Garanhuns, 25 de setembro de 2004
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OPINIÃO
 

Os lucros da economia

Rafael Brasil Filho


Como qualquer politicólogo de mesa de bar sabe, quando a economia vai bem, ou pelo menos não está tão mal, os governos se sustentam. Afinal, não tem uma parte do corpo humano mais sensível do que o bolso, assim diz o ditado popular. Lula agiu sabiamente nessa questão, em seguir a política econômica ortodoxa antes denominada de neoliberal, nas mais variadas hostes esquerdistas. E realmente, convenhamos, foi uma boa vitória contra os heterodoxos de plantão, que aliás, ainda espreitam as hostes governistas, esperando um golpe. E o governo está eufórico com o desempenho econômico que aponta para o crescimento da economia, mais notadamente do setor privado. Apesar dos garrotes fiscais, da corrupção e da lentidão da justiça, o capitalismo brasileiro, digamos, teima em avançar. Muito bem, mas como diria o saudoso Plínio Marcos, sempre existem os poréns. Vamos a eles.

Como sabemos, o aquecimento da economia é global, puxado pela locomotiva norte-americana. Contrariando muitas previsões sombrias, até o Japão cresceu, depois de pelo menos uma década de estagnação. Sem falar na União Européia, claro. Ainda estamos longe do tão sonhado crescimento sustentável. Só o teremos se, evidentemente tivermos capacidade de mudar, e com a rapidez necessária. A agenda é velha, vem dos tempos de Fernando Henrique. Fazer as reformas que o capitalismo brasileiro exige e precisa, desonerando a produção e o trabalho formal, ampliar o universo de contribuintes com a previdências. Além é claro, de melhorar os serviços públicos de uma maneira geral, e melhorar significativamente a educação. É pouco? É tarefa para estadista.

Acho muito difícil, mas, depois de ter renegado o seu passado socialista o presidente Lula poderia entrar na história como o operário que salvou o capitalismo brasileiro de coisas bem piores. Salvando o capitalismo, Lula estará sendo inteiramente fiel com a classe operária, óbvio ululante. Com as fábricas, virão os trabalhadores, e a classe operária estará a salvo em Pindorama. Assim, quem sabe se daqui a uns trinta anos estaremos no mesmo nível sócio-econômico de uma Inglaterra, ou mesmo Itália, só para ficarmos nestes exemplos. É isso aí, companheiros petistas. Se realmente querem salvar a classe operária, que salvem primeiro o capitalismo, pela óbvia razão, de que não existem operários, ainda mais qualificados, sem fábricas. Assim raciocinava o velho Marx, que se revira na catacumba com tantos esquerdistas burros.

Neste andar da carruagem, Lula acaba sendo reeleito. Apesar do besteirol governamental, e da incompetência dos mais variados ministros e assessores governamentais. Porém, para fazer as reformas, o governo precisa ousar mais. Senão teremos um fatídico segundo mandato, quando o desgaste minará todas as tentativas reformistas. Mas, afinal, ainda é cedo para prognósticos. Vamos esperar para ver como se comporta a economia, e quais os sinais positivos do governo aos mercados.