Garanhuns, 9 de outubro de 2004
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OPINIÃO
 

Silvino vence e Izaías perde

Marcílio Viana Luna


Garanhuns, mais uma vez, demonstra sua independência política, elegendo por uma maioria considerável o seu novo prefeito, que regerá os destinos da Suíça Pernambucana nos próximos quatro anos. O eleito, para surpresa de muitos, é o farmacêutico de classe média, oriundo de um município do Agreste Meridional, mais precisamente Calçado, sem nenhuma experiência política partidária. Trata-se de Luiz Carlos de Oliveira, com liderança apenas entre pequenos e médios comerciantes e membros de uma instituição a qual pertence. Mas, um apoio fundamental: do atual prefeito Silvino Duarte. Outro fator: Luiz Carlos sempre teve bom conceito em todos esses anos que reside na cidade das flores.

Luiz Carlos derrotou, de uma vez só, quatro grupos poderosos em Garanhuns. O primeiro formado pelo médico e ex-prefeito Bartolomeu Quidute, experiente e formado em política, aliado do "fenômeno" Izaías Régis, o maior derrotado nas eleições de três de outubro, na terra do Magano e na região. Quidute tinha tudo para ganhar o pleito: o apoio do deputado e empresário Armando Monteiro Filho, do PDT do finado Brizola, e de outros partidos que formavam sua aliança. Teve 19.851 votos, contra 25.100 de Luiz Carlos de Oliveira, uma diferença de 5.249 votos para o candidato de Silvino Duarte, o maior vencedor das eleições.

O segundo grupo era muito poderoso mesmo e estava formado pelo terrível PT, o grande vencedor a nível nacional, de Lula, João Paulo e Zé da Luz; do PSB de Miguel Arraes e Ivan Rodrigues, e mais alguns grupos de esquerda. O seu candidato, Alexandre Bezerra, um jovem promotor público, bem intencionado, com uma boa equipe e competente em defesa dos direitos dos cidadãos garanhuenses. Apenas diziam que ele era do Recife e morava há poucos anos em Garanhuns. Mas, em contrapartida tinha a única mulher candidata na majoritária: Ielma Lucena, bacharel, ex-secretária municipal e candidata a vice na chapa de Alexandre.

O candidato do PT teve 6.202 votos, ficou em terceiro lugar, fez uma boa campanha e está credenciado no futuro político de Garanhuns.

O terceiro grupo estava forte demais. Liderado por Givaldo Calado, vereador e empresário, oriundo de Correntes, tinha tudo para ganhar a eleição. Genro de Amílcar Valença, um dos maiores referenciais políticos, Givaldo Calado contou ainda com o apoio de Márcio Quirino, apontado como o candidato natural para disputar o pleito, do ex-deputado federal José Tinoco, com todo o PFL de Marco Maciel e do PPS, partido de poucos votos em Garanhuns, salvo os sufrágios que fizeram Givaldo vereador. O candidato pós-socialista, que disputou a prefeitura pela terceira vez, tinha um vice que tudo indica ser de futuro político: Jorge Branco Neto, de família tradicional, empresário e bacharel em direito. No final da apuração, os votos obitidos por Givaldo e Jorge somavam apenas 3.194 sufrágios, votação considerada pequena.

Finalmente o quarto grupo, do engenheiro Paulo Camelo, do radical PSTU, candidato em outra vezes, mas que vem aumentando a votação. Teve apenas 781 votos, mas na última eleição não passou dos 400 sufrágios, está crescendo aos poucos e pode até um dia ser eleito vereador. Paulo Camelo tinha como principal meta a construção de um teleférico em Garanhuns. Só podia ser do Magano para o Alto da Boa Vista, onde fica o abandonado monumento do Ipiranga, esquecido pela prefeitura. Para o Monte Sinai não poderia ser, pois perdemos a principal colina de Garanhuns e jamais iam deixar um teleférico chegar até lá, quero conhecer pessoalmente o Paulo Camelo, o único candidato garanhuense como eu e talvez ele me convença dessa idéia do teleférico.

Mas o grupo que elegeu Luiz Carlos de Oliveira, não ficou restrito ao apoio de Silvino Duarte. Ele teve a decidida participação do ex-prefeito e ex-deputado Ivo Tinô do Amaral, também experiente vereador e vice-prefeito de Garanhuns. Ivo entende tudo de política e do Agreste Meridional nem se fala. Luiz Carlos teve também Jarbas Vasconcelos em seu palanque e de outras lideranças políticas. Mas Silvino foi demais: derrotou o eu maior adversário Izaías Régis, que há dois anos ganhou para deputado derrotando Aurora Cristina, a mulher e candidata do prefeito, por mais de 10 mil votos de diferença e agora ela vai assumir - como prevíamos - a cadeira de deputada em uma das vagas abertas com a eleição de Lula Cabral, para prefeito do Cabo ou Afonso Ferraz, eleito prefeito de Floresta. Tanto a eleição dos vereadores, que entra para a história política com a vitória de Marcelo Marçal, do PT, para a Câmara Municipal e a justa e merecida posse de Aurora Cristina na Assembléia Legislativa do Estado, ficam para o próximo artigo e continuo 100% Garanhuns.