Garanhuns, 9 de outubro de 2004
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POLÍTICA
 

Porque Luiz venceu a eleição

A vitória do peemedebista Luiz Carlos à prefeitura de Garanhuns começou a se desenhar no princípio de agosto, quando a campanha foi às ruas e o candidato de Silvino começou a crescer na preferência popular, enquanto o petebista Bartolomeu Quidute estacionava. O prefeito atual, numa estratégia altamente profissional, investiu pesado na periferia, consciente de que empatando o jogo nesse setor estaria ganha a eleição, uma vez que nas classes média e alta o peemedebista teria esmagadora maioria.

A estratégia foi acertada, as obras às vésperas da eleição surtiram efeito e a campanha de rua do PMDB, com alguns equívocos no início, terminou dando um banho na do petebista do final de agosto em diante.

Do lado de Bartolomeu, os erros começaram com o deputado Izaías Régis, que subestimou os adversários o tempo todo, chegando a dizer que ganharia a eleição com um papangu ou um boneco. Poderia ter feito alianças com o PT e outros partidos, mas achou que não precisava, dado o favoritismo do ex-prefeito.

Quando começou mesmo a campanha, a falta de alianças fez uma falta imensa, principalmente no guia eleitoral. Luiz teve nove minutos e meio no rádio, contra quatro minutos e dois segundos de Bartolomeu. Pra quem conhece um pouco de mídia sabe que isso faz uma diferença enorme.

Pra completar o quadro de erros e acertos de um lado e outro, o candidato Luiz Carlos teve um discurso articulado desde quando foi lançado o seu nome, no restaurante o Chalé, até o final, quando venceu o pleito por uma margem folgada de votos. O discurso do administrador, do gerente, do homem de bem, do cidadão que nunca foi político...

Esse discurso apolítico foi levado inclusive ao guia eleitoral, que mais parecia um show de programa dominical, com o objetivo claro de evitar uma discussão ideológica dos problemas de Garanhuns.

Izaías Régis, quando percebeu que a coisa estava ficando ruim, apelou para o discurso virulento, insinuou que Luiz era ateu, mas o tiro saiu pela culatra. Bartolomeu, que poupou o candidato, não esqueceu a mágoa de ter sido traído por Silvino e ao concentrar seu discurso em cima do antigo aliado também perdeu votos.

O prefeito do município pode ter traído muita gente em sua vitoriosa carreira política. O próprio Bartolomeu, Ivo Amaral, Márcio Quirino, José Tinoco, Miguel Arraes e Givaldo Calado, estão dentre os nomes que foram abandonados por Silvino depois de lhe terem ajudado na vida de alguma maneira.

O povo, contudo, termina achando esse lá e cá, essas mudanças de partido, essa rearrumação de forças uma coisa natural. A população é imediatista e muitas vezes pensa só com a barriga. Silvino sabe disso e nunca teve essa "besteira", como Ivo e Bartolomeu, de se preocupar com a palavra empenhada.

Assim, o discurso anti-Silvino de Bartolomeu teve efeito contrário, assim como os ataques de Izaías ao "bom moço" Luiz também só fizeram prejudicar a campanha.

Como se não bastasse o maior número de acertos do grupo do prefeito e o maior número de erros do grupo de Izaías, há ainda a considerar a questão dos recursos envolvidos na campanha. Bartolomeu teve muito menos dinheiro em sua caminhada do que Luiz Carlos e isso ficou evidente em dois momentos: quando foram promovidos os shows de Saia Rodada e Cavaleiros do Forró, que juntos levaram cerca de 30 mil pessoas a praça. O petebista, como que acuado, encerrou a campanha sem realizar comício e sem contratar nenhuma atração que animasse os jovens e seus eleitores.

Enfim, foi a vitória da máquina municipal e do poder econômico, até certo ponto, mas foi sobretudo foi a vitória do profissionalismo contra o amadorismo. Do lado do PTB, se improvisou demais, muitas vezes por falta de dinheiro, é certo, mas em alguns momentos também por teimosia. O prefeito que comandou a campanha vitoriosa, ao contrário, pensou tudo milimetricamente, friamente, e mais uma vez terminou se dando bem. Se querem derrotá-lo, no futuro, sejam também profissionais. Mantenham a coerência e o caráter, como Bartolomeu, mas sejam profissionais. (R.A.).