Garanhuns, 11 de setembro de 2004
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CULTURA
 

Neruda, 100 anos

Diorindo Lopes Júnior


Durante um tempo - e faz muito tempo isso, eu acreditei que fazer poesia era botar no papel dores-de-cotovelo, impressões sócio-políticas e meus fracassos pessoais, com algum ritmo, métrica e rimas. Outras vezes, fiz do que julgava poesia um banal instrumento de convencimento a eventuais resistências femininas - no que fui até bastante feliz, já que me vali das leituras de Drummond e Vinícius.

Não fui, não sou e não serei o único. Muito pior foi ter cometido a heresia de publicar um (péssimo) livro. Com o que iludi outras almas fêmeas.

Felizmente, uma moça de bom senso me presenteou com um volume de Pablo Neruda. Não precisei de muito tempo para me dar conta de que Poesia é coisa bastante séria e fui cuidar de outra coisa. Algo que me exigisse menos sabedoria e me disponibilizasse mais vontade e tempo para aprender.

Vivo fosse, Neruda teria feito cem anos neste 12 de julho de 2004. Morreu em 23 de setembro de 1973, doze dias após Pinochet e seus mastins a soldo americano 'suicidarem' o socialista Allende e violentarem o Chile. Oficialmente, Pablo Neruda morreu de câncer. Para mim, o que o matou foi amor.

Como poucos, Neruda cantou seu amor pelas mulheres e pelo seu país, sua gente. Confira em sua obra, atualíssima, mais de trinta anos passados.


Diorindo Lopes Júnior (diorindo @uol. Com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www. Editorasaraiva. com.br) e Cesta de 3 (www. Aliseditora. com.br).