Garanhuns, 11 de setembro de 2004
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OPINIÃO
 

Getúlio Vargas

Rafael Brasil Filho


Como bem disse em sua coluna semanal na Veja, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, são muitas as facetas de Getúlio. O nacionalista dos esquerdistas. O facista do estado novo. O homem enigmático que liderou o processo de industrialização do Brasil a partir dos anos trinta. O político extremamente hábil, maquiavélico, no pior sentido, sobretudo para os adversários, que aliás, não foram poucos. Mesmo com as mil facetas de Getúlio, é inquestionável que foi o político mais importante do Brasil no violento século XX. A herança do estado brasileiro, com suas parcas virtudes e seus inúmeros defeitos, é uma de suas heranças, infelizmente ainda não extirpadas pelo povo brasileiro. Claro, o estado foi muito importante na conjuntura política e econômica dos anos trinta. Ademais, uma das características do período entre-guerras, foi, em termos econômicos, na crença do planejamento e intervenções estatais na economia. Isso dos Estados Unidos, até a então pátria dos trabalhadores a União Soviética. Nos últimos ciquenta anos, todos os países, de uma forma ou de outra, reformaram seus estados, dinamizando a economia. Aqui, como de resto na América Latina, ficaram os esqueletos burocráticos do estado. Ainda hoje, pagamos essa conta, sustentando uma burocracia inepta e antidemocrática.

Fernando Henrique, disse, diversas vezes, que, dentre outras coisas, sua missão, seria de desmontar o estado getulista, que, ademais, estaria se tornando um verdadeiro entrave para o desenvolvimento do capitalismo. Como vimos, ele fez pouco. Dada a impossibilidade de acabar com os privilégios, Fernando Henrique acabou optando, grosso modo, pela velhaca posição da plutocracia nacional, aumentando os impostos, claro, de quem produz e trabalha. Justamente, a burguesia e os trabalhadores, pagam a conta. Os trabalhadores com desemprego, pela retração de investimentos. Os burgueses ganham menos, mas, claro, têm o consolo de colocar tudo em bancos nacionais ou estrangeiros, e ir, pelo menos tranquilamente pescar. Devidamente cercados por seguranças, claro.

Claro, houve algumas melhoras. Nenhum político faria uma loucura como Juscelino, construindo uma coisa como Brasília. A opinião pública e racionalista dos mercados não permitiria. Assim como, de certa forma, ainda não permitiu que Lula aplicasse o antigo programa do PT na economia, apesar da forte oposição silenciosa de grande parte do partido, até ontem revolucionário.

Com a industrialização, reforçada pelo nacionalismo dos militantes no poder, com suas políticas de substituição de importações, o Brasil, mesmo caoticamente se urbaniza e diversifica sua economia. Mas ainda é preciso acabar com muitos privilégios e monopólios. Como bem diz um ditado, o difícil não é matar um elefante. Difícil mesmo é remover o cadáver. Pois os entulhos getulistas ainda persistem, na lente, caótica burocracia estatal. Lenta, caótica, e desumana, diga-se de passagem. Sem crescimento, não vamos a lugar algum. E para crescer, é preciso urgentemente desonerar a produção e o trabalho. Alguém duvida? E, ademais, alguém acredita que Lula e sua turma de neo-stalinistas, tradicionais ferrenhos defensores dos cacarecos estatais, vão fazer alguma coisa neste sentido? Bem, tem gente que acredita em comadre fulôzinha. Vocês acreditam?