Garanhuns, 25 de setembro de 2004
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OPINIÃO
 

Voto consciente

Odete Melo de Souza


Muitas pessoas votam. Muitas pessoas gostam de votar. Muitas pessoas votam por obrigação.

Poucas pessoas sabem votar!... Aqui não está em evidência o aspecto material do ato de votar isto é, o acertado manuseio da urna eletrônica.

Saber votar é muito mais do que isso.

Saber votar é apreciar e comparar equilibradamente a personalidade e caráter dos candidatos, destacando-lhes os talentos e atributos cívicos, sociais e humanos.

É claro que qualidades inatas como tino adminstrativo, capacidade de trabalho, coragem, entusiasmo, eloqüência, simpatia, desprendimento, são fatores que contribuem muito para o sucesso de quem aspira a assumir cargo executivo ou legislativo.

Dizem que comparar é perigoso e pode até gerar injustiças.

Entretanto, o eleitor deve imparcialmente comparar não somente as propostas apresentadas pelos candidatos, nem sempre com convicção e escrúpulo, mas principalmente as próprias pessoas, sua índole, sua formação moral e intelectual, seu passado, e sobretudo, sua retidão de vida.

Então, exige-se que o candidato seja perfeito ou até mesmo um santo ? Não. A perfeição é apanágio divino.

Exige-se sim, de todo aquele ou aquela que vai comandar os destinos de uma comunidade, seja legislando ou administrando, aquela relativa perfeição, própria de uma pessoa digna.

A escolha consciente de um candidato é comumente comprometida pela filiação partidária, gratidão por antigos favores, parentesco ou mera atração pessoal.

Há também a compra e venda do voto. Aque o pobre por necessidade ou extorquida a sua dignidade pelos poderosos, "vende-se". Troca a sua verdadeira escolha por algo que no momento parece suavizar-lhe o sofrimento.

E pode ainda, receber o benefício de um e votar em outro.

E o que dizer dos ditos "esclarecidos e cultos" que condicionam o seu voto a promessas de altos cargos, bons empregos e até recompensas financeiras?

Eis aqui, lamen-tavelmente nossa verdade eleitoral!...

Portanto, é necessário que todos os brasileiro se conscientizem de que votar é o mais dignificante ato cívico, ressaltando-lhe a capacidade de liberdade e escolha. Esta não só distingue o homem dos outros seres, como o eleva muito acima de todos eles.

Convém lembrar ainda que a política como arte de bem governar os povos é necessária, eficaz e bela. E os homens que a exercem com lisura merecem a admiração, reconhecimento e estima de todos os seus compatriotas.

E como sonhar não é proibido, nem pecado e nem exige pagamento, sonhemos com eleições mais edificantes e conscientes que projetem a grandiosidade da cidadania brasileira.

Que as promessas inexquecíveis, os ataques, ofensas e até infâmias pessoais e os afagos públicos inexistentes em outras épocas sejam patrimônio de um passado atrasado e indesejável.

E assim, quando a Justiça Eleitoral proclamasse o resultado das urnas, proporcionaria a mais inusitada surpresa: eleitor e candidatos, todos seriam eleitos.

O eleitor elegeria a sua consciência por ter votado com independência.

O candidato vencedor elegeria a sua satisfação por assumir com justiça o cargo escolhido e desejado.

E o candidato vencido elegeria democraticamente a sua convicção de que o voto é livre.

Enfim, às urnas, com patriotismo, dignidade e consciência.