|
Partidos denunciam abuso de poder econômico
e político
Núbia Kênia
Os partidos PTB, PDT, PMN, PAN, e PTN, integrantes da Coligação
Novos Tempos, Novos Rumos que apóiam o candidato a prefeito
Bartolomeu Quidute (PTB) entraram com uma denúncia na Justiça
Eleitoral contra o prefeito de Garanhuns Silvino Duarte, os candidatos
à majoritária da Coligação Construindo
Garanhuns, Luis Carlos de Oliveira (PMDB) e Almir Penaforte e o
vereador candidato à reeleição Mazinho, pedindo
a cassação dos registros e inelegibilidade na forma
da Lei dos candidatos citados, como também a punição
do prefeito Silvino Duarte, pela prática de abuso de autoridade,
uso indevido do poder político e econômico e da máquina
administrativa municipal.
Segundo consta no documento entregue ao Juiz Márcio Bastos
Sá Barreto e posteriormente ao Tribunal Regional Eleitoral,
TRE, os acusados estariam cometendo ilícitos eleitorais,
ao utilizar indevidamente a máquina administrativa, além
cometerem abuso de poder econômico e político, acarretando
a anormalidade e desequilibro na disputa das eleições
2004, e ferindo a legislação eleitoral em vigor, de
acordo com o Art 22 da Lei 64/1990 e Lei 4.117/62.
As denúncias evidenciam vários fatos ocorridos durante
este período eleitoral. Um deles foi uma reunião ocorrida
no dia 18 de agosto na Escola Elvira Viana, onde os discursos foram
gravados em uma fita cassete demonstrando que o prédio público
estava sendo utilizado para fins eleitorais.
Em outra citação o prefeito Silvino Duarte, teria
feito alegações em beneficio próprio, sempre
dizendo... "Eu fiz a escola tal...Fiz o Posto de Saúde",
e também "votem em Mazinho, que Mazinho conseguiu 1
400 litros de leite pra distribuir". Já em outro trecho
da gravação anexada ao processo o vereador Mazinho
alega que "nossa associação" se distribui
80 litros de leite por dia, 2 400 litros por mês".
O documento também faz referência ao uso da máquina
administrativa na propagando eleitoral do horário gratuito,
para fazer publicidade oficial da prefeitura e suas realizações
e obras, com finalidade de promoção pessoal do prefeito
e do seu candidato Luiz Carlos.
PASSEATA - Um dos fatos mais recentes, ocorrido no último
dia 11, quando aconteceu uma passeata pública pelas ruas
de Garanhuns, na qual foram exibidas faixas e cartazes citando dezenas
de realizações feitas pela prefeitura, todas conduzidas
por pessoas com camisas estampadas com o nº 15 e o nome de
"Luiz Carlos", caracterizado no processo como propaganda
oficial da prefeitura em benefício do candidato Luiz Carlos.
Além disso, o documento afirma que o uso da propaganda irregular
na empresa comercial do candidato Luiz Carlos, quando estaria sendo
colocado "banner" com fotos e propaganda explícita
nas dependências da farmácia.
Sobre o uso do poder econômico e político, foram levantadas
informações, pela Coligação Novos Tempos,
Novos Rumos, sobre a existência de colchões e cestas
básicas e outras mercadorias que encontram-se em poder da
prefeitura, estocadas na sede do CAIC e na Centro Administrativo
para fins de distribuição com finalidade eleitoreira.
Nesse trecho da denúncia é relatado que servidores
não querem prestar informações à Justiça
com medo de perseguição e represálias, de que
essas mercadorias serão para a população carente
às vésperas da eleição.
No final do relatório do processo, os advogados pedem uma
investigação eleitoral, com a concessão de
Liminares, e anexa aos autos cópias de fitas cassetes, procurações,
filmagens e fotografias das denúncias, além de arrolar
as seguintes testemunhas: Maria Betânia Ferreira Lima, José
Mauricio de Mello, Maria Jailda de Albuquerque Anjos, Giovani Laurentino
de Lima, José Alexandre Ferreira Araújo e José
Eraldo Guedes Sabino.
O juiz Márcio Bastos está notificando esta semana
a coligação Construindo Garanhuns sobre as denúncias
e os partidos que apóia a candidatura de Luiz Carlos terão
cinco dias para fazer sua defesa. Independente da decisão
local, o PTB e partidos entraram com ação semelhante
diretamente no Tribunal Regional Eleitoral, TRE, que dará
a decisão final sobre o pedido de cassação
das candidaturas. Já as demais denúncias serão
investigadas pela Justiça e pelo Ministério Público.
Essa matéria foi produzida originalmente
pela jornalista Núbia Kênia para o Jornal Cidade. Mas
os diretores do JC preferiram não publicar a reportagem, baseada
em documentos públicos, que tramitam na Justiça Eleitoral.
Eles temeram sofrer algum tipo de retaliação por parte
do prefeito Silvino Andrade. |