Garanhuns, 23 de outubro de 2004
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OPINIÃO
 

Exaltação ao professor

Odete Melo de Souza


São Francisco de Assis disse um dia: Se eu encontrasse no meu caminho um anjo e um padre, saudaria primeiro o padre.

Tamanha dignidade!...

Parodiando o Santo Irmão da Pobreza, atrevo-me a afirmar: Se eu encontrasse no meu caminho, um anjo e um professor, cumprimentaria primeiro o professor.

Pois, o anjo é detentor de dons gratuitos e a sua ação é impulsionada por forças divinas.

O professor é um contínuo e nobre imolar-se, é um extrapolar o "apenas" transmitir conhecimento, é o resultado de sacrifício e esforço pessoal para a aquisição de saber, cultura e desempenho. É vocação espontaneamente abraçada. É chamamento divino atendido.

Ele transcende as limitações de qualquer outra atividade humana. Ultrapassa os atributos paternos de gerador biológico do filho e atinge o aperfeiçoamento do seu aluno, santificando-lhe a alma que é eterna.

Evoco aqui o grande rei Alexandre da Macedônia em relação ao seu mestre nAristóteles: devo muito ao meu pai porque me deu este corpo efêmero. Muito mais devo ao meu Mestre porque poliu minha alma que é imortal.

Que incomparável exemplo de reconhecimento!... Deveria ser imitado por todos os alunos, pais e sobretudo pelos governantes.

Poucos discípulos cultuam o sublime sentimento da gratidão!...

Ensinar é arte dos nobres, dos sábios, dos santos. É arte divina. Jesus resumniu toda a sua vida no ensinar, pregando, orando, operando milagres, amando.

O grande Santo Agostinho humildemente nchegou a concluir: eu não posso nunca ensinar.

Entretanto, antepondo-se a esta afirmativa, o magistral educador recifense Paulo Freire garantiu: Ninguém é tão grande que não tenha nada a aprender, nem tão pequeno que não tenha nada a ensinar.

Embora o conhecido professor também recifense Jorge nChu tenha assegurado certa vez: O magistério é uma profissão que nào dá glória nem pão, o autêntico professor não se desetimulou da sua sacorsanta missão de ensinar, formando mentes e corações.

Realmente o árduo e penoso trabalho do professor fica sempre na obscuridade e seu salário é irrisório, injusto e em completa desarmonia com a magnitude de sua elevada tarefa.

Acrescendo a tudo isso a indisciplina dos alunos na escola e o desrespeito à pessoa do mestre, motivados pela desconcideração ao princípio de autoridade dos nossos dias, aumentam as dificuldades e o sacrifício no desempenho profissional do professor.

Nós professores, pois, fui agraciada com esta nsanta prerrogativa, somos apenas, instrumento entre o criador e o nosso discípulo e todo ensinamento e aprendizagem são obras do alto, portanto, o que transmitimos é uma semente que não nos pertence, e ainda menos, nos pertencem, os seus frutos.

O professor deve ser verdadeiramente aquela figura emblemática de bondade, sabedoria e santidade.

Diante de tamanha nexaltaçào à privilegiada pessoa do professor, elo maravilhoso entre o infinito, festenjemos a sua bem escolhida data (15 de outubro), a exemplo de uma harmoniosa sinfonia, cujos principais nacordes serão o reconhecimento dos alunos, o fiel cumprimento do dever do professor e sua perfeita conscientização de que a arte de ensinar é a delegação ndivina e que um só é o mestre - o Cristo Jesus!...