Garanhuns, 11 de setembro de 2004
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Artista troca Olinda por Sítio Timbó

Depois de ter cursado arquitetura na UFPE, entre 1993 e 1998, e ter realizado diversas atividades na região metropolitana do Recife, atuando como cartunista, ilustrador e mamulengueiro, Wagner Porto resolveu trocar Olinda, onde morava, pelo Sítio Timbó, na zona rural de Garanhuns. Ele reside na terra das sete colinas há quatro anos e confessa estar satisfeito em ter saído da cidade grande para vir morar numa comunidade agrícola e quilombola.

Wagner revela que os moradores de Timbó o receberam com muito carinho e tem lhe dado muito, nesses anos de convívio. No sítio da zona rural de Garanhuns, vizinho ao mais conhecido Castainho, o artista viu nascer o seu primeiro filho e brevemente vai ser pai pela segunda vez. "Aqui estou tendo uma vida mais verdadeira", afirma o artesão.

Discípulo de mestre Salustiano, Walter Porto é também cordelista, xilógrafo e escultor. Confecciona e toca diversos instrumentos ameríndios e já teve os seus trabalhos expostos no Sesc Garanhuns e no salão popular da Feira de Artes e Negócios, que se realiza anualmente no Centro de Convenções de Pernambuco. Agora em 2004, participou outra vez da Feneart, dessa vez integrando o grupo de artistas locais que participou do evento.
EX-VOTOS - Como escultor, Walter Porto tem trabalhado muito, ultimamente, com a arte de ex-votos. O interesse por essa área é tão grande que o artista organizou recen-temente no município uma oficina com o objetivo de ensinar outras pessoas esse seu ofício. O interesse despertado na cidade superou as expectativas.

"A atividade artística aliada ao compromisso com a cultura é um mecanismo eficiente de inclusão social e cidadania", defende Porto em seu projeto da oficina de ex-votos. Segundo ele "estimular o pleno desenvolvimento do potencial criativo do ser é estimular o trabalho responsável e consequente geração de renda e liberdade".

Walter Porto acrescenta ainda que "envolver e capacitar no universo imaginário do ex-voto é proporcionar um mergulho nos fundamentos da cultura brasileira, ou melhor da cultura". O artesão complementa que a sua oficina busca iniciar jovens talentos, com funda-mentação básica, no universo lúdico, místico e estético da expressão artística. "Devemos valorizar o conhecimento impírico respeitando e estimulando inclinações individuais, objetivando instigar um avanço cultural pleno atrelado a noções técnicas", observa ainda o artesão.