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CORREIO POLÍTICO
Roberto Almeida
SECRETARIADO
Uma equipe de governo não pode ser obra apenas da cabeça
do eleito. Os secretários, os diretores, os auxiliares do
governante, devem expressar o estilo do escolhido pelo povo, representar
o grupo que ajudou na vitória e ainda o sentimento da população.
Numa democracia tem de ser assim e satisfações devem
ser dadas à sociedade. Os aliados, os eleitores e a imprensa
merecem receber informações e isso fatalmente acontece
se o regime é de liberdade e se os ungidos nas urnas decidiram
optar pela transparência.
Para quem tem a cabeça do passado, do regime autoritário,
no entanto, a equipe será escolhida de uma outra forma. Em
salas fechadas, com pouca conversa e sem satisfações
à imprensa, à sociedade e mesmo aos aliados. E assim
os secretários, os diretores, os gestores públicos,
serão mais uma vez não servidores do povo, mas meros
ladores do "príncipe". Montado assim, um governo,
por mais eficiente que seja, por mais resultados que consiga, nunca
deixará de atender prioritariamente os interesses pessoais,
de pequenos grupos e de uma elite. É por isso que as coisas
não mudam, permanece o estado de alienação
e os moradores da cidade, do estado ou do país terminam por
se contentar com a maquiagem, a festa, o assistencialismo.
A democracia, no Brasil, ainda é nova. E demora a enraizar
nos pequenos centros.
COPAS
O presidente da Academia de Letras de Garanhuns, poeta e cronista
João Marques, é amigo do prefeito eleito. Antes do
pleito do dia três, o candidato Luiz Carlos chegou a dizer
que ia precisar do acadêmico. Depois da vitória, o
vitorioso "fechou-se em copas" e o poeta não sabe,
honestamente, se poderá ajudar o novo governo.
CULTURA
João Marques seria uma das opções do prefeito
eleito para a diretoria de cultura do município. Existem
outros nomes bons, como Lilian Ferreira e Nivaldo Tenório.
Nenhum desses se manifestou ainda, do que se aproveitou o radialista
Fernando DJ para colocar seu nome à disposição.
QUEM FICA
O nome mais cotado para permanecer secretário em Garanhuns
é o de João Guido, secretário de Desenvolvimento
Urbano. Aliados do prefeito eleito garantem que Hélio Amorim
(Finanças) e Paulo Barbosa (Serviços Públicos)
dificilmente permanecem nos cargos.
PLANTAÇÃO
Tem gente plantando seu nome através da imprensa para ser
secretário disso ou daquilo. Outros, porém, tentam
se garantir de outro modo. Recorrem a Silvino ou Ivo Amaral como
padrinhos, certos que eles têm influência junto ao prefeito
eleito.
APROVAÇÃO
Paulo Camelo (PSTU) foi o primeiro a observar, numa entrevista
a Sete Colinas, que o governo de Silvino não foi tão
aprovado assim pela população quanto se pensa. É
que somados os votos do próprio Paulo, Givaldo, Alexandre
e Bartolomeu chegamos a 30 mil sufrágios, cerca de cinco
mil a mais do que foi obtido por Luiz Carlos.
APOIOS
Como a coluna informou durante a campanha Zé de Vilaço
e Sivaldo tiveram uma boa ajuda do prefeito Silvino e da primeira
dama Aurora Cristina. Já o candidato do vice-prefeito eleito
Almir Penaforte, Evaldo, teve 397 votos.
CIDADANIA
A Casa Pró-Cidadania, na Cohab I, mantém ocupadas,
ganhando algum dinheiro, sessenta mulheres daquela comunidade de
Garanhuns. É um esforço notável da advogada
Ielma Lucena, que banca tudo sozinha. Não tem ajuda de Prefeitura,
Governo do Estado, Governo Federal, deputado estadual ou federal.
GASTOS
Integrantes do Partido Verde e do PMDB, que disputaram a eleição
de vereador este ano, estão convencidos de que os mais de
dois mil votos de Zé de Vilaço não saíram
por menos de R$ 200 mil. O presidente da Câmara, Sivaldo Albino,
que se reelegeu com pouco mais de 1.700 votos, teria gasto perto
de R$ 180 mil.
CÂMARA
A briga pela eleição da nova Mesa da Câmara
começou logo depois de conhecidos os eleitos. Sivaldo é
candidato a ficar mais dois anos na presidência e deve contar
com o apoio de Zé de Vilaço (PP), do professor Natalício
(PV), de Paulo da Mochila (PSDB) e possivelmente de Marcelo Marçal
(PT).
CÂMARA II
Quem também pretende ficar com a presidência da Câmara
é o peemedebista Zaqueu, mas esse só será eleito
se tiver os votos da oposição e mais um da situação.
O grupo de Bartolomeu elegeu quatro vereadores: Daniel, Aldemiro,
Cláudio Taveira e Armando. É um grupo unido, que poderá
surpreender.
ELEITORADO
O eleitorado de Jucati está quase do tamanho da população.
Em Iati e Capoeiras a eleição pode ter sido decidida
por gente que mora longe desses municípios. Na época
da urna eletrônica o coronelismo ainda impera e muitas vezes
a fraude eleitoral acontece com a omissão ou a anuência
de juízes ou de funcionários da justiça. Tem
mais: não dá pra aceitar que no Rio Grande do Sul,
em São Paulo, no Rio Grande do Norte e outros estados do
país prefeitos sejam afastados do cargo e até presos
por corrupção, por enriquecimento ilícito,
enquanto em Pernambuco a impunidade é total.
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