arestas, refletir sobre as diferenças e os pontos em comum e estabelecer um programa mínimo a ser seguido já de olho em 2006 e 2008.

Esse é o papel da oposição, conforme a vontade das urnas. Agora, se querem continuar contrariando o povo, que se contentem com o pouco ou o insuficiente. (R.A.).