Garanhuns, 28 de agosto de 2004
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OPINIÃO
 

Os cacarecos ideológicos

Rafael Brasil Filho


Muito tenho falado sobre os stalinistas do governo. Aliás, da alta cúpula governamental. Zé Dirceu, Aldo Rebelo e muitos outros menos votados, digamos assim. Para esse pessoal, democracia sempre foi relativa, tal qual, por outros viéses raciocinava o finado general Geisel. Que foi um ditador que acabou a ditadura. Para eles, democracia significava um atalho para se chegar à ditadura, não burguesa, mas adjetivada de ditadura do proletariado. Conheci um comunista, aliás, vários, que sonhavam em alegremente, rolar os tratores do proletariado em cima da burguesia. Literalmente. E mesmo como comunista, claro, um comunista fulêiro, acreditei nessas coisas no passado. Felizmente, logo depois, ao saber dos genocídios, virei democrata, e já faz um bom tempo. Só que, esse pessoal está no governo, e exercendo efetivamente o poder, ocupando numerosos . e influenetes cargos no governo federal. E efetivamente, estão mostrando as unhas de fora, tentando aprovar leis que inibem a liberdade de imprensa. Estão incomodados com as cada vez mais crescentes denúncias de maracutaias envolvendo figurões do governo. Eles adoravam criticar. Hoje, tal qual os militares, reclamam do chamado denuncismo da imprensa. Aliás, não só reclamam, mas querem institucionalizar a censura. Que coisa horrorosa, meu deus!

Desde a tentativa, felizmente frustrada, de expulsar o jornalista americano, que afirmou na imprensa internacional os exageros etílicos do presidente, que o governo vem cometendo besteiras atrás de besteiras. Se tal lei passasse, talvez, nem eu poderia escrever as lorotas que escrevo, muito mal por sinal. Não poderia nem falar de Lula ou destes tristes Zes Dirceus, que infelizmente infestam o governo. Estas verdadeiras sumidades, velhos stalinistas travestidos de democratas. Decerto, nunca pensei que eles chegariam a tanto, pois, afinal, foram muitos deles perseguidos pela ditadura, lembram? Mas, evidentemente, da parte deles, lutavam para estabelecer suas ditadurazinhas, já então fora de moda na Europa dos anos sessenta.

Felizmente, logo veio a reação da imprensa, e da intelectualidade nacional, das mais variadas tendências, e os cacarecos recuaram. Mas é preciso ter cuidado, afinal, como bem falou o ex-ministro da educação, Cristóvam Buarque, o autoritarismo gosta de chegar de mansinho, assim como não quer nada, sorrateiramente, como quase todas as coisas ruins. Afinal, nem mesmo Collor, pelo menos tentou tal coisa. E, ademais, quem se acostumou a ser estilingue, dificilmente se conforma em ser vidraça.

E, desde o caso Waldomiro o governo tenta abafar os casos suspeitos de corrupção, de uma forma ultrajante para, digamos, os antigos padrões petistas. O caso Henrique Meireles é exemplar. Para o livrar de ser inquirido pelos deputados, ou mesmo pela justiça, o elevaram ao posto de ministro. Que, pela lei, só pode ser inquirido pelos tribunais superiores. Se é um pobre, e ainda mais da oposição, madam para a cadeia. Que para os stalinistas, serve para o não virtuosos, os que não seguem a mesma ideologia. E por falar em Waldomiro, que passeia livremente pelo país, ele, juntamente com o PT stalinista, fraudulentamente, com a complacência da revista Veja, arrasou a carreira política de Ibsen Pinheiro, ao maliciosamente trocar mil por um milhão. Isto mesmo. De que Ibsen teria movimentado em suas contas bancárias, na época, não mil, como realmente foi, mas um milhão de dólares. Tudo isso com a complacência dos denuncistas de ontem, o próprio PT, quando na oposição. Para essa gente, os meios justificam plenamente os fins, como bem o ensinava um manual trotkista intitulado, moral e revolução. Bem, felizmente eses cacarecos ideológicos vão sendo colocados no lugar que devidamente merecem. O lixão da história. Que aliás, não é pequeno, principalmente em se tratando de Brasil.