Garanhuns, 23 de outubro de 2004
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OPINIÃO
 

Onde está a direita?

Rafael Brasil


Quando falo da direita, não me refiro àquela direita raivosa, nacionalista xenófoba, herdeira dos fascismos do sangrento século XX. Falo dos liberais, defensores do livre-mercado, da abertura econômica, enfim, do velho capitalismo livre concorrencial. Mas, afinal, o que vem a ser de direita, ou de esquerda, hoje em dia, ao sabermos que estas denominações vêm da revolução Francesa, quando os progressistas sentavam-se no lado esquerdo do parlamento, e os conservadores à direita? E hoje no Brasil, quando observamos que, a ex-esquerda revolucionária, segue a cartilha do conservadorismo mundial, seguindo a cartilha dos social-democratas, que iniciaram o processo desde a eleição de Fernando Henrique? Que organizou, podemos dizer assim a política de abertura econômica, iniciada atabalhoadamente por Fernando Collor? Que confusão! Mas, afinal, aonde está a direita, a velha direitona liberal?

Realmente, em termos eleitorais, a direita está em crise. Crise de quadros, diga-se de passagem. Digamos que, desde a redemocratização, a velha direita está desgastada, sofrendo da fadiga de material. Há pouquíssima renovação de quadros. E, ademais, o processo de modernização do capitalismo brasileiro, está nas mãos dos social-democratas, do PSDB, pois além de mais conservador na área econômica, tenta reviver delírios stalinistas, como no caso dos projetos que visam um maior controle estatal sobre os meios de comunicação, bem como na felizmente fracassada tentativa de cercear o trabalho dos jornalistas. Além é claro, no aparelhamento do estado com militantes do PT. Bem, mas nesse caso, os radicais tiveram uns bons calas-bocas. Afinal, ninguém resiste a um empreguinho no estado, principalmente em tempos de crise. Mas, convenhamos, Lula foi sabido, colocando seus radicais, que aliás não são poucos, atrás dos birôs da nossa gigantesca máquina governamental. Por enquanto, com o sucesso da política econômica conservadora, esta turma está calada, embora continuem fazendo e falando muitas besteiras.

Portanto, como vimos, a direita está em crise de quadros, mas, devido ao fisiologismo e a política econômica, está no poder. Partidos como o PL, o PP, e outros até mais fisiológicos, como o PTB, além de boa parte do PMDB, estão no governo. ACM, Sarney eMaluf. Afinal, foi Lula e o PT que se direitizaram. Para muitos exageraram na dose. Mas o fato é que, com a falta de quadros, a direita vai pegando carona, tanto no PSDB quanto no PT, que agora são os partidos hegemônicos.

Como sempre foi pragmática, engolem saborosamente sapos, mais especialmente os sapos barbudos. Como diria o espirituoso Falcão, a burguesia fede, mas tem dinheiro para comprar perfume. E a direita degusta Lula, nos mais diversificados sabores e temperos. Claro, nesta enorme crise de identidade, o velho pefelê, luta para renovar seus quadros, e aprender a fazer oposição. E até, pasmem, vem cumprindo o seu papel com esmero. Basta ver as atuações de suas bandadas na câmara e no senado, com Zé Carlos Aleluia e Zé Agripino. Faz-se necessário uma direita renovada e moderna no quadro político nacional, mas as esquerdas social-democratas estão cumprindo razoavelmente o papel, no processo de renovação do capitalismo brasileiro. Menos mal.

Mas, convenhamos, o processo de consolidação partidária no Brasil ainda está longe de ser atingido. É preciso fazer uma ampla reforma política. Até as pedras sabem disso. E também uma reforma eleitoral, pois a corrupção e o poder econômico usam e abusam das corriqueiras brechas da lei. Compra-se votos, como compra-se bombons nesse país. É preciso mudar para avançãr no processo democrático. Estamos com dez anos de governos social-democratas, que mesmo trôpegamente vem modernizando o capitalismo brasileiro. Claro, é preciso muito mais. As reformas estão paralizadas, e há uma descrença generalizada dos investidores estrangeiros quanto ao futuro do país. E a inação, é a pior tática política, assim ensinava o líder revolucionário León Trotski.